— Consegue explicar as diferenças da primeira para a segunda parte de Portugal?— É muito fácil de explicar: a primeira parte foi muito má para o nosso nível porque queremos ganhar. O desempenho teve muita frustração, não fizemos os ataques no tempo certos. A frustração por uma primeira parte muito fraca. Mas com foco, intensidade e pressão sincronizada voltámos a ser Portugal. Um grupo de jogadores na primeira e na segunda vimos o verdadeiro Portugal. — Tendo em conta que Portugal está já apurada, admite dar folga extra a alguns jogadores?— Com certeza! Já no primeiro estágio fizemos seis alterações de um jogo para o outro. Importante para nós sermos primeiros e já somos. É preciso competitividade para acrescentar ao grupo, está cada vez mais difícil entrar no onze. Em 18 meses há uma fase final de um Mundial. O jogo com a Croácia é importante, precisámos de ver outros jogadores. Vamos dispensar o Bernardo Silva, Pedro Neto, Cristiano Ronaldo e o Bruno Fernandes, que está castigado. Vamos chamar aos Sub-21 o Fábio Silva e Quenda. — Como explica as dificuldades de pressão que Portugal teve na primeira parte. O que corrigiu ao intervalo?— Estávamos a fazer pressão alta com uma linha de cinco na primeira parte, mas ficámos com dois jogadores apenas no meio-campo, o Neves e o Bernardo. Eles trabalharam bem nas nossas costas, mas depois do intervalo o Pedro Neto fez uma pressão mais alta e tivemos situações de um contra um. A pressão com quatro na Polónia correu bem, mas Polónia estudou-nos bem e tivemos de ajustar. Portugal é flexível taticamente e iniciámos a construção de outra forma. — Entende a exigência e o escrutínio que é feito a Rafael Leão, tal como acontece a Cristiano Ronaldo?— Todos os grandes jogadores são alvo de escrutínio e gostam disso. Ele cresceu imenso durante o Europeu, revelando muita maturidade, fez um grande jogo com a França. Acha que é esse o momento em que cresceu muito. Mostrou que é um dos melhores do Mundo com espaço e no um contra um. Hoje teve um foco muito importante, não há muito jogadores que fazem aquele primeiro golo. — O Fábio Silva será uma estreia na Seleção Nacional. O que ele acrescenta?— Acompanhámos o Fábio durante muitos meses, tem bons movimentos, como ponta de lança uma capacidade para abrir espaço, jogar nas costas da baliza adversária e acho que a chegada ao novo clube deu um maior impacto na área, os seus números comprovam-no. Não há um Fábio Silva na Seleção, trabalhou bem nos treinos e merece esta chamada.