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Ricardo Carvalho: «Martínez quis tirar Ronaldo, mas ele disse que queria mais»
Ricardo Carvalho abordou a gestão de Cristiano Ronaldo durante a passagem pela Seleção Nacional, numa entrevista concedida a John Obi Mikel, antigo companheiro de equipa no Chelsea, no podcast The Obi One. O antigo internacional português, que integrou a equipa técnica de Roberto Martínez, explicou as dificuldades em gerir a utilização do capitão das quinas e admitiu que o avançado do Al Nassr deveria ter sido substituído mais vezes.
«Na minha opinião, ele deveria tê-lo retirado. Agora, por outro lado, o Cristiano recebeu todos os méritos durante o passado. Se o conheces, é um jogador que quer jogar sempre. Teve sucesso porque quer estar sempre lá, porque sente que consegue marcar», começou por explicar.
«Era difícil para o Roberto tirar-lhe isso da cabeça, porque, por vezes, estava cansado e não conseguia recuar, mas ele próprio pensava: 'Vai chegar uma bola e eu vou marcar. Um pontapé-livre e eu vou marcar'. É assim que ele é.»
O antigo defesa revelou ainda um episódio ocorrido durante o Mundial, no encontro da segunda jornada da fase de grupos, frente ao Uzbequistão, que Portugal venceu por 5-0. Ronaldo já tinha bisado quando surgiu a possibilidade de ser substituído, mas não estava disposto a abandonar o relvado. «Estávamos a ganhar por 3-0, ele tinha marcado dois golos. O treinador estava a pensar retirá-lo, mas o Cristiano disse: 'Ainda agora comecei a marcar golos, quero mais'. Ele quer sempre mais. Dois não bastavam, queria três ou quatro», contou.
«Talvez tenha sido por isto que continuou a trabalhar para ter mais sucesso, mais golos, para chegar aos 1000 golos na carreira. Ele precisa disso.»
Ainda assim, o antigo internacional reconheceu que a gestão do capitão português colocava desafios ao selecionador. «É difícil para um treinador, porque não podes apoiar todos os jogadores. Tens 26 e, se tratas o Cristiano assim, depois vai ser difícil para os outros pontas de lança, que estão lá à espera de alguns minutos, e até para a equipa. É uma decisão difícil de tomar.»
«Da minha experiência, quando envelheces, quanto mais tarde sais, pior, porque ficas mais cansado, não chegas a tempo... Para mim, ele devia ter saído mais cedo, mas não sou o treinador principal. Era uma decisão do Roberto e, no final, penso que está feliz com a decisão que tomou. Tens de decidir no momento.»
«Não é o mesmo jogador que era há dez anos»
Ricardo Carvalho, que chegou à Seleção Nacional em 2003, no mesmo período que Cristiano Ronaldo, não poupou elogios ao percurso do antigo companheiro, considerando-o o melhor jogador no plano geral.
«Para mim, é o melhor jogador, porque tem tudo: o físico, a cabeça... Tudo bem, não é como Messi, que no um contra um consegue fazer coisas inacreditáveis, mas, fisicamente, está lá, juntamente com o jogo de cabeça. É poderoso», afirmou.
«Não é o mesmo jogador que era há dez anos, mas, no Real Madrid, vi coisas inacreditáveis. Se virem os golos de 2010 a 2013 ou 2015, ele rematava de todo o lado, da esquerda, a 30 metros, a 20 metros, a 10 metros, e marcava grandes golos. Era inacreditável. É claro que agora temos de aceitar que o jogador não é o mesmo. Continua bem, mas já não é o jogador que vi no Real Madrid», acrescentou.
O futuro de Ronaldo na equipa das quinas também esteve em cima da mesa. «Ele continuará durante o tempo que quiser. Penso que será mais um ano. Ele tem a sua meta. Está lá, é inacreditável. Penso que quer continuar na Seleção Nacional», afirmou.
«É uma estrela em Portugal. Penso que toda a gente na FPF está satisfeita com ele, percebem que é um grande nome. Continua a marcar, a jogar... É difícil. Quando quiser voltar, a porta estará aberta, é o que eu sinto. Ele vai decidir», rematou.