Ao sabor da corrente (artigo de José Neto, 104)

Espaço Universidade 01-07-2020 16:41
Por José Neto

Agora que atingimos metade dos jogos correspondentes ao recomeço deste campeonato muito condicionado pelas alterações introduzidas, e que já foi objeto de suficiente exploração, é-nos permitido fazer algum comentário referente aos valores das competências das equipas no confronto competitivo.

Situado em três níveis, quer com o objetivo de conquistar o título, quer na obtenção dum lugar classificativo que permita competir ao nível da UEFA, quer na luta pela estabilização da manutenção, e logo à fuga dos lugares de descida, temos assistido a várias causas de variáveis contornos.

 

Assim é que devido à densidade competitiva, porventura associando o facto de os jogos serem realizados sem a presença do público, verificamos que para além das vertentes físico - atléticas de resposta insuficiente de boa prestação, facto atestado pela ocorrência de várias lesões do foro músculo tendinoso, as equipas que se apresentaram numa forma emocionalmente mais equilibrada, identificadas com um estado de alma e confiança nas ações a converter, na motivação em se envolver e no orgulho a confirmar, mais próximas têm estado dos objetivos propostos.

 

De resto, como já tenho referido de forma repetida, as expressões convertidas em ato, não obstante a exploração das dificuldades encontradas, carregam consigo mais energia produtiva e como consequência do estado emocional, tornam-se reveladoras nas tomadas de decisões mais eficazes.

Resta saber se esta corrente de sucesso conseguido pelo desempenho obtido, será capaz de perdurar no tempo, pois sabemos que o comportamento dos jogadores após os êxitos obtidos, permite validar melhor o sucesso e por consequência influenciar o coletivo da equipa para um estado bem explícito da sua performance.

 

Verificamos ainda nesta luta final dos atributos classificativos, nos casos em que os jogadores das equipas que estavam traídos por resultados negativos, viram diminuir o seu estado de maior concentração, onde a dinâmica operacional do seu rendimento “agonia em campo aberto”, gerando-se uma crise de raciocínio, negligência e desânimo, dada a impossibilidade de superar a adversidade causada pelo fardo dos maus resultados, vergados pelo efeito devastador das suas próprias incapacidades.

 

Sabemos ainda que os jogadores mais capazes de obter o sucesso, são aqueles que melhor conseguem dominar os índices de pressão que se vai acumulando durante o jogo. É por isso necessário identificar as origens desse estado crítico, quer em termos somáticos, quer em termos cognitivos, para a partir dessas avaliações de controlo, anotar os verdadeiros traços de personalidade daqueles que são mais resistentes ao combate, anotados dum marco de referência vibracional, mergulhados no entusiasmo de dar o máximo de si e olhando o futuro com esperança, ou daqueles que se vêm aprisionados pelo veneno duma memória asfixiante, porque altamente perturbadora, talvez penalizados pelo medo de perder e desesperados pelo infortúnio, sem conseguir fazer duma adversidade uma oportunidade.

 

É assim que por uma dinâmica processual de treino registado e revisitado num código de êxito participativo, se poderá inscrever como âncora das melhores convicções, atestando comportamentos, ajustando desejos e partir para a viagem de sonho onde habita o êxito.

Atenção que isto não é letra … já explorei em idênticos artigos nesta rúbrica que a bola on line muito me honra publicar, configurados com a experiência produzida, algumas metodologias que nestas situações quanto a mim se tornam de prioritária importância.

 

Deixo ao critério da audacidade, do carisma, da inteligência e da humildade dos líderes/treinadores a oportunidade de conquistar a sua distância, ajudando a reconstruir o que ficará para registo da sua própria história.

Veremos o que nos irá merecer de crítica ao contemplar a reflexão que será produzida em “juízo final”.

 

Uma coisa é certa – as equipas ganhadoras sabem o que querem e acreditam com firmeza nas fórmulas para alcançar a chama para o sucesso … e como já dizia Séneca, (4 a.C. – 65 d.C.), chega primeiro não quem corre mais depressa, mas quem sabe para onde vai!...

 

José Neto: Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto; Formador de Treinadores F.P.F./U.E.F.A.; Docente Universitário.

 

 

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