Pablo Rosario afirmou-se no PSV - Foto: IMAGO
Pablo Rosario afirmou-se no PSV - Foto: IMAGO
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

«Tímido» no PSV, «líder» no FC Porto: «Cabeça baixa, não criava alarido»

Central frente ao Betis, Pablo Rosario volta amanhã ao meio-campo, onde dita a lei. Boudewijn Zenden trabalhou com ele no PSV e recorda, em A BOLA, o «miúdo tímido» que conquistava pelo trabalho

O encontro de amanhã entre FC Porto e PSV Eindhoven reveste-se de particular importância para os dragões, que entram na 3.ª jornada da Champions League ainda sem qualquer ponto somado na prova, mas, aconteça o que acontecer, terá sempre significado especial para um dos alicerces da equipa de Francesco Farioli.

Depois de passar por Ajax e Feyenoord (entre outros) na formação, foi no atual campeão neerlandês que Pablo Rosario se afirmou no contexto profissional. Em 2016, com apenas 19 anos, trocou o Almere City pelo emblema da Philips e por lá ficou até ao verão de 2021, altura em que se mudou para o Nice. Ao todo, foram 138 jogos, cinco golos e 11 assistências. Quem privou com ele não tem dúvidas: chegou como um «jovem tímido», mas saiu... consagrado.

«O Pablo começou no Jong PSV, que é a equipa de reservas, mas não demorou a juntar-se ao plantel principal. Era jovem, mas já muito polivalente. Trabalhador, mantinha sempre a cabeça baixa, não criava alarido. Sempre a treinar no duro e a cumprir o que lhe era pedido. Um verdadeiro jogador de equipa, com bons pulmões — não parava de correr —, mas também inteligente», recorda, em conversa com A BOLA, Boudewijn Zenden, antigo internacional pelos Países Baixos que foi adjunto no PSV durante toda a passagem de Rosario pelo clube.

O retrato que o ex-futebolista faz do internacional dominicano é familiar, mas a versão atual do camisola 13 do FC Porto, hoje com 29 anos, é dona de novos atributos. «A forma de jogar dele não mudou muito, mas está mais maduro e mais líder. No PSV, ele já tinha um passe muito forte para a frente e penso que ainda mantém essa qualidade no FC Porto. Adquiriu muita experiência e, com isso, confiança. Não era um indiscutível quando começou a trabalhar connosco, mas, por onde passou, aprendeu sempre a lutar pelo seu lugar. Graças à personalidade que tem e ao trabalho que faz, acaba sempre por convencer os treinadores», refere Zenden. Que o diga Francesco Farioli, que, depois de conhecer Rosario no Nice, não perdeu a oportunidade de voltar a contar com ele no Dragão.

Titular no eixo defensivo frente ao Betis, o bombeiro de serviço dos campeões nacionais prepara-se para voltar à posição 6 amanhã. A maleabilidade tática de Pablo não surpreende Zenden, que não esconde a felicidade por ver o ex-pupilo vingar na elite europeia: «Ir para o Nice já foi um bom passo, mas estar agora a jogar num dos maiores clubes de Portugal e a disputar a Champions é mais um grande feito na carreira dele.»

Desafiado por A BOLA a apontar o favorito no duelo de amanhã, o antigo extremo, que passou, por exemplo, por Barcelona, Chelsea e Liverpool, é perentório. «O FC Porto é favorito. Joga em casa e começou muito bem a época, venceu todos os jogos no campeonato. O PSV está a atravessar algumas dificuldades em termos de forma e também com lesões. Mas será interessante, porque são duas equipas com propensão ofensiva. Além disso, creio que o FC Porto não jogou este fim de semana. Também é por aí que lhes atribuo ligeiro favoritismo. Tiveram tempo para se prepararem melhor para esta partida», remata Zenden.

Boudewijn Zenden foi adjunto no PSV durante várias épocas. Atualmente, auxilia Van Bommel na seleção da Bélgica - Foto: IMAGO

«Todo o respeito por Farioli...»

Quando Roger Schmidt deixou o comando técnico do PSV (rumou ao Benfica logo depois), Boudewijn Zenden também cessou funções de adjunto no clube de Eindhoven — atualmente, é auxiliar de Van Bommel na seleção da Bélgica. Já não rivalizou com Francesco Farioli quando o agora treinador do FC Porto orientou o Ajax, mas nem por isso deixou de acompanhar o trabalho do italiano numa época... amarga.

«Esteve no Ajax numa fase difícil para o clube. Nos últimos anos, nenhum treinador teve tarefa fácil lá. Olhando para o que tem feito agora no FC Porto, acho que todos conseguimos ver que Farioli está a realizar um excelente trabalho com os jogadores que tem à disposição», assinala.

«Talvez apresente um estilo um pouco diferente daquele que implementou no Ajax, mas isso também se deve, naturalmente, aos atletas que tinha disponíveis... Portanto, todo o meu respeito e parabéns pelo trabalho que tem desenvolvido em Portugal», completa Zenden.

Zenden (em baixo, ao meio), foi colega de equipa de Figo, Rivaldo e Guardiola, entre outros, no Barcelona - Foto: IMAGO
Próximo artigo

A iniciar sessão com Google...