Neemias Queta no jogo com os espanhóis - foto: FIBA
Neemias Queta no jogo com os espanhóis - foto: FIBA

MONUMENTAL! Portugal faz brilharete e bate a Espanha em Saragoça

Linces foram heróis e venceram os espanhóis pela primeira vez em jogos oficiais

Há um ano foi num jogo particular no Torneio Internacional de Málaga, a contar para a preparação do EuroBasket-2025 (76-74). Desta vez não: era a sério. Num embate em que a atitude defensiva ao longo da partida — mesmo com alguns momentos de falha — foi decisiva, até porque Neemias Queta (16 pts, 9 res, 2 rbl) acabou por estar em campo apenas 24.37 min e atuou 1.32 min no 4.º período devido a problemas num joelho, Portugal registou a primeira vitória oficial contra Espanha ao vencer por 89-95 (14-21, 27-26, 30-24, 18-24), no arranque do Grupo I da segunda fase de qualificação para o Campeonato do Mundo Qatar-2027.

Partida disputada no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, que encheu para ver La Familia — alcunha pela qual é conhecida a seleção espanhola, 6.ª do ranking mundial FIBA e 4.ª da Europa — ser justamente superada por um conjunto que é a 45.º e 24.º continental, e apenas permitiu que o adversário liderasse em 12 dos 40 minutos e nunca por mais de nove pontos.

Se até ao intervalo (41-47) Rúben Prey (4 res, 3 rbl) — que marcou 10 dos seus 15 pontos na 1.ª parte e esteve arrasador dos dois lados do campo a defender —, Neemias, Travante Williams e Rafael Lisboa (11 pts, 4 ass) foram os que mais contribuíram para que, desde cedo (4-6), os homens de Mário Gomes assumissem o comando através de um parcial de 2-11 (6-11). No segundo tempo o contributo de Diogo Ventura (19 pts, 4 res, 2 ass) e de Travante (4 res, 2 ass, 2 rbl, com 13 dos seus 22 pontos) foi o expoente máximo do coletivo.

Com o embate a registar sete igualdades, a última aconteceu precisamente no fim do 3.º quarto (71-71) — em que, depois de ter sofrido um parcial de 12-1 (65-59) que obrigou Gomes a pedir desconto de tempo, e que ainda se prolongou até ao 68-59 com mais um triplo de um incrível Álvaro Cárdenas (18 pts, 4 res, 4 ass), a Seleção teve uma exibição irrepreensível no fecho.

Um lançamento de três pontos de Travante (68-62) e o fechar de muitas linhas de passe e de tiro dos anfitriões catapultaram os lusitanos para um decisivo parcial de 3-12 até ao final do quarto.

Neemias, antes de se sentar definitivamente no banco, abriu o período seguinte com um espetacular afundanço numa ação em drible individual desde a cabeça da área restritiva e com rotação pelo meio, e os "Linces" nunca mais ficaram em desvantagem, com Travante e Ventura a contribuírem com oito e nove pontos, respetivamente, e um triplo cada.

Sempre que Neemias ia descansar, os homens de Chus Mateo apostavam em jogar junto ao cesto para aproveitarem a vantagem de estatura, sobretudo após as trocas defensivas — o que nem se atreviam a fazer com o intimador poste dos Celtics presente. Mas Portugal conseguiu anular essa vantagem e, sem que Cárdenas, Joel Parra (17 pts) e Darío Brizuela (19 pts, 3 res) se conseguissem libertar da pressão que sentiam, nem mesmo o jovem gigante Aday Mara (12 pts, 6 res), de 2,21 m, trouxe soluções para dar a volta ao resultado, com Portugal a praticamente não falhar da linha de lance livre (25/34), algo que nem sempre havia corrido pelo melhor.

A equipa que fez história em Saragoça Fotografia FIBA

O pior momento da Seleção aconteceu no arranque do 2.º quarto, ao sofrer um avassalador parcial de 17-3 (31-24) em que Mário Gomes necessitou de quase 5 (!) minutos (29-24) para parar o jogo, acalmar os jogadores e retificar. Os Linces pareciam paralisados com o elevar da velocidade do basquetebol espanhol. Podia ter sido o momento fatal, mas Neemias reentrou para arrumar a casa, com Prey e Lisboa a ajudarem.

Portugal lutou pelo equilíbrio da luta nas tabelas (38-40) e, ainda que tenha levado vantagem nos ressaltos ofensivos (13-18) — o que lhe deu vantagem nas segundas oportunidades de lançamento (16-25) —, esteve aquém nas assistências (21-12), mas foi igualmente nos roubos de bola (5-11) que conseguiu outro fator de desequilíbrio.

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