Análise de Alemão ao interesse do Benfica no lateral-esquerdo El Karouani

A melhor defesa é o ataque: o que vê o Benfica em El Karouani

Perfil do lateral-esquerdo internacional marroquino que seduz os encarnados

Souffian El Karouani, desejo do Benfica para esta reta final do mercado, é, em teoria, o lateral-esquerdo que todos os treinadores ofensivos querem ter na sua equipa: ataca muito bem, é portador de um bom remate, marca livres diretos e indiretos com qualidade e decide bem no último terço, engordando a lista de assistências como raramente se vê.

Não nos esqueçamos, todavia, de que se trata de um defesa e, por isso, há relevância no capítulo defensivo. Nesse aspeto do jogo, também é visto como um jogador competente, usando posicionamento e velocidade para fechar o lado esquerdo. Com 1,78 metros e 70 quilos, tem físico para fazer todo o corredor, mesmo como médio-ala, e ainda conhece a posição 6. Foi elogiado nos Países Baixos por ser capaz de acumular minutos sem acusar cansaço ao longo de temporadas longas e tem como máximo de carreira 50 presenças pelo Utrecht, na época passada.

O internacional marroquino desejado pelo Benfica não esteve depois no Mundial, mas leva seis internacionalizações por Marrocos, com seis vitórias. É um jogador recente numa seleção que não pode queixar-se de falta de qualidade nas laterais — Hakimi e Mazraoui são dois bons exemplos.

El Karouani, de 25 anos (vai comemorar o 26.º aniversário a 19 de outubro), nasceu nos Países Baixos, descendendo de família marroquina, o que justifica a escolha pela seleção. Mas foi naquele país europeu que fez toda a formação, com cinco camisolas diferentes (TGG, BVV, Den Bosch, Elinkwijk e NEC), antes de mudar-se para o Utrecht, onde se afirmou (3 épocas, 119 jogos, 6 golos e 31 assistências).

Nos anos de formação, o pai assumiu o papel de motorista privado, conduzindo o filho várias vezes por semana em trajetos longos para garantir que não falhava um treino. Foi alguém determinante ao nível da disciplina e educação e também teve grande importância na carreira desportiva e na decisão do filho em tornar-se profissional de futebol, algo que conseguiu no NEC, futuro adversário do Benfica na Liga Europa.

Foi, aliás, com a camisola do NEC, em 2020/21, que o lateral alcançou um dos maiores feitos da carreira desportiva, vestindo a pele de herói improvável. Na grande final do play-off de promoção à Eredivisie, principal liga neerlandesa, contra o NAC Breda, fez a assistência decisiva para o golo da vitória de Jonathan Okita (1-2), garantindo o regresso do clube aos palcos maiores.

O provável reforço benfiquista, que deve chegar à Luz por empréstimo dos sauditas do Al Qadsiah, tem estado na lista de clubes importantes nos últimos anos — em Portugal, não só na dos encarnados, mas também na do FC Porto. E há relatos, nos Países Baixos, de uma recusa ao Spartak Moscovo, que ofereceria €5 milhões ao Utrecht pelo esquerdino. O clube neerlandês também se afastou, por falta de abertura em negociar com um emblema russo.

No Al-Qadsiah, apesar de estar de saída, não teve possibilidade de afirmar-se, pois nem sequer realizou uma partida. Estadia invulgarmente curta, dado que já terá deixado a Arábia Saudita para cuidar da mudança para o Benfica, justificada por excesso de estrangeiros e falta de adaptação.

El Karouani é visto como uma pessoa muito discreta e próxima da família e da comunidade marroquina, mas francamente intensa e dinâmica dentro das quatro linhas, com futebol alegre e abrangente. Capaz de cruzar na linha de fundo, algo que começa a ser pouco visto no futebol moderno, e de fazer 18 (!) passes para golo numa só época, 2025/26, a melhor da sua carreira.

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