Ronnie bate Selby em ‘meia’ de loucos (17-16) e avança para 7.ª final do Mundial

Snooker 14-08-2020 22:09
Por Redação

O inglês Ronnie O’Sullivan, de 44 anos, número três da hierarquia e pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013) apurou-se na noite desta sexta-feira pela sétima vez na sua carreira para a final do Campeonato do Mundo de Snooker, que decorre até domingo, dia 16 do corrente mês, em Sheffield (Inglaterra), ao vencer na segunda meia-final, novo jogo de loucos, o compatriota Mark Selby, de 37 anos, número quatro da hierarquia e tricampeão mundial (2014, 2016 e 2017), numa emocionante ‘negra’, por 17-16.

 

Com 17 títulos em provas de ‘ranking’, Selby aspirava ao 18.º título em provas de ‘ranking’ e, depois da final perdida em 2007 (John Higgins, 13-18) e dos títulos ganhos em 2014 (18-14 a Ronnie O’Sullivan), 2016 (18-14 a Ding Junhui) e 2017 (18-15 a John Higgins) estava a dois passos do ‘tetra’ no Mundial… e de igualar o escocês John Higgins neste domínio.

 

Já Ronnie tenta, recorde-se, na presente edição do evento, sua sétima final, 19 anos após o primeiro título (2001) - um novo recorde se vencer, suplanta os 18 anos de Mark Williams entre os títulos de 2000 e 2018 – igualar os seis títulos mundiais do compatriota Steve Davis e do galês Ray Reardon – venceu as finais de 2001 (18-14 a John Higgins), 2004 (18-8 a Graeme Dott), 2008 (18-8 a Ali Carter), 2012 (18-12 ao mesmo Ali Carter) e 2013 (18-12 a Barry Hawkins)… além do recorde absoluto do 37.º título em provas de ‘ranking’, e assim desempatar com o (já retirado) escocês Stephen Hendry, pois ambos somam 36…

 

Com os mesmos protagonistas da final de 2014, a única, entre seis jogadas, perdida por O’Sullivan no Crucible – além desse desaire, o ‘Rocket’, perdeu os dois últimos duelos ante Mark Selby no mítico templo do snooker – Ronnie procurava, também, a desforra da derrota nos quartos de final do Mundial de 2010 ante este mesmo rival (11-13). E conseguiu, com muita sorte, virtuosismo, atitudes condenáveis mas uma genialidade que se soltou ainda a tempo de o resgatar do cadafalso.

 

Com peso especial para Ronnie: logo num embate em que igualou outro recorde de Stephen Hendry, ao chegar pela 12.ª vez às meias-finais do Mundial, em 28 anos de profissional. Mark Selby esteve colossal e soberbo e foi muito mais forte nas segunda e terceira sessões de um duelo em que, até à decisão só na primeira Ronnie foi melhor do que o rival, tendo estado muitos furos abaixo da sua capacidade ante um cerebral, frio e cínico Selby, sempre mais forte em todos os capítulos do jogo e com um nível assustador e assombroso, num duelo intenso e esgotante entre dois titãs.

 

A resumir o poderio de Mark Selby, basta referir que venceu três dos anteriores seis Campeonatos do Mundo, onde O’Sullivan há sete anos que tenta, sem sucesso, um sexto título. O ‘Rocket’ é apenas o quarto jogador a conseguir derrotar o compatriota nos últimos sete anos e 24 jogos de Selby no Crucible: McGill fê-lo nos ‘oitavos’ em 2015 (13-9), Joe Perry logo nos 16avos de final em 2018 (10-4) e Gary Wilson travou o exímio inglês em 2019 nos ‘oitavos (13-10).

 

Após uma primeira sessão em que Ronnie entrou melhor e os maus contactos, erros e nervos imperaram, da qual Selby poderia ter saído mais penalizado (39 pontos a melhor entrada, mas exímio nos snookers e jogo defensivo), O’Sullivan chegou à segunda das quatro partes do duelo numa vantagem por 5-3… após estar a vencer 51-0 na oitava partida e ter visto esfumar-se possível 6-2.

