Média da Real Sociedad recordou final da Taça de Portugal de 2021/2022 e sublinhou vontade de regressar no futuro a Alvalade
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Entrevista A BOLA Andreia Jacinto e o Sporting: «Gostava muito de voltar onde fui feliz»

FUTEBOL FEMININO01.04.202509:00

Em entrevista a A BOLA, média da Real Sociedad moldada por Mariana Cabral relembrou primeiros passos nas leoas antes de saltar para Liga das atuais campeãs do mundo, ao serviço da Real Sociedade. Espanha já é casa, mas Inglaterra continua a espreitar

Andreia Jacinto estreou-se como sénior pelo Sporting e pela Seleção Nacional nos primeiros três meses de 2020. Menos de cinco depois, a média de 22 anos soma 47 internacionalizações de Quinas ao peito e é uma das figuras da Real Sociedad pela terceira época consecutiva.

Em entrevista a A BOLA, em português intercalado com palavras ocasionais em espanhol, a jogadora formada no Sporting abriu a porta a um regresso futuro às leoas, vincou a felicidade de jogar e viver em Espanha e deixou rasgados elogios à treinadora de uma vida. 

A Andreia que começou a jogar futebol no Sintrense em 2010 numa equipa mista, sonhava, aos 23 anos, ter quase 200 jogos na carreira como profissional?  

A Andreia de 10 anos não pensava sequer nisso. Foi tudo muito rápido, acontecendo assim, super seguido eu acho que agora a menina de 10 anos estaria super feliz com tudo o que aconteceu até agora e super orgulhosa de estar a viver o seu sonho.  

Quando é que pensou pela primeira vez que podia ser profissional de futebol?  

No momento em que fui para o Estoril. Nesse momento ainda não sabia se era uma possibilidade, se podia acontecer ou não, mas, quando vou para o Sporting vejo as coisas a acontecer. Depois de assinar o meu primeiro contrato de formação, o profissional e depois estrear-me com a equipa principal disse: “se calhar posso mesmo fazer disto a minha vida.” 

Andreia Jacinto está a cumprir quinta época como sénior (André Carvalho)

Estreia-se pela equipa profissional do Sporting em 2020, ainda com 17 anos. Como é que recorda a estreia? 

 Foi um bocadinho repentina porque não estava à espera de entrar nesse jogo. Entrei alguns minutos no final, ainda por cima contra o SC Braga que era o jogo importante naquela altura. Fiquei muito feliz e disse “agora que já cheguei até aqui tenho de continuar a trabalhar porque eu quero que isto seja o normal”. 

Em 2020/2021 é titular na maioria dos jogos e na segunda época a tempo inteiro como sénior, chega a Mariana Cabral, que é talvez a treinadora que a comandou mais vezes na sua carreira.. 

É muito especial porque antes de trabalhar com ela no Sporting, já tinha estado no Estoril. A Mister Mariana viu-me crescer e sei que a jogadora que sou hoje deve-se muito a ela. Para mim foi muito especial estar numa equipa principal com ela, porque fizemos o percurso juntas. É uma treinadora com quem eu me identifico com as ideias e a forma de jogar. Depois também tivemos a recompensa de ganhar duas taças nesse ano, então para mim foi a cereja no topo do bolo. 

Mariana Cabral venceu a última Taça de Portugal conquistada pelo Sporting (X-@FutFemSCP)
Mariana Cabral venceu a última Taça de Portugal conquistada pelo Sporting (X-@FutFemSCP)

O último jogo da Andreia pelo Sporting no Jamor é precisamente frente ao Famalicão na final da Taça de Portugal... 

Para mim foi a despedida perfeita, acabou o jogo e eu já estava a chorar porque já sabia que ia embora. Poder ganhar mais uma taça com o clube do meu coração ainda por cima no meu último jogo com o Sporting. Foi muito especial, o meu percurso no Sporting foi longo e muito bonito. Esse dia eu recordo como tendo sido perfeito. 

 É um objetivo voltar ao futebol português e ao Sporting

Gostava muito, mais à frente, de voltar onde fui feliz e àquilo que considero que é a minha casa, não tenho dúvidas que sim. 

Sente que pode ser a Ana Borges daqui a uma década, por exemplo?  

Não me importava, era uma coisa engraçada.

Não chegou a capitã de equipa? 

Quando era mais jovem sim, mas em equipas principais nunca usei a braçadeira. Gostava muito de poder usá-la. Seria uma coisa muito gira e um sonho de pequena poder ser capitã do Sporting

Andreia Jacinto em entrevista a A BOLA (André Carvalho)

No Sporting, ganha a Taça e a Supertaça. Ficou a faltar a Liga?  

