A Turquia ao raio-X: Revolução alemã em marcha

Turquia 26-11-2021 18:24
Por Nuno Pedro Fernandes

O primeiro adversário destinado a Portugal no play-off de acesso ao Mundial 2022, a Turquia, é uma equipa em reconstrução sob as ordens do alemão Stefan Kuntz, que sucedeu ao turco Senol Gunes (32 jogos ao comando das Estrelas Crescentes).

 

O antigo ponta-de-lança de Bochum, Kaiserslautern, Besiktas e Arminia Bielefeld, entre outros (179 golos em 449 jogos na Bundesliga), atualmente com 59 anos de idade, depois de ter treinado, antes de nova aventura turca, as seleções sub-21 e sub-23 da Alemanha, estreou-se a 8 de outubro, com um empate em casa, 1-1, diante da Noruega, tendo depois embalado os turcos para três vitórias consecutivas: Lituânia, fora (1-2), Gibraltar, casa (6-0) e Montenegro, fora (1-2).

 

Taticamente, o alemão não abdica de uma defesa clássica, a quatro unidades – dois laterais e dois centrais – em detrimento do sistema de três centrais tão em voga nos dias de hoje, absorvido por vários treinadores depois do sucesso de, por exemplo, Antonio Conte, ao conduzir o Chelsea à conquista da Premier League, na época 2016/17, com direito a recorde de triunfos no campeonato inglês: 30 em 38 jogos.

 

Começou por utilizar um 4x1x4x1, nos dois jogos iniciais (Noruega e Lituânia) mas passou para um 4x4x2, com doble pivote ligeiramente recuado (recorde-se, por exemplo, Falcão/Toninho Cerezo no Brasil da década de 80 ou Patrick Vieira/Emmanuel Petit na França campeã do Mundo), esquema em que terminou a fase de grupos, diante de Gibraltar e Montenegro.

 

Apesar da mudança técnica, falando de números, a Turquia não conseguiu inverter o curso dos acontecimentos no Grupo G e terminou em 2.º lugar, com um total de 21 pontos em 10 jogos, menos dois que o líder Países Baixos (23), de Louis van Gaal, diretamente apurado para o Campeonato do Mundo.

 

Em termos individuais, a Turquia é uma equipa que se apoia desde logo na voz de comando do seu guarda-redes, Ugurcan Çakir, de 25 anos (17M€), capitão do atual líder da liga nacional, Trabzonspor.

 

Daí para a frente, surge um quarteto defensivo de impor respeito, com uma dupla de centrais impressionante, composta por Çaglar Soyuncu, de 25 anos, uma das estrelas da equipa (titularíssimo no Leicester de Brendan Rodgers e atualmente avaliado nuns modestos 45 milhões de euros) ao lado de Merih Demiral, da Atalanta (28M€). Nos flancos, a equipa inclina-se para a direita, onde conta com a pujança de Zeki Celik, lateral-direito de 24 anos do Lille (20M€) e/ou Mert Muldur, 22 anos, da Salernitana, enquanto a ala esquerda, sem estrelas em ascensão, continua entregue, preferencialmente, à experiência de Çaner Erkin, de 33 anos.

 

A meio-campo, as opções de Kuntz passam, indiscutivelmente pela criatividade de uma das suas maiores estrelas, Hakan Çalhanoglu, médio-ofensivo de 27 anos do Inter de Milão (30M€), sem esquecer a solidez defensiva proporcionada por médios centrais como Orkun Kocku (Feyenoord) e, à falta do lesionado Ozan Tufan (Watford), Berat Ozdemir, figura de proa no Trabzonspor e Berkan Kutlu, do Galatasaray. O lado esquerdo pertence a Kerem Akturcoglu, 23 anos, extremo do Galatasaray e, à direita, surge o talentoso Çengiz Under, de 23 anos, cedido pela Roma de José Mourinho aos gauleses do Marselha: cinco golos em 15 jogos divididos por 1.214 minutos.

 

Quanto à frente de ataque e aos golos, a ameaça maior é Burak Yilmaz, capitão, de 36 anos, que atua no Lille dos portugueses José Fonte, Tiago Djaló, Xeka e Renato Sanches, que regista o suporte, ao seu lado, do jovem Dervsioglu, de 21 anos, atacante do Galatasaray, sobrando alternativas experientes como Renan Karaman, turco nascido na Alemanha atualmente ao serviço do Besiktas, e Serdar Dursun (Galatasaray).

 

Por fim, o fator história neste duelo, que tem sempre o seu peso: a Seleção das quinas defrontou a Turquia em oito ocasiões, três das quais em particulares e cinco a doer, tendo ganho seis jogos e perdido apenas dois, ambos amigáveis: o primeiro, em 1955, em solo otomano (3-1) e o último, um amigável, em 2012, na Luz (1-3). No outro jogo particular, Portugal ganhou e nos cinco encontros para competições oficiais, a equipa das quinas derrotou sempre este adversário.

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