 

Soberba exibição de Selby, ante um Ronnie paupérrimo, valeu memorável recuperação a Mark na segunda sessão, em que, quando o intervalo chegou, os quatro ‘frames’ tinham sido conquistados com brilhantismo pelo seu rival, a virar o marcador para 5-7, vantagem que segurou na segunda parte dessa etapa, para Mark ‘The Shark’ Selby chegar a este dia decisivo e às duas derradeiras sessões na frente, por 9-7.

 

Duas vermelhas deixadas à porta dos buracos por Ronnie deram a Mark oportunidades de disparar na vantagem na terceira e última sessão, na manhã desta sexta-feira, em que, ao intervalo, Selby, colossal na frieza e eficácia do jogo defensivo, como é seu timbre e imagem de marca, liderava 9-7, após confortável 6-2 ao ‘Rocket’ na segunda sessão.

 

A confirmar a frustração e impaciência face à impotência de vergar o rival de Ronnie O’Sullivan, em mais uma sessão irreconhecível do ‘Rocket’, a terceira e primeira de duas desta sexta-feira, durante a manhã -  levou Selby a chegar a 13-9 a seu favor e ter o 14-9 na mão… até (mais) um falhanço inesperado do ‘tubarão’ numa vermelha, quando liderava por 56-19 – e outra chance na última encarnada, a liderar 62-37… - com jogo disponível para vencer o 23.º ‘frame’ nessa entrada, permitir a Ronnie o 10-13 e reentrar na discussão logo após, ao vencer o último ‘frame’ da manhã, igualar a sessão (4-4) e chegar à decisão, à noite, com 11-13, a reacender a chama. Acastelou-se, então, a convicção de Selby ter falhado naquele momento estocada final no rival.

 

Na quarta e decisiva sessão, e como lhe competia, Ronnie entrou a cuspir lume e assinou primeira centenária sua nesta meia-final: 114 pontos, para encostar a 12-13 e relançar ainda mais a emoção, o que veio a confirmar-se logo após, no 26.º parcial, mas perdeu posição para continuar a somar a 47 pontos. Nova aberta e o ‘Rocket’ a igualar: 13-13, quarto ‘frame’ de rajada: estava vivo.

 

O ritmo alucinante continuou logo após: Selby teve primeira chance, ficou-se nos 11 pontos, Ronnie parou nos 47 devido a falta (bola branca no buraco ao embolsar a castanha). Bola livre que Mark aproveitou: limpou a mesa e voltou à frente: 14-13. Mas Selby assinou entrada de 63 pontos e, com segunda visita após Ronnie, em snooker mas ainda com pontos disponíveis para recuperar, espalhar tudo na mesa numa tacada mais sinónimo da frustração que vivia, repôs distâncias: 15-13. O’Sullivan displicente a abordar ‘frame’… crucial.

 

Novo ‘xeque’ poderia ter sido dado por Selby no reatamento, quando Ronnie deu nova tacada explicável só por saturação e, após 34 pontos, deu mesa aberta ao rival, que ia a caminho do 16-13, somou 50 pontos mas falhou vermelha difícil.

 

O ‘Rocket’ limpou as bolas da mesa e encostou a 14-15: muita pressão no ‘frame’ seguinte. Parcial no qual O’Sullivan voltou a querer o impossível: bater Selby sem defender e, quando em dificuldade face à excelência do superior jogo defensivo do rival, não hesitou em mais algumas bolas de desespero e cabeça perdida à mesa, como se viu nas últimas duas bolas rosas, que jogou com força e falhou – manifestações pouco abonatórias para si, para o snooker e para com Mark Selby e próprias mais de quem queria sair dali rapidamente, mais do que outra coisa, um comportamento inqualificável e desrespeitoso –… e Ronnie ficou encostado às cordas: 16-14, Selby a um curto parcial da final.

