Belenenses exige que a Liga deixe de tratar a equipa da SAD pelo nome do clube

Futebol 15-09-2020 12:47
Por Redação

O presidente do Clube Futebol ‘Os Belenenses’, Patrick Morais de Carvalho, vincou esta terça-feira, através de carta aberta, pedido à Liga de Clubes para que  deixe de tratar a equipa da SAD com o nome do clube do Restelo.

«Se a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e o seu Presidente não alterarem o seu comportamento (tal como o fez a Federação Portuguesa de Futebol), o Clube de Futebol “Os Belenenses” considerará essas práticas como usurpação e uma disponibilização de meios indispensáveis para serem praticados, todos os dias, crimes de desobediência qualificada, para além de todas as consequências ao nível da propriedade industrial, tanto para os mesmos, como para os seus patrocinadores», pode ler-se na carta, que transcrevemos na íntegra:

«Caros Sócios e adeptos,

 

 

O Belenenses é centenário, uno e indivisível.

 

Como representante eleito dos sócios e dos adeptos que amam este Clube, a poucos dias do pontapé de saída da 1.ª Liga, chegou a hora de fazer um ponto de situação sobre o caminho que traçamos na defesa da identidade do Belenenses, em conjunto com os nossos sócios e adeptos.

 

Em sucessivas assembleias gerais que tiveram lugar desde Junho de 2018, a massa associativa e os adeptos do nosso Clube têm explicado ao país e à comunidade desportiva que só há um Belenenses, centenário e indivisível.

 

Desde então, o Belenenses nada tem que ver com a sociedade desportiva que ignorou o repto construtivo do Clube, que recusou o diálogo, que abandonou o Estádio do Restelo e que manteve uma dinâmica de ofensa do património d’Os Belenenses.

 

Desde 30 de Junho de 2018 que a B-SAD usurpa tudo quanto pode o património imaterial d’Os Belenenses e, pouco depois, passou a violar uma sentença judicial, semeando crimes de desobediência qualificada em cada campo em que se apresenta.

 

Entre esses estádios, de 15 em 15 dias, encontra-se o Estádio Nacional do Jamor, administrado pelo IPDJ e tutelado pelo Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, personagens que vivem bem com a situação e que, segundo as notícias mais recentes, se preparam para amanhar uma revisão ao regime jurídico das sociedades desportivas.

 

Em boa hora o Clube tomou a sua decisão de se separar definitivamente da B-SAD, porque nessa revisão da lei, os interesses dos clubes estão muito mal entregues e aquelas sociedades desportivas que escolheram combatê-los já prepararam os foguetes e encomendam mais um porco no espeto para as fan zone desertas, porque pensam que vão finalmente conseguir trancar os clubes num qualquer beco sem saída ou com uma saída ainda mais penosa que a nossa.

 

Entretanto, registamos a posição da Federação Portuguesa de Futebol, que a semana passada nos sorteios das competições que organiza, deixou de permitir que uma equipa com a qual o Belenenses não tem qualquer ligação - legal e afectiva - perpetuasse a confundibilidade que insistentemente procura e continuasse a usar o nosso nome centenário.

 

Congratulamo-nos naturalmente com esta decisão, saudando a Federação Portuguesa de Futebol e o seu presidente, Dr. Fernando Gomes, pois o tempo é sempre certo para fazer o que é certo.

 

“B-SAD” e “B-SAD-B” foram os nomes pelos quais a FPF passou a designar essa entidade. Hoje, o País sabe que o organismo que representa Portugal perante a FIFA e a UEFA chama B-SAD à equipa que insiste em confundir-se com o Belenenses, em desrespeito por decisões judiciais.

 

Esperamos que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e o seu Presidente acertem o passo, interiorizem a gravidade deste assunto e que a sua sensibilidade siga no mesmo e acertado sentido da FPF para a época que agora se inicia.

 

Muitas vezes me têm perguntado porque o Clube não toma medidas mais drásticas contra várias entidades públicas e privadas.

 

Compreendi sempre a legítima indignação dos sócios mas a todos fui pedindo calma e um voto de confiança.

 

Desde o dia 30 de Junho de 2018 que temos combatido, todos os dias, com os nossos parcos recursos e sem os milhões da NOS, pela defesa do património material e imaterial d’Os Belenenses. Desde então contrariamos, nos locais apropriados, os comportamentos diários da B-SAD para sorver todo o valor d’Os Belenenses.

 

Tem sido um combate firme e paciente, do qual guardamos extensa correspondência, que permite demonstrar sem ausência para qualquer dúvida que existe dolo intenso, plena consciência e muita intenção em todos aqueles que, para além da B-SAD e dos seus dirigentes, dão guarida à B-SAD ou aceitam a sua inscrição e usufruem da sua apresentação como «Belenenses».

 

Para que fique claro:

 

O Clube de Futebol “Os Belenenses” não autoriza a utilização das suas marcas registadas (ou de uma parte das mesmas, em particular o elemento nominativo “Belenenses”) pela B-SAD, pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional e pelas respetivas entidades patrocinadoras quando se refiram à equipa da B-SAD.

 

Se a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e o seu Presidente não alterarem o seu comportamento (tal como o fez a Federação Portuguesa de Futebol), o Clube de Futebol “Os Belenenses” considerará essas práticas como usurpação e uma disponibilização de meios indispensáveis para serem praticados, todos os dias, crimes de desobediência qualificada, para além de todas as consequências ao nível da propriedade industrial, tanto para os mesmos, como para os seus patrocinadores.

 

Para ser ainda mais claro, quando o campeonato começar na próxima sexta-feira, dia 18 de Setembro, a equipa da B-SAD não pode ser apresentada pela Liga de Clubes como “Belenenses”, nem como “Belenenses SAD”,  tão pouco confundir-se com o nosso Clube.

 

Também contribuem para que o crime seja praticado e o nosso património usurpado o IPDJ e o Secretário de Estado do Desporto e da Juventude porque continuarão a abrir a porta do Estádio Nacional do Jamor para que a B-SAD suba as escadas e, do ponto mais alto, continue a atirar sobre o património material e imaterial do Clube.

Todos estão cientes de tudo isto – por isso, apelo novamente a que deixem de se misturar com os interesses ilegítimos da B-SAD e encontrem uma solução que não permita a usurpação do património d’Os Belenenses.

 

Não é digno que a Liga e os seus patrocinadores façam uso não autorizado das marcas do Clube e que o Estado Português faculte o Estádio Nacional do Jamor para que a B-SAD o utilize como trincheira para combater as ordens dos Tribunais.

 

Mais uma vez afirmo que a minha Direção nunca se cansou de defender o património e os superiores interesses d’Os Belenenses, muitas vezes fora das luzes mediáticas, mas sempre nos locais próprios.

 

Sempre!

 

Belenenses há só um!

 

É consagrado e popular e joga no Estádio do Restelo, com a Cruz ao peito.

 

Belenenses é quem se viu forçado a recomeçar no mais baixo escalão do futebol português e que chegará ao lugar que é seu por direito próprio com honra e com dignidade.

 

Com a certeza de vencer!»

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