Sucesso organizacional e desportivo da Euroliga (artigo de Eduardo Monteiro, 76)

Espaço Universidade 31-05-2022 18:00
Por Eduardo Monteiro

No início desta época desportiva (2021/22), a mais prestigiada competição europeia de clubes profissionais de basquetebol (Euroliga)  era composta por 18 clubes em representação das mais importantes  ligas nacionais de diferentes países do velho continente:  Barcelona, Baskonia Vitoria e Real Madrid (Espanha), CSKA Moscovo, Unics Kazan e Zenit São Petersburgo (Rússia), Anadolu e Fenerbace Istambul (Turquia), Olympiacos Pireu e Panathinaikos Atenas (Grécia), Alba Berlim e Bayern Munique (Alemanha), Monaco e Asvel Villeurbanne (França), Maccabi Tel Aviv (Israel), Olimpia Milão (Itália), Zalgiris Kaunas (Lituânia) e Estrela Vermelha (Sérvia).

Decorridas diversas jornadas da fase regular da competição, o mundo foi surpreendido com a invasão  da Ucrânia pelo exército russo (24.Fev.2022). A Euroliga tomou, de imediato, uma posição relativamente à presença das 3 equipas russas na competição. Quer dizer, a Euroliga analisou serenamente a situação tendo considerado inacreditável a invasão militar e cortou o mal pela raíz suspendendo não só os futuros confrontos com as equipas oriundas do país invasor, como também as deslocações das equipas dos outros países à Rússia. A Euroliga foi o primeiro organismo desportivo, independente da hierarquia federada europeia e internacional, a tomar uma posição contra a  guerra desencadeada pela  Rússia. Daqui em diante, a presença das equipas russas na competição não era sómente uma situação inaceitável, mas também uma situação insustentável para a  sobrevivência da própria Euroliga.  Esta decisão implicou a eliminação imediata  das 3 equipas russas da competição, a anulação dos jogos efectuados,  um acerto da calendarização dos  encontros por disputar e naturalmente uma nova ordenação da classificação das 15 equipas que se mantiveram em prova. Se não se tivesse tomada esta decisão, a continuação do quadro competitivo da Euroliga com a participação das equipas russas ficaria comprometido atendendo a que as outras equipas se recusavam a jogar com elas.

 

Entretanto, a fase regular continuou o seu normal percurso competitivo, ao longo do período inicialmente previsto, com a realização dos encontros programados entre as 15 equipas. Concluída a fase regular com as equipas ordenadas numa classificação actualizada, a competição avançou para a fase seguinte com a disputa dos playoffs, à melhor de 5 jogos, entre os 8 clubes melhor posicionados.

Classificação da fase regular:

 

1º Barcelona (21 vitórias e 7 derrotas), 2º Olympiacos (19-9), 3º Milão (19-9), 4º R.Madrid (18-10), 5º Maccabi (17-11), 6º Anadolu (16-12), 7º Monaco (15-13), 8º  Bayern (14-14), 9º Baskonia (12-16), 10 º Alba Berlim (12-16), 11º Estrela Vermelha (12-16), 12º Fenebarhce  (10-18), 13º Panathinaikos (9-19), 14º Villeurbanne (8-20) e 15º Zalgiris (8-20).

 

Apuramento para os Playoffs e Final Four

 

A manutenção do apuramento das equipas classificadas nos primeiros  8 lugares da fase regular para a fase seguinte (playoffs à melhor de 5 Jogos) foi importante porque se tratava da seleção das 4 melhores formações  para a fase derradeira (Final Four).

 

Resultados dos Playoffs e Final Four (2021/22):

 

Quartos de final:

- Barcelona - Bayern (3-2) - (77-67) (75-90) (75-66) (52-59) (81-72);

- Real Madrid - Maccabi (3-0) - (84-74) (95-66) (87-76);

- Olympiacos - Monaco (3-2) - (71-54) (72-96) (87-83) (77-78) (94-88);

- Milão - Anadolu (1-3) – (48-64) (73-66) (65-77) (70-75).

