Antigo internacional brasileiro assume bissexualidade

Brasil 25.06.2022 09:45
Por Redação

Richarlyson, de 39 anos, antigo internacional brasileiro, revelou ser bissexual no podcast 'Nos Armários dos Vestiários´, no primeiro de dez episódios da série brasileira sobre homofobia e machismo dentro de vários espaços do futebol.

«Perguntam-me sempre se sou gay. Já me relacionei com homens e com mulheres. Agora falo aqui e daqui a pouco sai a notícia: 'Richarlyson é bissexual'. Eu sou normal, tenho vontades e desejos. Vai-se escrever sobre isto, mas o mais importante não vai mudar, que é a questão da homofobia. Infelizmente, o mundo não está preparado para ter essa discussão e lidar com naturalidade com isto», realçou.


O brasileiro deixou claro porque é que decidiu revelar a sua orientação sexual: «Agora quero ver se realmente vai melhorar alguma coisa. O Brasil é o país que mais mata homossexuais. Ser homossexual não é demérito para ninguém e no futebol não deveria ser um assunto tão polémico. Os próprios jogadores têm que se posicionar melhor sobre a situação, especialmente os heterossexuais. Não é questão de vestir a camisola com um arco-íris. É, quando acontecer essa situação de homofobia, sair de campo.»

O antigo jogador disse ter sentido na pele mais exigência por parte dos adeptos, mas, ainda assim, nunca deixou de viver como queria e usava roupas com brilhos e cores extravagantes como protesto silencioso: «Sempre fui eu. Queria que, independentemente do que falassem, viver a minha vida, faria o que me desse prazer. As críticas quando falhava eram desproporcionais.»
 

Sobre o apoio familiar, Richarlyson foi claro: «Só falei abertamente com a minha mãe sobre a minha sexualidade. O meu pai [o ex-avançado Lela] e o meu irmão [avançado Alecsandro, que passou pelo Sporting, em 2007, cedido pelo Cruzeiro] vão saber pelo podcast. Nunca me questionaram, nem me olharam de lado. Às vezes brinco e digo que tudo aquilo que sou hoje é porque em casa tive uma formação totalmente rígida na questão de educação e respeito, mas acima de tudo com uma clareza e naturalidade para enfrentar o que quisesse, da forma que eu visse, não da forma que o meu pai, a minha mãe ou o meu irmão vissem.»


Em 2007, o então dirigente do Palmeiras José Cyrillo Júnior insinuou publicamente que Richarlyson era gay e o antigo jogador avançou com uma queixa em tribunal, que acabou por ser indeferida, com uma decisão surpreendente. O juiz do caso, Manoel Maximiniano Junqueira Filho, arquivou o processo alegando que não seria razoável aceitar homossexuais no futebol brasileiro porque prejudicaria o pensamento da equipa e, na sentença, realçou que o futebol é coisa para machos e não para homossexuais.

«Isso deixou-me muito triste, mas nunca deixei que isso atrapalhasse o que eu quero para a minha vida, nem uma frase, palavra, discussão ou alguém com mente fechada, que tentou de forma vulgar maltratar uma classe.  Nunca fui craque, nem tecnicamente incrível, mas era inteligente em saber o que poderia fazer para estar sempre à frente dos demais», salientou.


No Brasil, Richarlysson representou São Luiz, Ituano, Santo André, Fortaleza, São Paulo, Atlético Mineiro, Vitória, Chapecoense, Grêmio Novorizontino, Guarani, Cianorte, Campinense, América do Rio de Janeiro e, na época passada, o Noroeste. No estrangeiro fez uma época na Áustria, no Red Bull Salzburgo (2003/2004) e na Índia, onde representou o FC Goa (2017). Chegou à seleção do Brasil em 2008, pela mão de Dunga, somando apenas duas internacionalizações junto de Júlio César, Luisão, Robinho, Dani Alves e Marcelo.

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