Após duas épocas no Kawasaki Frontale, Hidemasa Morita saiu do Japão em 2020 rumo ao Santa Clara. Duas temporadas nos Açores chegaram para convencer os responsáveis leoninos a avançarem para a sua contratação e, após pouco tempo em Alvalade, a assumir lugar de destaque de leão ao peito. «Senti um conflito interno pois não queria mudar a minha forma de jogar e senti que tinha de fazê-lo para ser reconhecido. A uma dada altura tomei consciência de que tinha de liderar a equipa para o caminho certo», assumiu numa conversa informal na DAZN Japão conduzida pelo antigo jogador Takashi Fukinish. Apesar de já levar quatro anos em Portugal, Morita expressa-se apenas em japonês e foge sempre dos holofotes, pelo que a braçadeira de capitão é algo que continua ver.. de longe. «A personalidade revela-se na posição que jogamos, e eu acredito que fui feito para apoiar os outros», assegura. E sente-se mais confortável a jogar a 6 ou a 8? Para o médio, fundamental é o passe. «Jogamos sempre a raciocinar, pois temos que ver se o nosso passe pode ser intercetado. Os avançados pensam que só temos de passar a bola e muita gente pensa o mesmo mas não é assim», assegura. Na terceira época de leão ao peito, Morita leva oito golos mas gosta mais «de passar do que de marcar». No entanto, a melhoria no capítulo de finalização é algo que, aos 29 anos, está no seu horizonte: «O Kubo e o Kamada dizem-me para não ser egoísta e para jogar atrás deles, mas às vezes tenho vontade de ir lá para a frente».Morita está ao serviço da seleção japonesa, o que o obriga a grandes deslocações a cada data-FIFA e pretende mudar um pouco este cenário. Por exemplo, agora vai defrontar a China em casa e o Bahrain fora. «Preciso de pensar mais em mim», concluiu, olhando para o futuro.