Sérgio Conceição deixou o Al Ittihad antes do final do contrato, que era até 2028
Sérgio Conceição deixou o Al Ittihad antes do final do contrato, que era até 2028

Sérgio Conceição esclarece: «Nunca disse que os jogadores são maus»

Treinador recorreu às redes sociais para desfazer má interpretação de declarações proferidas num 'podcast' sobre o futebol saudita

Sérgio Conceição recorreu às redes sociais, esta segunda-feira, para prestar esclarecimentos na sequência do impacto gerado pelas suas declarações sobre o futebol e a mentalidade dos atletas na Arábia Saudita. O treinador português, atualmente sem clube após ter terminado a sua ligação ao Al Ittihad no fecho da última época, garantiu que as palavras que proferiu foram mal interpretadas e rejeitou qualquer intenção de menosprezar o país ou os seus profissionais.

A polémica surgiu após a participação do técnico no podcast 'La Tripletta', do jornal italiano La Gazzetta dello Sport, onde apontou a ausência de «uma verdadeira cultura de exigência, trabalho e compromisso» no futebol saudita, referindo ainda que os futebolistas locais «não são maus», mas «não são exigentes».

Perante a repercussão do tema, Sérgio Conceição recorreu às redes sociais para esclarecer: «Gostaria de deixar claro que nunca tive a intenção de demonstrar qualquer desrespeito para com os jogadores sauditas, muito menos para com a própria Arábia Saudita, um país que me acolheu a mim e à minha família e pelo qual tenho grande estima e respeito, como também enfatizei durante a entrevista. Nunca questionei a qualidade dos jogadores sauditas, nem nunca disse que os jogadores sauditas são 'maus'. A minha intenção era destacar as diferenças na forma como o futebol é experienciado e a abordagem sobre o que é ser futebolista na Arábia Saudita e na Europa.»

Eis a publicação de Sérgio Conceição

O treinador sublinhou ainda o desafio que representou a vivência no Médio Oriente: «Existem diferenças significativas, e eu expliquei o quão desafiante foi adaptar-me a certos aspetos deste ambiente, dada a minha própria compreensão do papel de um treinador. Ao mesmo tempo, foi uma experiência importante que me deu a oportunidade de aprender e desenvolver uma perspetiva diferente, e também a forma como entendo os atletas e a sua abordagem ao futebol.»

Recorde-se que, no domingo, durante a conversa divulgada pela publicação transalpina, Conceição havia detalhado as dificuldades quotidianas na gestão do grupo de trabalho durante a sua passagem pela Arábia Saudita.

«Os jogadores locais não são exigentes. Eles não o fazem porque são maus ou porque não querem. Eles não têm essa mentalidade, e é difícil de gerir. Às vezes, certos jogadores não acompanham ou nem sequer aparecem no treino. O futebol ainda não é considerado uma verdadeira profissão. Eles encontram sempre uma desculpa: um membro da família que não está bem, ou a religião, com uma oração para realizar às 5h00 da manhã. Se agendarmos uma sessão de treino a essa hora, alguns simplesmente não vêm. Para mim, com a minha forma de ver as coisas, tudo isto é muito difícil de gerir. Realmente muito difícil. Aprendi tremendamente com esta experiência», relatou na altura.

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