Futebol / em nome do presente (artigo de José Neto, 103)

Espaço Universidade 01-06-2020 18:19
Por José Neto

Faz hoje (1 de Junho), 9 anos que que cobrindo a quietude duma distância, numa manhã de sonho vi erguer uma das maiores conquistas académicas revertidas no mastro da minha existência pela prestação de provas do meu doutoramento.

 

Aos Professores Doutores Manuel Sérgio, José Antunes de Sousa e Pedro Guedes de Carvalho, pelos quais humildemente me curvarei todos os dias da minha vida, num ato de eterna gratidão que jamais esmorecerá… e nessa tão afetuosa viagem de suporte em supervisionar, aconselhar, orientar os caminhos rasgados pela investigação e desejo em olhar o Futebol de Corpo Inteiro, visto à luz da ciência da motricidade humana no reencontro com a vida.

Lhes dedico, neste dia de festa, este simples mas significativo texto no âmbito da reflexão do “FUTEBOL – em nome do presente!”...

 

 

A adversidade desperta em nós capacidades que em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas. (Horácio, 65-8 a.C.)

 

Estamos quase a bater à porta duma nova retoma de competição, configurada com a existência de atípicas fórmulas de metodologia, que nos vai remeter sem dúvida para uma observação e qualificação de rendimento suportado ou não pelo resultado.

 

Assim, iremos ter em conta o facto a ser ou não confirmado, em que equipas que para além da concentração de jogos em tempo muito curto, conseguem ou não disponibilizar-se para a competição em tempo inteiro, enriquecidas pela valorosa identidade dos seus profissionais que, embora esculpidos no caminho das dificuldades, que uma preparação muito discutível de processos lhes facultou, possam ultrapassar a crise dum rendimento sem ser acometidas de lesões e perante o silêncio que o estádio despido de energia, que em condições normais se alimenta das bancadas, serão capazes de transportar na seiva as pegadas da sua experiência, e ir à luta, continuando a fazer do jogo de Futebol um espetáculo coberto de beleza e emoção.

 

Como tenho repetidamente referido, a consciência é a base de toda a existência, facto que implica o absoluto o primado dessa mesma consciência sobre os demais elementos na construção da forma desportiva, física, atlética, técnica, funcional. Isto é, um corpo fisicamente em forma, mas descrente nos objetivos de conquista, não é de modo algum suficiente para garantir o sucesso no seu desempenho (Goswami, 2008 cit. Sousa, A; 2014).

 

Não deixará de ser interessante refletir e avaliar a capacidade de mestria do líder/treinador e pelas assessorias administrativas e médico desportivas expressas pelos seus mais qualificados intérpretes, nesta vergada curva do tempo que a vida condicionou de forma inapelavelmente castrante.

Sentiremos o compromisso dos jogadores, apelando para transformar o estado da crença num desejo, que fará renascer a convicção para a conquista do sucesso?!...

 

Creio que mais do que apelar para as condicionantes biológicas, fisiológicas, atléticas e funcionais, nesta fase de abrangência competitiva, e tendo presente  situações de dificuldade, que por mim foram evidenciadas no artigo anterior, deveremos antes de mais controlar os pensamentos, que movidos por uma cultura de honestidade, autenticidade, ética, resiliência e altruísmo, podem verem-se aperfeiçoados os seus desempenhos.

 

Neste âmbito, uma equipa mentalmente forte, os seus jogadores batem-se, jogam e lutam com a bravura dum guerreiro e vão mais longe na luta da sua conquista. Deixam no ar a linguagem da palavra, do gesto ou do silêncio, que acaba por ser o oxigénio que sustenta a convicção do êxito conseguido, porque o estado de alma envolto num espírito de conquista, é capaz de produzir um estado de crença que também gera biologia como força motriz de intencionalidade energética, onde se opera e alimenta o sucesso.

 

Nos dias de hoje e de acordo com algumas estratégias já por mim evocadas, através duma dinâmica de intervenção ou planificação de treino é possível a reconstrução dum modelo operacional, que após a avaliação de várias competências dos jogadores, poderemos atestar comportamentos, ajustar desejos, invocar convicções e partir para a viagem de sonho onde habita o êxito.

 

Entramos num momento fundamental para uma nova aprendizagem, convocados pelos sinais dos tempos. Cá estaremos para no momento próprio  validar a oportunidade de rumar ao conhecimento, que  vai nascendo  da dúvida e alimentando da incerteza e nos permitirá requalificar o futuro.

 

José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto; Formador de Treinadores F.P.F./U.E.F.A.; Docente Universitário.

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