Diogo Ventura: «O Sporting subiu o nível da Liga»
Diogo Ventura, 30 anos, capitão do Sporting e internacional pela Seleção portuguesa

ENTREVISTA A BOLA Diogo Ventura: «O Sporting subiu o nível da Liga»

BASQUETEBOL26.03.202508:10

Base e capitão do Sporting, um dos com mais jogos e minutos de ação na Liga, fala do momento do clube, da Seleção, da modalidade e ainda do seu futuro - Parte 1

Diogo Ventura é, atualmente, o jogador mais antigo (2019) do Sporting e o único campeão nacional (2020/2021) pelo clube. Assíduo na Seleção, com 36 internacionalizações, faz parte dos eleitos por Mário Gomes que conquistaram o apuramento para o EuroBasket 2025. Aos 30 anos, o base e capitão dos leões é ainda um dos atletas mais regulares da Liga portuguesa, totalista em número de jogos e top-11 em minutos (522, média de 29/jogo) o quarto em assistências (86, 5,1/jogo) e na mesma posição em eficácia da linha de lance livre (89%).

— Esta é uma temporada de expectativas no Sporting, com alterações na equipa técnica, no plantel. Que balanço faz da primeira parte da época, agora que caminha para a fase decisiva?

— As expectativas num clube como o Sporting são sempre as mesmas. Temos de entrar em todos os jogos para ganhar, tentar vencer todas as competições nacionais e chegar o mais longe possível nas europeias, sabendo que temos muitas diferenças para as equipas com quem competimos. Apurámo-nos para a Taça Europa, que era um objetivo. Depois calhámos num grupo complicado, com uma equipa polaca e outra italiana fortíssimas, não conseguimos ultrapassar.

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A nível nacional, estamos em terceiro lugar na Liga [n.d.r. esta entrevista foi feita antes da Final Four da Taça de Portugal, em que o Sporting perdeu a final com o FC Porto], o que não era a expectativa. Queremos sempre ficar em primeiro. Começámos mal, com algumas derrotas que não poderiam ter acontecido, mas já está completamente ultrapassado. Olhamos com muito positivismo para o resto da temporada. Tem sido uma progressão positiva, desde a entrada mais periclitante até agora.

— Confirma, então, que a equipa está preparada para a fase decisiva?

— Sim, lá está, iniciámos a época com mudança de treinador, um plantel com praticamente todos os jogadores novos, e isso normalmente tem as suas consequências. Porque não há um trabalho de épocas anteriores. Por isso, a evolução tem que ser feita no decorrer da temporada e isso pode refletir-se eventualmente nos resultados. Acredito que já ultrapassámos a fase difícil inicial e que agora só podemos melhorar e estamos a melhorar.

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— Na Liga ainda têm pretensões de ascender alguma posição na fase regular? Numa prova que é muito jogada a três, o terceiro lugar acaba a ser o primeiro dos últimos.

— O objetivo era acabar a fase regular em primeiro. Mas temos consciência que é muito difícil, primeiro, porque já não dependemos de nós e temos de nos focar nas coisas que podemos controlar. Para conseguirmos alcançar o segundo lugar ou o primeiro, temos de esperar que o Benfica ou o FC Porto percam mais do que os jogos entre nós. Honestamente, já não estamos muito preocupados com isso. Estivemos sempre mais preocupados em melhorar nos treinos, no dia a dia, para chegarmos às alturas das decisões confiantes e creio estarmos numa dessas fases.

Diogo Ventura é um dos jogadores mais regulares da Liga

— É dos jogadores mais regulares, não só do Sporting, como da Liga, principalmente em número de jogos, de minutos jogados. Qual é o segredo para essa regularidade?

— Não sei. Honestamente, não estou aqui a esconder nada. A única coisa que posso dizer é que dou o máximo todos os dias, em todos os treinos e jogos. E pode haver alturas em que não dê tanto nas vistas, mas o meu objetivo é sempre ajudar o Sporting, sempre ajudar a equipa, e esta está sempre em primeiro lugar. Nunca olho para resultados individuais e lá está, se tiver que jogar 0, 5 ou 10 minutos, em vez de 20 ou 30 por jogo...

— A verdade é que joga mais.

— Sim, jogo sempre mais. Admito que fico contente por isso, por ser um elemento importante no Sporting e na equipa. Mas, claramente, os meus objetivos são sempre coletivos, em primeiro lugar. Trocava qualquer distinção individual por títulos coletivos e espero que venham nesta época.

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— É curioso que na linha de lançamento livre é dos mais certeiros, com uma percentagem elevadíssima. Isso é talento inato ou treina-se?

— Treina-se. É muito uma questão de concentração e é a única situação no jogo em que só dependemos de nós. Se estivermos fora, há o público que assobia, podemos ter adversários a tentarem desconcentrar-nos também, mas no final do dia és só tu, a bola e o cesto. É muito uma questão mental e de concentração. Basicamente, o que penso quando vou para a linha de lançamento livre é na minha rotina: quantas vezes driblo, quantas respirações faço antes de lançar...

Diogo Ventura tem a quarta maior eficácia da Liga nos lances livres: 89% (Sporting CP)

— É essa experiência que transmite aos mais novos e aos que a tenham menos? Porque, afinal, é o jogador mais antigo do Sporting.

— Não sou o mais velho, atenção. Mas, sim, cinco épocas. Comecei, o que é engraçado, com o professor Luís Magalhães em 2019, quando o Sporting retomou a atividade do basquetebol. E sim, sou o único jogador que ainda estou cá, permanentemente, desde 2019. O que tento dizer aos mais novos é que deem sempre o máximo todos os dias. Que entendam o seu papel na equipa, o que o treinador quer, o que não gosta e o que gosta. E que ponham sempre o grupo em primeiro lugar. Porque esses são fatores que depois levam a que se tenha uma preponderância. Há jogadores que conseguem jogar muito tempo, tanto tempo como eu, por exemplo, e não marcam tantos pontos, mas são igualmente importantes na equipa, ou mais ainda.

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— É o único que resta do último título de campeão, em 2020/2021. Passa essa vivência ao plantel?

— O que tento transmitir é que a época é muito longa. Como se começa, não dita o fim, não dita o que vai acontecer no final do campeonato. Até porque é uma prova de regularidade, principalmente na fase inicial. Importa terminar o mais acima na classificação possível, por causa do fator-casa, mas depois tudo pode acontecer.

— Como analisa os principais adversários?

— Sabemos e temos dados concretos que o Benfica e o FC Porto, depois de o Sporting voltar ao basquetebol em 2019, fizeram investimentos consideráveis para contrariar o domínio que o Sporting estava a ter. Nos últimos três anos, o Benfica conseguiu ser mais regular, porque conseguiu manter praticamente todo o plantel. E isso faz a diferença ao nível de trabalho do dia a dia. O FC Porto, este ano, tem um conjunto de americanos, que, na minha opinião, é dos melhores que já jogaram em Portugal. Têm qualidade em todas as posições e, por isso, obviamente, são duas equipas fortíssimas, com as quais queremos competir e tentar bater nos momentos decisivos.