Uma expulsão inacreditável leva à pior série do Manchester United em 38 anos
O que aconteceu à hora de jogo do duelo entre Chelsea e Manchester United foi exemplificativo de muito do que tem sido o grande problema dos red devils neste início de temporada (e, de certa maneira, nos últimos anos). Pode também ser visto como um momento de defesa de Michael Carrick: apesar de todos os erros cometidos por um treinador, o que pode ele fazer quando, com o jogo completamente em aberto, um defesa já amarelado tira os olhos da bola na sequência de um canto, projeta-se contra o adversário com os braços levantados e é expulso, fazendo o penálti que resulta no 2-0 para o adversário?
Foi precisamente isto que aconteceu na 9.ª jornada da Premier League, na vitória dos blues, de Pedro Neto, titular, e Geovany Quenda, que entrou nos últimos minutos, frente ao Manchester United, que contou com Bruno Fernandes e Diogo Dalot no onze inicial e que não vence há nove partidas seguidas, a pior série desde 1988. Num momento em que há poucas ou nenhumas certezas sobre o futuro da equipa, uma coisa é certa: Lisandro Martínez não vai jogar a próxima partida do campeonato inglês.
Ambas as equipas entraram em campo com vontade de reagir às derrotas. O Chelsea, que havia perdido com o Tottenham na última jornada (0-2), não contou com João Pedro, lesionado. Para o lugar do brasileiro entrou o compatriota Estêvão, que tratou de exigir mais minutos a Xabi Alonso. Foi um dos mais inconformados do Chelsea ao longo de toda a partida, que começou com mais ímpeto dos blues. Os red devils, que vinham do 0-3 caseiro com o Bournemouth, conseguiram reagir, pressionar e criar real perigo.
O primeiro tempo foi, aliás, de grande emoção. Ataques rápidos, erros que os proporcionaram e equipas apontadas às balizas foram constantes. De cada lado houve um golo anulado, primeiro a Estêvão, numa recarga (15') e depois a Matheus Cunha (35'), após um canto, Bruno Fernandes atirou por cima em boa posição. Aos 42', Caicedo esteve perto de desviar para a baliza, mas a bola acertou no poste. Logo a seguir, Diallo roubou a bola a Fofana, mas atirou por cima e, depois, Pedro Neto tirou o esférico a Maguire, mas disparou ao lado.
O empate ajustava-se ao intervalo, mas não o 0-0, já que cada equipa tinha feito mais do que suficiente para marcar. Aos 50', finalmente foi inaugurado o marcador: Morgan Rogers ganhou metros pelo meio, aproveitou a passividade oponente e, na cara de Lammens, 'picou' a bola para provocar a alegria generalizada em Stamford Bridge.
O Chelsea galvanizou-se com o 1-0 e foi à procura de mais. O United, apesar da desvantagem, sabia, sobretudo pelo que havia feito no primeiro tempo, que podia reagir e igualar tudo. Contudo, aos 60', tudo tombou. Dois minutos depois de ver o primeiro amarelo, Lisandro Martínez não viu a bola, mas apenas Fofana na sequência de um canto. Um penálti despropositado, um segundo amarelo que ditou a expulsão e Palmer, da marca dos 11 metros, não bateu muito bem, mas foi suficiente para bater Lammens.
No espaço de minutos, o jogo passava de estar equilibrado para quase decidido. Foi preciso esperar até aos 83' para Zirkzee fazer o primeiro disparo enquadrado dos red devils no segundo tempo, completamente dominado, depois do vermelho, pelos blues. Estêvão, por seu turno, marcou mais um golo em fora de jogo e testou Lammens, que, com uma intervenção fantástica, evitou males maiores. Palmer e Barco atiraram por cima em boa posição e, do outro lado, uma bola parada ia levando Mbeumo a fazer um golaço já na compensação, mas Penders defletiu para a trave.
Depois de ficar com um a menos no terreno e dois a menos no marcador, o Manchester United pouco conseguiu para evitar a derrota, que não foi mais dilatada por falta de eficácia do Chelsea, que continua na luta pelos lugares de Champions. O United pode acabar esta jornada em zona de descida de divisão.