Faltou ganhar a Liga, mas ainda vou ganhar um dia. O meu plano perfeito seria passar por uma Premier League, voltar à Espanha, e depois podia terminar no Sporting

Olhando para o contexto atual da Liga BPI, o Benfica está a um ponto de se sagrar pentacampeão. Como é que vê esta luta pelo título?  

Deixa-me triste que o Sporting neste momento ainda não consiga terminar com esta invencibilidade do Benfica na Liga. Gostava muito. Acho que o Sporting tem cada vez melhor equipa, está a apostar mais e fico triste que este ano já não possam ganhar. Também sinto que se estão a voltar a aproximar e a competir mais e isso é bom. É uma equipa que, por todo o projeto que tem, tem de ambicionar e ganhar mais. Espero que no próximo ano isso aconteça. 

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Após duas épocas completas no Sporting, sai em 2022 para a Real Sociedad. A que se deveu esse passo na carreira?  

Desde muito pequena sempre disse aos meus pais que, quando tivesse mais de 18 anos, ia jogar para o estrangeiro. Sempre foi uma coisa que quis e, depois de estar de dois anos no Sporting e de fazer uma temporada muito boa, disse que gostava de experimentar uma liga diferente, mais competitiva. Neste momento a liga espanhola ainda é melhor que a portuguesa, e depois surgiu a oportunidade da Real Sociedad, que tinham ficado em segundo lugar e iam jogar Champions. Tomei a minha decisão em 20 minutos.

Como avalia esta passagem por Espanha nos últimos três anos? 

Um dos meus primeiros jogos é logo na Reale Arena, num ambiente de Champions contra um tubarão europeu (Bayern Munique). Tenho muito boas recordações. Está a ser uma experiência muito positiva, porque sinto que a nível individual está-me a dar muito, e consolidar-me como titular na equipa é uma coisa muito importante. Fazem sentir-me em casa. 

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Adaptou-se ao estilo de vida espanhol?  

Eu digo sempre que quero que a minha vida de reformada seja em San Sebastian porque lá a vida é muito boa. A comida é boa, a cidade é linda ao pé da praia e a abertura que as pessoas têm é bastante diferente. A cidade em si é muito gira, mas as pessoas tornam-na ainda mais bonita. Para mim, é muito especial estar lá. 

Mesmo já sendo profissional no Sporting, inicia uma licenciatura em fisioterapia. Continua a fazê-la? 

 Neste momento está estacionado. Quando fui para Espanha tive que deixar porque não conseguia completar, não faziam  equivalências. Quando quando voltar a Portugal tenho intenções de retomar. Entretanto gostava de voltar a estudar porque acho que as jogadoras todas deviam ter algo mais para além do futebol.

A nível futebolístico, tem melhores condições na Real Sociedad?  

Acabaram de construir um edifício só para o futebol feminino e estão a acabar de construir o mini-estádio também. Trabalhar nesse instalações é algo muito bom, porque já sentimos que querem profissionalizar de verdade o futebol feminino e dar as mesmas condições que o masculino. Neste momento, a nível europeu, são poucas as equipas que em termos de instalações estão a proporcionar algo tão bom como a Real Sociedad está a fazer.

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Em termos de jogo, quais são as principais diferenças em relação a Portugal?  

Temos que tomar as decisões muito mais rápido porque a pressão chega muito mais depressa e esse ritmo nota-se. Aqui em Portugal, o nível técnico também é muito bom, mas temos mais tempo para pensar. 

Tem contrato com Real Sociedad até junho. Já tomou uma decisão em relação ao futuro? 

 Neste momento ainda tenho as coisas bastante abertas, ainda não sei o que vou fazer. Se fico, estou bem porque sinto-me em casa e é um nível competitivo bom. Se for, vou à procura de outra coisa para melhorar enquanto jogadora e dar um salto também é uma boa opção. 

Já disseste anteriormente que gostava muito da Liga Inglesa. Ainda é um sonho ou já é um objetivo chegar lá?  

Neste momento para mim já é um objetivo passar pela Liga Inglesa e fazer umas temporadas lá. Continuo a dizer que a Liga Espanhola é a minha liga favorita em termos de jogo, mas tenho que passar pela inglesa.

Quais são os principais objetivos de carreira que estão na sua lista?  

A nível europeu gostava ganhar uma liga, em Inglaterra, Espanha ou Portugal, e jogar numa Champions em termos competitivos. Não só participar, mas chegar a uma fase avançada, jogar uma final e ganhar é o sonho de qualquer jogadora. Obviamente, gostava de competir por um troféu com a nossa seleção.

*Editado por Francisco Vaz de Miranda