Não houve cumprimentos antes do Israel-Irlanda
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«Eles odeiam-nos e nós não gostamos deles»: capitão de Israel promete «vingança» após tensão no duelo com a Irlanda

Manor Solomon fala em desrespeito; seleções voltam a encontrar-se no domingo, na Sérvia

O capitão da seleção de Israel, Manor Solomon, teceu duras críticas à Irlanda, na sequência de vários gestos de protesto dos jogadores irlandeses, que recusaram cumprimentar os adversários e ignoraram o hino israelita no encontro de domingo à noite, disputado na Hungria.

A partida, que terminou com o triunfo irlandês por 3-0, ficou marcada por um ambiente tenso antes mesmo do apito inicial, ou melhor, desde o sorteio. O capitão da Irlanda, Dara O'Shea, não apertou a mão a Solomon durante o sorteio inicial, a equipa alinhou com fumos negros nos braços e não houve trocas de cumprimentos antes e após o apito final, com os jogadores da Irlanda a recolherem aos balneários debaixo de assobios.

No final do desafio, Manor Solomon não escondeu a indignação numa entrevista repleta de tensão: «Disseram-nos disparates durante o jogo, não quero falar deles. Se disser o que penso sobre eles, provavelmente serei suspenso por alguns jogos, por isso prefiro não dizer. Obviamente que eles nos odeiam e nós não gostamos deles.»

O internacional de 27 anos, jogador do Wet Ham, dirigiu também palavras firmes em relação ao comportamento dos adversários perante os símbolos nacionais. «Já estou ansioso pelo próximo jogo contra eles, vai ser completamente diferente. O que fizeram com o hino? Não estou interessado neles, o nosso país é dez vezes melhor do que o deles, mais forte, um país incrível com pessoas incríveis. Temos orgulho em vestir a camisola da seleção nacional e em ser israelitas. Temos orgulho no nosso país e nos nossos soldados. Podem fazer todos os truques que quiserem. Somos israelitas e amamos o país. E assim será sempre», vincou.

Apontando aos próximos compromissos da qualificação, Solomon assumiu o desejo de redenção: «Faremos tudo para que seja completamente diferente contra o Kosovo. Temos mais quatro jogos na campanha e isto ainda não acabou. Acredito que somos capazes. Sei com quem estou aqui, conheço os jogadores e a equipa, vamos ultrapassar isto e vingar-nos disto.»

Quase boicote na Irlanda

Os dias que antecederam a partida foram conturbados no seio do estágio irlandês. O plantel realizou uma reunião de quatro horas para debater a realização do encontro, depois de o guarda-redes Gavin Bazunu ter decidido boicotar a partida por motivos éticos. O guardião do Bolton justificou a ausência sublinhando que a sua decisão foi baseada na convicção de que «a morte de pessoas inocentes é errada», esclarecendo que a sua posição «não é de oposição ao povo israelita ou à comunidade judaica, mas sim contra as atrocidades na região».

Outros jogadores da Irlanda admitiram publicamente o desconforto vivido em torno do jogo. O médio Jason Knight expressou dúvidas quanto à realização da partida, enquanto o defesa Dara O'Shea salientou a «posição difícil» em que o grupo foi colocado após as deliberações conjuntas entre a FAI, o governo e a Uefa.

Dentro das quatro linhas, a vitória irlandesa foi construída na primeira parte com golos de Troy Parrott, Adam Idah e Jack Moylan, que retirou a braçadeira de fumo negro para a beijar durante a comemoração.

A tensão em torno da partida surge também no rescaldo das declarações do selecionador irlandês, Heimir Hallgrimsson, que afirmou anteriormente que a sua equipa iria «jogar contra um genocídio», perante os ataques de Israel na Palestina, onde mais de 70.000 pessoas morreram desde o início da guerra em Gaza, segundo o ministério da saúde local controlado pelo Hamas.

O ambiente em torno do confronto entre as seleções de futebol da Irlanda e de Israel continua envolto em forte crispação política e medidas excecionais de segurança. Depois de uma série de protestos e apelos ao cancelamento dos encontros, a República da Irlanda prepara-se para defrontar novamente a seleção israelita este domingo, à porta fechada, num recinto neutro situado em Backa Topola, na Sérvia.

No verão, a FAI já tinha tomado a decisão de realizar os seus jogos «em casa» contra Israel em terreno neutro, justificando a medida com «desafios operacionais que poderiam ter impacto na realização do jogo em solo nacional».

A presença de ambos no mesmo grupo da Liga das Nações — que inclui também a Áustria e o Kosovo — espoletou desde o sorteio, em fevereiro, fortes apelos ao boicote. Em julho, a FAI levou o assunto a votação interna, com 75 delegados a votarem a favor da realização das partidas e 32 a manifestarem-se pelo boicote. Paralelamente, uma petição pública na Irlanda reuniu mais de 17.000 assinaturas a exigir a anulação do jogo, ao mesmo tempo que declarações do selecionador Heimir Hallgrimsson geraram reações exaltadas por parte de responsáveis israelitas.

No plano desportivo, o encontro ficou ainda marcado por uma situação insólita na ficha de jogo irlandesa. Devido aos regulamentos da UEFA, que obrigam à inscrição de pelo menos três guarda-redes na convocatória, a ausência por indisponibilidade de Gavin Bazunu levou a que Jimmy Dunne, defesa-central do QPR, fosse formalmente inscrito como guarda-redes na ficha oficial da partida.

O clima tenso reflete o posicionamento diplomático da Irlanda em relação à ofensiva militar israelita em Gaza. Em maio de 2024, a Irlanda reconheceu oficialmente o Estado palestiniano, em conjunto com Espanha e Noruega, juntando-se mais tarde ao processo por genocídio movido pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça. Além disso, o país recusou participar no Festival Eurovisão da Canção desde 2025 devido à presença de Israel e tornou-se a primeira nação da União Europeia a boicotar bens provenientes dos colonatos ilegais israelitas na Cisjordânia.

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