Sem margem para fantasmas em Braga: Rui Borges joga à grande
Há fantasmas que não desaparecem apenas com boas intenções. Exigem vitórias, sobretudo quando o passado recente insiste em repetir os mesmos erros. Rui Borges conhece bem essa realidade e prepara-se para enfrentar um dos desafios por resolver desde que assumiu o Sporting: ganhar aos principais candidatos aos lugares cimeiros do futebol português.
E esse primeiro obstáculo começa já amanhã em Braga, um adversário que ainda não conseguiu derrotar enquanto treinador dos leões. O encontro com os guerreiros assume, por isso, uma importância que ultrapassa os três pontos. Trata-se de um primeiro duelo deste campeonato de grandes, no qual o Sporting tem revelado dificuldades para impor a sua superioridade e transformar vantagens em vitórias. Num contexto de instabilidade, sem margem de erro, Rui Borges sabe que este é o momento de inverter a tendência e começar a afastar os fantasmas acumulados em Alvalade.
Os números ajudam a explicar a dimensão do desafio. Desde que chegou ao Sporting, em dezembro de 2024, o treinador conquistou apenas 10 dos 30 pontos possíveis nos jogos da Liga frente a SC Braga, Benfica e FC Porto. O saldo é de uma vitória (no jogo de estreia com o Benfica), sete empates (três com o SC Braga, dois com o Benfica e dois com o FC Porto) e duas derrotas (uma com o Benfica e outra com o FC Porto). Um registo que evidencia a dificuldade dos leões em superiorizar-se aos rivais diretos...
SC BRAGA É FERIDA ABERTA
É, contudo, contra o SC Braga que a história mais incomoda Rui Borges. Em três duelos com os arsenalistas, o técnico ainda não venceu, somando três empates. Com uma particularidade que torna este registo ainda mais penalizador: em todos os jogos, o Sporting esteve em vantagem mas permitiu a recuperação adversária já perto do apito final. Eis outro fantasma deste arranque de época: a incapacidade de segurar vantagens.
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— VSPORTS (@Vsports_pt) April 7, 2025
A primeira ferida abriu-se em 2024/2025, em Alvalade. O Sporting parecia encaminhado para a vitória, mas Afonso Patrão marcou aos 87’ e fixou o resultado em 1-1. Na época seguinte, a história repetiu-se por duas vezes. Primeiro, novamente em Alvalade, quando Zalazar (ele mesmo…) marcou aos 90+6’ e resgatou um empate a uma bola para o SC Braga. Depois, no Minho, o uruguaio voltou a aparecer nos descontos, aos 90+7’, para estabelecer o 2-2 final. Três jogos, três igualdades e três ocasiões em que os leões deixaram escapar uma vitória que tinham ao alcance. Uma das fragilidades que continua a perseguir uma equipa que, sobretudo após a profunda renovação desta época, procura consolidar processos e recuperar confiança para voltar a demonstrar autoridade nos momentos decisivos.
A ESTREIA AUSPICIOSA COM O BENFICA
Se o SC Braga representa o enguiço mais evidente, Benfica e FC Porto também ajudam a compor o retrato pouco animador neste particular. A única vitória sobre um destes três adversários deu-se, curiosamente, logo no primeiro jogo ao serviço do Sporting. A 29 de dezembro de 2024, em Alvalade, os leões venceram o Benfica por 1-0, golo de Geny Catamo.
Porém, desde esse pontapé de saída, que o triunfo não voltou a repetir-se na Liga frente aos rivais. Contra o Benfica, o registo inclui ainda três empates e duas derrotas e diante do FC Porto, o Sporting empatou duas vezes e perdeu uma, na época passada, em Alvalade, por 1-2, sem conseguir voltar a ganhar aos dragões na competição.
As taças, porém, oferecem um contraponto, pois há vitórias importantes contra os rivais na Taça da Liga e de Portugal, uma delas ganha ao Benfica. Falta transportar essa capacidade para a regularidade exigida na Liga. Rui Borges tem, assim, um caminho claro pela frente: ganhar à… grande. E começar por derrotar um SC Braga que, até agora, tem sabido escapar-lhe sempre no último suspiro...