Relatório sobre final do Euro-2020 diz que vitória inglesa teria tido «consequências mais graves»

Inglaterra 03-12-2021 15:16
Por Redação

O relatório da análise ao que correu mal no estádio de Wembley na final do Euro-2020, a 11 de julho, entre Inglaterra e Itália, fala em «dia de vergonha nacional» e é extremamente crítico, referindo-se mesmo que as coisas poderiam ter sido piores no caso da vitória da Inglaterra.

 

A avaliação de Louise Casey fala em «falha coletiva» na planificação da final, sendo que pelo menos duas mil pessoas forçaram entrada no estádio sem bilhete, tendo sido detetados 17 pontos de acesso indevido entre saídas e emergência e vias dedicadas a mobilidade condicionada. O facto público de que o estádio não estaria na sua capacidade total – cerca de 25 mil lugares vazios em 90 mil, levou também à invasão.

 

O relatório refere falta de treino dos stewards, em parte devido ao contexto de pandemia, e resposta tardia das forças policiais.

 

«Os nossos jogadores chegaram a uma final pela primeira vez em 55 anos, mas viram-se confrontados com a presença de centenas de pessoas bêbadas, drogadas e sem bilhete, que abusaram do staff, de voluntários e até da polícia. Tivemos sorte por as coisas não terem sido mais graves», diz o relatório de Casey, que aponta que para um jogo marcado para as 20 horas, centenas de pessoas começaram a reunir-se à volta do estádio logo de manhã, sem nenhum controlo.

 

E «mais graves» poderia mesmo ter acontecido, diz, em caso de vitória da Inglaterra. «A maior responsabilidade é daqueles que naquele dia perderam o controlo do seu próprio comportamento. Mas no caso de vitória de Inglaterra haveria um maior risco para a segurança pública, uma vez que cerca de seis mil pessoas planeavam invadir o estádio no final para celebrar, quando as portas se abrissem para os espectadores saírem», aponta ainda.

 

Sublinha-se que entre algumas pessoas da organização se sentiu um certo alívio por a Itália ter ganhado: «Choveu e as pessoas dispersaram. Mas não devemos ignorar quão perto estivemos da alternativa. A nossa seleção não merecia.»    

O documento aborda também o abuso racial de que foram alvo Rashford, Sancho e Saka (que falharam as suas penalidades) e tem várias recomendações, entre elas «mudar a cultura em torno daqueles que consideram correto insultar jogadores ou forçar entradas». As autoridades devem controlar melhor  os adeptos nas imediações dos estádios.

 

A polícia referiu que naquele dia foram feitas 51 detenções, 26 delas junto a Wembley. No total, relacionadas com o Euro, 96 pessoas foram detidas.  

 

A Inglaterra foi condenada a fazer um jogo à porta fechada e a uma multa de 100 mil euros pela UEFA.

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