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Danilo fala sobre pressão social: «No FC Porto comprei um Camaro...»

INTERNACIONAL24.03.202516:37

Internacional brasileiro regressou ao Brasil para vestir a camisola do Flamengo; deixou elogios a Pep Guardiola, com quem trabalhou no Manchester City

Danilo regressou ao futebol brasileiro para representar o Flamengo. Em entrevista ao The Guardian, o defesa recordou uma história quando representava o FC Porto. O internacional brasileiro esteve no Dragão entre 2011/2012 e 2014/2015. 

«O principal é que entendas quem realmente és e que não sigas o rebanho, por assim dizer. Eu não tenho de pensar como o resto das pessoas nem a viver como elas. Não tenho de me vestir como o resto nem de falar sobre as mesmas coisas. Quando jogava no FC Porto, por exemplo, vinha ao Brasil uma vez por ano. Comprei um carro, um Camaro, que custou 500 mil reais [cerca de 80 mil euros]. O carro estava em Bicas [munícipio de onde é natural]. O que é que eu ia fazer com um Camaro em Bicas? Existe muita pressão social para que tenhas um carro bom por seres um futebolista e tudo isso, mas isso é algo para o qual olho hoje e digo: ‘A sério? Estás a brincar, certo?’», referiu, confessando que teve de procurar ajuda psicológica quando vestiu a camisola do Real Madrid

«O Real Madrid foi o auge desse problema, porque é o maior clube do mundo. Sofri muito a ponto de procurar ajuda psicológica. Houve momentos em que parecia que não conseguia mais lembrar-me de como jogar futebol. As críticas estavam a magoar-me. Era um refém das críticas, das redes sociais, de tudo. Foi quando comecei a trabalhar com um psicólogo desportivo», revelou. 

Danilo defendeu que os clubes deveriam ajudar mais os seus jogadores nesse aspeto. 

«Vou ser bem direto: os clubes só farão algo quando perceberem o prejuízo financeiro que estão a sofrer. Vejam quantos jogadores que eram estrelas nos escalões de formação e que não chegaram a profissionais por causa dessa avalanche de críticas... Quando sobes, há muito dinheiro, mulheres e fama. Mas como lidar com isso? Todos nós conhecemos alguém que perdeu o rumo no futebol. Quando os clubes perceberem quantos jogadores estão a perder por problemas emocionais e psicológicos, pensarão duas vezes e vão começar a investir, porque isso são valores técnicos e financeiros para as equipas. É nojento, porque não se importam com o ser humano. Precisamos de humanizar mais o futebol. As pessoas ainda ignoram, não gostam de falar sobre isso. Mas quando se trata do lado financeiro, importam-se», afirmou. 

O ex-FC Porto disse ainda que Guardiola mudou a sua vida. 

«Guardiola educa os seus jogadores. Faz todos os jogadores pensarem sobre o futebol da mesma forma. Tempo, espaço, movimento, posse, cuidar da bola. Fui submetido a uma lavagem cerebral por Guardiola, mas de uma maneira positiva. Era como se estivesse na universidade. Permitiu-me que elevasse o nível», referiu.