A paixão e o fascínio da pesca (artigo de Vítor Rosa, 110)

Espaço Universidade 18-06-2020 15:41
Por Vítor Rosa

Descobri a alegria e o fascínio da pesca lúdica muito cedo. Era um jovem de 13 ou 14 anos. Nunca me interessei pela pesca de mar. Foi sempre de barragem ou de lagoa. O olhar para a água e a bóia a mexer (quando mexia) é algo que faz parte da minha juventude e memória. Poucos peixes, sobretudo o chichito, arrepiavam a superfície. O ano passado fui a uma lagoa. Voltei a deitar a linha à água. Não foi necessário fazer o warm-up, garantindo que todos os músculos estão quentes e que as articulações poderão ser solicitadas. Deveria tê-lo feito, pois uma pequena e teimosa carpa escapou-me. Não fiquei frustrado, mas sim feliz por estar a agir, mantendo os olhos fixos na água.

 

O prazer da pesca para mim não é apanhar peixes, mas de ver os círculos de ondas suaves e o lançar da linha. O fascínio continua, mas a falta de tempo (uma sociológica desculpa esfarrapada) roubou-me essa alegria. Setembro é um mês bom e generoso no calendário de um pescador. Mas eu prefiro os meses de julho e agosto, secos e tórridos, sobretudo na região do Alentejo. Os fins de tarde mais frescos são uma boa hipótese para a pescaria. Pela manhã, cedo, também. Escolher o melhor local não é uma decisão fácil. Mas quando escolhido, é tudo uma questão de vida ou de morte para lançar o anzol à água. A minha dificuldade é sempre o de colocar o peso adequado na linha, por forma a que a bóia não vá ao fundo.

 

O isco é, quase sempre, feito de pedaços de minhoca. É um isco atraente e apetitoso para o chichito. Considero-me um pescador paciente. Sou capaz de ficar horas sentado, agarrado à cana, na esperança de um qualquer peixe abocanhar o isco. Irrita-me quando os vejo a saltar, em acrobacias aquáticas, perto de mim. Algumas espécies têm esse hábito e prazer. É o caso da carpa, por exemplo. As trutas, os barbos e os salmões também são saltadores. Para além de ser um bom anti-stresse, a vantagem da pesca é nunca se saber como ela se irá desenrolar. É tudo uma questão de sorte. É preciso lidar com o vento, o estado da água, a proximidade de outros pescadores, a mania dos peixes, o barulho, entre outros aspetos. Já apanhei muitos peixes. O cheiro deles nas minhas mãos não me incomoda. Há dias expliquei a uma pessoa amiga a paixão e o fascínio da pesca. Não sei se ficou convencida, até porque a pesca desportiva tem imensas regras. No site do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas é possível encontrar muita informação para o seu exercício. Votos de boa pescaria.

 

Vítor Rosa

Sociólogo, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Lisboa

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