Como Ramalho e Pimenta ganharam ouro na primeira vez que remaram juntos

Canoagem 03.10.2022 10:58
Por Célia Lourenço

Diz a lenda local que o Lima é o rio do esquecimento, mas para as milhares de pessoas que se perfilaram nas margens e sobre a icónica ponte velha e, sobretudo, para José Ramalho e Fernando Pimenta, o último dia do Mundial de maratonas de Ponte de Lima será inesquecível. Conquistaram o ouro em K2 na primeira competição internacional em que aliaram pagaias e foi com um «conseguimos!» gritado em uníssono que cortaram a linha de chegada dos 29,8 quilómetros, ao fim de 1:58.04,39 horas, destacados da concorrência.


«Passada a última portagem, a caminho da reta da meta, sabíamos que a vitória era nossa», começou por contar a A BOLA José Ramalho, sete vezes campeão europeu e três vice mundial que, ontem, conseguiu o metal precioso nas distâncias longas que perseguia há muito.


«Esta foi a nossa primeira prova internacional como dupla, mas chegámos muito bem treinados e ao longo da regata fomos ganhando confiança, crescendo enquanto dupla. Fomos mais fortes», analisou o canoísta de 40 anos. «As pessoas a gritarem ‘Portugal, Portugal!’ quando estávamos a chegar encheram-nos de energia. Os gestos de carinho com que nos brindaram a cada portagem e nas margens eram dignos de um filme», sublinhou o canoísta.


E foi esse o sentimento que Pimenta quis proporcionar a cada pagaiada à memória do avô, de quem se despediu em vida na sexta-feira. «Apesar da tristeza, tive de focar-me naquilo que podia controlar. Hoje [ontem] tinha de honrar o meu compromisso com ele e com o meu treinador e competir. Nunca mais vou esquecer este dia», reforçou o limiano que há dez anos não competia em maratonas, pois é nas regatas em linha que conquistou a maior parte das 123 medalhas internacionais, 15 delas esta temporada.


Pimenta juntou duas medalhas de ouro - ganhara a short race na jornada inaugural - a outras tantas de prata e uma de bronze nos Mundiais de velocidade, às três (ouro, prata e bronze) do Europeu e às sete em Taças do Mundo. Motivos mais do que suficientes para deixar o vice-campeão olímpico de K2 1000 e bronze em K1 1000 confortado.


«Foram feitos inéditos depois de uma época em que vi o ouro mundial escapar por milésimas e nos 5000 parti o leme e tive de desistir. Fiz mais sacrifício de prolongar a temporada para me preparar e competir na minha terra natal. Foi intenso, mas valeu a pena porque ganhei e retribuí a toda esta gente que andou quilómetros para me apoiar», rematou.

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