«Pedro Martins está no topo da nova geração portuguesa»

Olympiakos 11-02-2020 17:05
Por Bruno Andrade

Líder da liga grega, com dois pontos de vantagem para o PAOK de Abel Ferreira, o Olympiakos de Pedro Martins tem como um dos principais destaques o brasileiro Guilherme, que, na época passada, foi eleito o melhor médio da competição. Formado na Portuguesa e com passagens por Corinthians, Udinese e Corunha, o camisola 8 cumpre a segunda temporada ao serviço do emblema vermelho e branco. Agora, mais do que nunca, está confiante no título nacional, sobretudo para coroar o bom trabalho do treinador português de 49 anos, que conta ainda no grupo com os compatriotas José Sá, Rúben Semedo e Cafú.

O que mudou do Guilherme de 2018/19 para o Guilherme de 2019/20?
A experiência aumenta a cada ano que passa. O mais importante para mim foi conhecer melhor os campos, conhecer melhor os adversários. Hoje, por perceber melhor o futebol grego, sinto-me mais preparado. Sei bem contra qual equipa vou jogar, quais são os jogadores, como é a relva, etc. Além disso, fiquei muito feliz pelo prémio que recebi na época passada. Eu e todo o grupo fizemos um bom campeonato, mas infelizmente não ficamos com o título. Estamos agora mais fortes e temos maiores possibilidades de ganhar.

Cumpriu duas épocas na Udinese, mais duas no Corunha, agora está na segunda no Olympiakos... É sinal que vai embora da Grécia ao término da temporadas?
[Risos] Pois, é mesmo uma coincidência [duas épocas em cada clube na Europa]. Mas alguns motivos importantes influenciaram as saídas de Udinese e Corunha. Tenho mais um ano e meio de contrato com o Olympiakos. Não consigo prever o futuro, vamos ver o que pode acontecer. Se tiver que cumprir, vou cumprir, até porque gosto muito da Grécia. Sou feliz aqui.

Acha que precisa de uma sequência maior num mesmo clube?
Depende do clube, depende das situações... Na Udinese, no meu primeiro ano, foi tudo muito difícil. Infelizmente, ainda tive uma lesão muito grave, que, para piorar, aconteceu por culpa do médico. Fui embora da Udinese por causa disso, não tinha mais cabeça para jogar lá. Acertei então com o Corunha. Gostei bastante do meu primeiro ano em Espanha, mas, infelizmente, a equipa foi despromovida.

É 100% feliz na Grécia ou sente falta de algo?
Não, não falta-me nada... mas ainda tenho alguns sonhos que pretende realizar. Sou feliz aqui, a estrutura do Olympiakos é ótima.

Podemos dizer que você é típico trinco que pode facilmente jogar como 8?
Eu, quando jogava no Brasil, sempre fui um 8, com forte presença na área adversária. Assim que cheguei ao futebol europeu, todos os treinadores passaram enxergar-me como trinco. Tenho qualidade na saída de bola, então isso é visto com bons olhos. Não sou um pitbull, aquele tipo de trinco que chega forte. Gosto da função que cumpro, de ir buscar a bola lá atrás e começar as jogadas. Sou muito participativo.

Julga que o título nacional desta época vai ficar entre Olympiakos (líder, com 57 pontos) e PAOK (vice-líder, com 55)?
Espero que sim. Não queremos perder mais nenhum jogo, assim como o PAOK. A AEK [terceiro colocado, com 44 pontos] também tem uma boa equipa, mas vai ser muito difícil de encostar na gente.

O Olympiakos caiu num grupo da Liga dos Campeões com Bayern e Tottenham, agora vai defrontar o Arsenal na Liga Europa... Haja azar, não?
A gente até brinca que tem muita sorte [risos]. Ainda na fase de grupos da Champions, mesmo diante de tantos obstáculos, a gente chegou a acreditar que seria possível o apuramento, mas não conseguimos. Felizmente, conseguimos a vaga na Liga Europa. Mas aí chega o sorteio, e com tantas equipas menos tradicionais, calhou-nos logo o Arsenal [risos]. Mas isso também é bom. Eu, particularmente, gosto de participar em jogos grandes.

Como os gregos enxergam o facto de as duas primeiras equipas na tabela da liga serem dirigidas por portugueses?
Existe aqui um carinho muito grande por Portugal, são várias bandeiras portuguesas espalhadas pelos estádios. Sabem que o futebol português é dos mais prazerosos para desfrutar.

Pedro Martins já encabeça a lista dos melhores treinadores da nova geração portuguesa?
A nova geração portuguesa é, de facto, muito boa. O Pedro Martins, sem dúvida, está no topo. Trabalho com ele há um ano e meio, então só tenho elogios. É um treinador muito inteligente e do bem. Entende bem os jogadores, sabe administrar tudo aquilo que um plantel largo, com quase 30 jogadores, acaba por passar durante uma época pesada. Estão todos satisfeitos com ele.

Esta gestão de grupo é a grande característica dele?
Não adianta nada ser gestor e não ganhar os jogos. Ele é muito bom treinador em todos os aspetos.

Em qual nível hoje encontra-se o Rúben Semedo, que, como sabemos bem, recentemente passou por um grave problema pessoal?
Tenho certeza que o Rúben aprendeu com os próprios erros. Tem muita qualidade, é jogador de seleção. Focado e a trabalhar forte, pode ir ainda mais longe na carreira, porque é mesmo um grande defensor. Tem nível para jogar num clube top da Europa.

O Podence, que acabou negociado com o Wolverhampton, vai fazer muita falta no Olympiakos?
Temos algumas boas peças de reposição, mas o baixinho vai fazer muita, muita falta mesmo. É um jogador que desequilibra, tem um contra um muito forte e rápido. Torço muito para o sucesso dele em Inglaterra.

 

 

 

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