NBA e ACB: Transmissões televisivas a tábua de salvação (artigo de Eduardo Monteiro, 56)

Espaço Universidade 15:35
Por Eduardo Monteiro

As duas mais importantes ligas profissionais de basquetebol à escala mundial, a norte americana “National Basketball Association” (NBA) e a espanhola “Associación de Clubs de Baloncesto” (ACB) são as únicas sobreviventes, em termos de conclusão dos respectivos campeonatos que,  face à actual situação de pandemia, ainda procuram salvar a época desportiva e encaixar os milhões de dólares e de euros provenientes dos contratos televisivos.

 

A actual situação do basquetebol é problemática atendendo a que as competições, para além de serem realizadas em recintos fechados não é permitido assistência aos jogos. A maioria dos clubes das ligas nacionais sem receitas de bilheteira e sem patrocinadores que lhes garantam uma cobertura regular pelos canais de  televisão estão a lutar pela sobrevivência.  Face a este panorama desanimador, praticamente todas as competições nacionais nas 5 regiões continentais  foram suspensas até melhores dias. Devido ao prestígio angariado ao longo de muitos anos, a NBA e a ACB possuem mercado televisivo que lhes permite concluir a actual  época  tendo, no entanto,  que introduzir algumas inovações nas fases finais das provas.

 

A NBA, quando confrontada com o aparecimento do primeiro caso de um jogador infectado com o vírus (12 de Março) decidiu, de imediato, suspender a fase regular da competição. Contudo, o comissário Adam Silver, sabia perfeitamente que após ter perdido 500 milhões de dólares, no início da época, com a proibição das transmissões televisivas na China, não podia correr qualquer  risco com as transmissões internas e a nível  internacional. Assim, desde então, tem vindo a trabalhar afincadamente com os patrões das equipas, “NBA Board of Governors” e com a “National Basketball Players Association”(NBPA), no sentido de se retomar a época desportiva no tempo certo e da melhor forma possível.

 

Entretanto,  assumiu um acordo com a empresa Walt Disney para a  utilização do Walt Disney World Resort situado relativamente perto da cidade de Orlando, estado da Florida. As equipas ficarão alojadas nestas instalações, assim como toda a gestão da actividade desportiva (treinos e jogos) até final da época desportiva, na qual estão incluídos os encontros dos playoffs.

 

A grande novidade tem a ver com a participação de apenas 22 equipas nos jogos em falta da fase regular, ou seja, as 4 que já estão apuradas para os playoffs  (Milwaukee Bucks, Toronto Raptors, Boston Celtics e Los Angeles Lakers), as 9 equipas  que estão à beira do apuramento (LA Clippers, Denver Nuggets, Utah Jazz, Oklahoma City, Houston Rockets, Dallas Mavericks, Miami Heat, Indiana Pacers e Philadelphia 76ers), as 3 formações que ainda têm uma boa oportunidade (Brooklin Nets, Orlando Magic e Memphis Grizzlies) e, mais meia dúzia, que ainda podem ser apuradas embora não se encontrem em boa posição para que tal aconteça (Portland Trail Blazers, Washington Wizzards, New Orleans Pelicans, Sacramento Kings, San Antonio Spurs e Phoenix Suns).

 

 Igualmente confrontada com a pandemia a ACB, por imposição das  autoridades, também foi obrigada a suspender o campeonato quando já estavam disputadas 23 das 34  jornadas da fase regular (8 de Março) e a classificação era a seguinte: 1º Barcelona (19 vitórias e 4 derrotas), 2º Real Madrid (18-5), 3º Casademont Saragoça (16-7), 4º Iberostar Tenerife (14-8), 5º Bilbau Basket (14-9), 6º MoraBanc Andorra (13-10), 7º Valencia Basket (12-11), 8º Kirolbet Baskonia (12-11), 9º Unicaja Malaga (12-11), 10º San Pablo Burgos (12-11), 11º Gran Canaria (11-11), 12º Juventut Badalona (9-14) 13º Baxi Manresa (9-14), 14º Monbus Obradoiro (9-14), 15º Real Betis (8-15), 16º UCAM Murcia (7-15), 17º Montakit Fuenlabrada (5-17) e 18º Movistar Estudiantes (5-18).

 

Após diversas reuniões de trabalho entre a ACB, os clubes e as autoridades desportivas e sanitárias espanholas, ficou decidido que a fase final (sistema excepcional esta época) da Liga Endesa será disputada na cidade de Valencia, entre 17 e 30 de Junho, com a participação dos 12 primeiros classificados no momento em que a prova foi interrompida. Assim, as 12 equipas foram distribuídas, em dois grupos de seis, em função da sua classificação aquando da interrupção, seguindo o critério utilizado no sistema de playoffs:

 

GRUPO A – Barcelona, Iberostar Tenerife, Bilbau Basket, Kirolbet Baskonia, Unicaja Malaga e Juventut Badalona.

 

GRUPO B – Real Madrid, Casademont Saragoça, MoraBanc Andorra, Valencia Basket, San Pablo Burgos e Gran Canaria.

 

Todas as equipas realizarão 5 encontros (17 a 26 Junho) com as do mesmo grupo, ficando apuradas para as meias finais (28 Junho) as duas primeiras de cada grupo. A final será disputada (30 Junho) entre os vencedores dos jogos das meias finais. Ao vencedor será atribuído o título de campeão nacional.
 

Não quero crer que esta situação, que esta época pode ser a solução expedita para um problema imprevisto, se possa manter no futuro. O Covid-19 veio levantar problemas que nunca tinham sido verdadeira e concretamente equacionados uma vez que ninguém podia sequer imaginar que, alguma vez, tal situação pudesse acontecer. Entretanto, o futuro é uma incógnita. O basquetebol, tal como as demais modalidades de pavilhão, está nas mãos do destino.

 

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais

 

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