 

Final Four

Meias Finais (eliminátória directa)

- Barcelona – 83 Real Madrid – 86;

- Olympiacos – 74 Anadolu – 77

 

Disputa do 3º e 4º classificado:

- Barcelona - 84   Olympiacos - 74

 

Final da Euroliga

- Real Madrid - 57  Anadolu – 58

 

Campeão da Euroliga: Anadolu Istambul

 

CONSIDERAÇÕES:

 

QUADRO COMPETITIVO

Uma fase regular com a participação de 18 ou 20 clubes (a 2 voltas com 1 jogo fora/casa a meio da semana) obriga a que cada equipa efectue, no mínimo, mais 34 ou 38 jogos para além dos cerca de 40 que realiza nas competições nacionais. Se o objectivo principal da Euroliga é ter uma liga profissional na Europa, com a participação dos melhores clubes de basquetebol, tão exigente quanto possível como a NBA, não vejo outra alternativa que não seja manter e aperfeiçoar o actual modelo organizativo.

 

SUSTENTABILIDADE DA EUROLIGA

A sustentabilidade financeira da Euroliga depende essencialmente das receitas de bilheteira, dos contratos de transmissão televisiva das diferentes fases da competição e da rede de patrocinadores da própria Euroliga, assim como do financiamento  dos clubes que nela participam. Para que isto seja exequível é necessário haver um quadro competitivo com 1 jogo semanal para todas as equipas, em Arenas com capacidade mínima para 10.000 espectadores, transmissões directas por diversas estações de televisão e importantes patrocinadores locais independentes dos já existentes com a Euroliga.

 

CAPACIDADE DAS ARENAS DE DESPORTOS

Se verificarmos a lotação existente das actuais instalações desportivas  utilizadas pelos clubes nas competições da Euroliga, constatamos que algumas não dão resposta às exigências de curto prazo (10.000 lugares), para se alcançar as verbas previstas através das receitas de bilheteira. Se esta medida fôr aprovada equipas como o Barcelona, Monaco, Bayern e Villeurbanne terão que encontrar outras Arenas desportivas para a realização dos seus jogos.

Mercedes-Benz Arena (14.500 espectadores) Berlim; Sinan Erdem Dome (16,000) Istambul; Salle Gaston Medecin (3.000) Monaco; Mediolanum Forum (12.700) Milão; Stark Arena (18.386) Belgrado; Palau Blaugrana (7.585) Barcelona; Audi Dome (6.700) Munique; Ulker Sports Arena (13.059) Istambul; Astroballe (5.556) Villeurbanne; Arena Menora Mivtachim (10.383) Tel Aviv; Estádio Paz Amizade (11.640) Pireu; OACA

(18.989) Atenas; Wizink Center (15.000) Madrid; Arena Fernando Buesa (15.504) Vitoria; Arena Zalgiris (15.552) Kaunas.

 

SISTEMA DE APURAMENTO PARA OS PLAYOFFS

O apuramento das 8 primeiras classificadas da fase regular para a fase seguinte, disputada no sistema de playoffs à melhor de 5 encontros, é fundamental para a manutenção das melhores equipas em competição no percurso para a  conquista do título europeu. 

 

O ÊXITO DESPORTIVO DA EUROLIGA

Foi bem visível pelos adeptos do basquetebol, que tiveram a oportunidade de assistir aos jogos da fase dos playoffs, a intensidade e qualidade do basquetebol praticado pelas equipas que a disputaram. Por sua vez, a organização da “Final Four” da Euroliga efectuada na Stark Arena (cerca de 18.000 espectadores), na cidade de Belgrado (Sérvia), foi excelente, tendo  correspondido inteiramente ao que se pretendia  num evento desportivo desta natureza. Os encontros da competição, que envolveram as quatro melhores equipas saídas dos playoffs, decorreram num ambiente entusiasmante e de incerteza com a maioria dos encontros a serem decididos nos momentos finais.

 

A ausência das equipas russas em nada prejudicou este grande evento desportivo. Bem pelo contrário, só veio reforçar a unidade dos clubes profissionais dos restantes países do basquetebol europeu. Os atletas estrangeiros que na sua maioria alinhavam pelas equipas russas, quando  confrontados com a situação de guerra na Ucrânia, abandonaram imediatamente o país em busca de novas paragens mais tranquilas. Entretanto, as participações a nível internacional das equipas e seleções russas foram suspensas pelas instituições que supervisionam o basquetebol a nível europeu e mundial.

 

Paz na Ucrânia

 

 

 

 

 

 

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