Resistir à porrada

O Mundo dos Guarda-Redes 12-04-2019 08:33
Por Roberto Rivelino

Caio Secco, Cláudio Ramos, Daniel Guimarães, Léo Jardim ou Ricardo Ferreira estão a contas com uma temporada atípica. Uma época em que são expostos a todos o tipos de desafios em quase sucessão dentro do jogo e jogo a jogo. Cada segundo de cada minuto dos 90’ parece valer uma eternidade por aquilo a que têm sido expostos e, daí, exigidos (quase sem conforto defensivo jornada a jornada).

 

Engane-se quem pensa que o guarda-redes não se cansa ou tem menor desgaste que os restantes jogadores – enquanto a bola está no meio campo adversário, o guarda-redes está a pensar o jogo e a ser a voz de comando para alertar para a ocupação de espaços ou movimentações (por exemplo). Assim, para qualquer um dos nomes veiculados acima, tudo o que rola no relvado é desconfiança, é a entrada do guarda-redes no pensar sobre como antecipar a hipótese X ou Y do adversário, sabendo que a qualquer minuto a ameaça estará perto da sua baliza, prestes a prejudicar as suas chances de defesa e carregar a sombra do golo sob as redes que defende.

 

Veja-se o exemplo do Tondela 3-2 Portimonense. Nenhum dos golos sofridos por Cláudio Ramos e Ricardo Ferreira, respetivamente, foram ou podem ser considerados como erro. O guarda-redes da casa registou um total de cinco intervenções, o forasteiro oito. Além do peso dos golos (Ricardo Ferreira sofreu três entre os 60 e os 90 minutos), começa a reinar no guarda-redes um pensamento de procura pelo final destes desafios, ramificando-se depois, com o acumular destas situações, numa procura pelo brilhantismo individual (salvar-se entre o caos), ou pela discrição (resguardar-se, evitando grandes conflitos), entre vários outros comportamentos e convulsões emocionais. Pode-se pensar o mesmo quanto a Caio Secco no Feirense 1-4 Benfica (nomeadamente no terceiro golo adversário).

 

Nunca isolado do sistema defensivo e sempre influenciado por este, o guarda-redes tem de estar sempre no topo da sua capacidade no controlo emocional para conseguir ter a sobriedade necessária para antecipar o que for possível de se antecipar ou temporizar para poder defender de forma eficaz e resolver os problemas que os adversários ou os colegas lhe colocam.
 

Defesa da jornada

 

Pedro Trigueira – Moreirense FC 1-0 SC Braga – 40’ – Desvio lateral

Avaliação da defesa: 7 (sete)

Critério: A defesa da jornada é escolhida por um critério de pesagem entre execução técnica, interpretação tática e complexidade da tomada de decisão.

 

01 – Momento do cruzamento de Ricardo Horta, com a parte exterior do pé; Pedro Trigueira encontra-se profundo e distanciado da defesa, em posição-base média, com os apoios de perfil e orientados para a ação

 

02 – O cruzamento destina-se a Paulinho, enquanto Pedro Trigueira não altera o posicionamento inicial, encontrando-se agora em posição-base média-baixa e algo deslocado da bissetriz do ângulo baliza/bola

 

03 – Execução de Paulinho efetuada a curta distância; Pedro Trigueira defende em posição-base média, tendo a capacidade para executar após dois saltos que lhe podiam ter comprometido as hipóteses de defesas
 


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