Fernando Gomes, o tímido
Novo presidente do Comité Olímpico de Portugal tomou posse perante várias figuras públicas e teve direito a um convidado especial que poucos esperariam
Fernando Gomes tomou posse como presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) no dia em que a Polícia Judiciária fez buscas na sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), entidade a que presidiu nos últimos 13 anos coroados de sucesso, com os quais, aliás, acenou a várias federações de modalidades amadoras que o elegeram na expectativa, por certo, que conseguisse os mesmos projetos vencedores agora para o COP.
Mas do escândalo que recai sobre alguns anos do seu mandato, aparentemente apenas sobre a venda da antiga sede e do desaparecimento de milhões de euros que ninguém sabe onde param, nem uma palavra. E não é que não estivessem jornalistas presentes no evento, além do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do ex-primeiro ministro, Luís Montenegro, também ele a braços com uma enorme embrulhada sobre a agora famosa Spinumviva que nos vai levar todos a eleições para a Assembleia da República.
Surpreendentemente, o que se ouviu, alto e bom som, foi o diretor da Polícia Judiciária, também presente na tomada de posse. Luís Neves disse que tinha sido convidado, presume-se por ser amigo de Fernando Gomes, já que, creio que não constará de nenhum protocolo desportivo convidar o diretor da PJ para a tomada de posse do COP. Mas o diretor da PJ não se sentou discretamente na última fila dos convidados, assumiu o protagonismo, deixando até Fernando Gomes incomodado. Ao seu lado, e perante todos os holofotes, Luís Neves disse alto e bom som que Fernando Gomes não era suspeito, pouco tempo depois de ter dito que não conhecia os detalhes da operação, ainda em curso.
Fernando Gomes, que sempre assumiu que não aprecia este lado mediático inerente aos cargos públicos, manteve-se calado. Não disse nada, não se comprometeu, não se defendeu e, na verdade nem precisou, porque Luís Neves fê-lo por si de forma categórica, e, no mínimo, despropositada.
Nem Marcelo Rebelo de Sousa, um dos maiores entusiastas e contribuintes para o trabalho tantas vezes inglório dos jornalistas, teria oferecido tamanho espetáculo mediático.
Fernando Gomes não pediu e, provavelmente, não precisa de uma defesa tão acérrima, nem de tantos políticos por metro quadrado, numa instituição, por tradição, avessa a politiquices.