 

Seria, agora, pensava-se, questão de ‘frames’, ou até - face ao Ronnie contrariado e frustrado que decidiu exibir ao Mundo, a estragar o espetáculo...- só de minutos, tamanha à manifesta falta de vontade que O'Sullivan exibia em estar ali. Uma boa vermelha, com o Rocket no melhor registo, que o guindou ao estrelato, permitiu-lhe a ambicionada reação possível, a redimir-se de mancha que não sairá do currículo: genial ‘break’ centenário (138 pontos) a encostar a 15-16. E com vermelha de arte arrancou 71 pontos para forçar a ‘negra’ com mais duas em nova visita: 16-16, em minutos Ronnie recuperava, ganhava e passava de besta… a bestial. Se as atitudes recrimináveis sobraram e estão lá desde sempre, o virtuosismo inequívoco do maior predestinado que o Mundo já terá visto de taco na mão... também.

 

E foi após minutos de jogo defensivo e de tensão no 33.º parcial que nova encarnada longa permitiu a Ronnie a vitória: Embolsou 64 pontos mas falhou vermelha longa para o buraco da verde… e Selby voltou à mesa. Pedir mais emoção… impossível, na segunda ‘negra’ das meias-finais deste Mundial impróprias para cardíacos. Selby somou 31 pontos até à última vermelha na mesa, e perdeu posição. Duelo defensivo com Ronnie a voltar ao ‘meia bola e força’, um telefone a ouvir-se no Crucible, mas Mark a devolver o snooker ao rival. Espanto e qualidade a nível estratosférico de dois titãs concluída com tacas de nível estratosférico no jogo defensivo, em nova maratona de nove horas (!) de duelo à mesa, selado com O’Sullivan a arrebatar o terceiro parcial de rajada e a vitória em nova visita.

 

Na final, 100 por cento inglesa e inédita, Ronnie O'Sullivan encontrará o compatriota Kyren Wilson, de 28 anos, sexto da tabela, que venceu o escocês Anthony McGill, de 29 anos, 22.º da hierarquia, também por 17-16, na primeira meia-final a concluir-se. No histórico de seis confrontos entre Kyren e Ronnie, 4 vitórias do ‘Rocket’ para 2 do ‘warrior’… a última delas nas meias-finais do Welsh Open (6-5), desaire do qual O’Sullivan procurará a desforra… e conseguir, por fim, ganhar uma prova de 'ranking', a tal 37.ª, esta época, de 2019/2020, em que apenas venceu o Xangai Masters, agora não pontuável para o 'ranking'. 

 

O Mundial é a última prova da época 2019/2020 do World Snooker Tour, pontua para o ‘ranking’ e decorre até domingo, dia 16 do corrente mês. no Crucible Theatre, em Sheffield (Inglaterra). Distribui £2.235 milhões (€2,472 milhões) em prémios, das quais £500 mil (€552.945) ao campeão, que sucederá a Judd Trump (18-9 a John Higgins na final de 2019).

 

O finalista vencido embolsa £200 mil (€221.178), quantia desde já garantida no pior cenário por Kyren Wilson, enquanto que chegar às meias-finais valeu a Anthony McGill e Mark Selby £100 mil (€110.589).

 

Tal como as meias-finais, a final será jogada mas já com público nas bancadas do Crucible também em quatro sessões, no sábado e domingo, dias 15 e 16 do corrente mês – oito ‘frames’ na primeira, nove parciais na segunda, oito agendados para a terceira e até possíveis 10 na quarta - , à melhor de 35 ‘frames’: é campeão do Mundo  primeiro a vencer 18 (de 18-0 a possíveis 18-17).

 

Meias-finais, (apurados a negro):

Kyren Wilson-Anthony McGill, 17-16

Ronnie O’Sullivan-Mark Selby, 17-16

 

Final do Mundial (hora local, mesma em Portugal continental):

Kyren Wilson-Ronnie O’Sullivan (sábado 13.30 e 19.30 horas, domingo 13.30 e 19.30 horas)

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