Salários em atraso: ciclistas em Portugal pagam para competir

Ciclismo 04.11.2022 17:55
Por Fernando Emílio

Não se trata de situação nova, repete-se a cada final de temporada no ciclismo português: as equipas Continentais acumulam salários em atraso quando se aprestam a efetivar a devida inscrição para nova temporada de competições na federação portuguesa da modalidade.

De acordo com informações a que A BOLA teve acesso, várias formações do pelotão nacional estão em incumprimento salarial com os corredores e que nalguns casos mais duradouros já atinge os três meses.
 

Os responsáveis das equipas defendem-se e são unânimes em afirmar que «carências financeiras» decorrentes da «dificuldade em receber dos patrocinadores» impede-os de «cumprir com as obrigações». Os ciclistas com ordenados em atraso contactados pelo nosso jornal preferem manter o anonimato, por temerem represálias dos empregadores com receio de «não mais receber o que é devido» e/ou depararem-se com «dificuldades ou mesmo a impossibilidade» de integrarem uma equipa.
 

«Em julho, pagaram-me os meses de abril e maio, e só recebi junho antes da Volta a Portugal, porque falei com o diretor desportivo e precisava de cumprir com as minhas obrigações financeiras. O esquema em algumas equipas é sempre o mesmo, devem três ou quatro meses e para não terem problemas com a inscrição da equipa propõem pagar apenas dois meses, com a condição de assinar um documento em que as contas estão saldadas», afirmou a A BOLA um dos ciclistas a quem uma equipa deve três meses de salários.
 

«Todos os que andam no pelotão sabem o que se passa. Há quem assine por 1000 euros por mês com a condição de só receber 800. Alguns conseguem sobreviver porque são ajudados pelos pais e familiares, outros porque têm as esposas a trabalhar. Esta é a verdade, para não falar em ciclistas que recebem parte do vencimento por transferência bancária e o restante… por fora. A maioria recebe salário mínimo, os estágios em altitude são pagos pelos próprios corredores e as deslocações em contexto laboral, para estágios e corridas, também são por conta dos próprios», revela outro dos corredores contatados pelo nosso jornal. 
 

A possibilidade de os ciclistas passarem a vincular-se como trabalhadores por conta de outrem - a maioria, está a recibos verdes -, correspondendo a proposta da Federação Portuguesa de Ciclismo, também não é do agrado dos mesmos, pela maior carga fiscal inerente, de que estão isentos ou praticamente face aos vencimentos baixos auferidos.
 

Um dirigente de uma equipa justificou o incumprimento salarial com os efeitos da inflação, que quase duplicaram algumas despesas já antes avultadas. 

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