«Um guarda-redes não tem idade»

Famalicão 18-11-2021 08:26
Por Carlos Vara

Aos 20 anos, Luiz Júnior é o guarda-redes titular mais novo da Liga. É também uma das sensações do campeonato, atendendo sobretudo ao percurso singular: há quatro anos jogava futebol de rua num município do estado de São Paulo e estava muito longe de imaginar que Famalicão seria o seu destino.


- Ser o guarda-redes mais novo titular na Liga principal dá-lhe alguma sensação especial, algum frisson?
- Aqui no Famalicão não existe um guarda-redes titular, tanto eu como o Dalberson e o Zlobin trabalhamos para merecer a baliza. E na verdade acho que não há uma idade certa para ser guarda-redes. Durante os treinos cada um tenta mostrar o seu potencial e as suas características e no fim o treinador seleciona quem deve jogar. Portanto, qualquer idade é a idade certa para ser guarda-redes.

- Começou a ganhar cedo vocação para as balizas ou  foi jogando noutras posições?
- Não, não, sempre me dediquei à baliza, o meu tio sempre me incentivou a isso. Ele gostava muito do Marcos, histórico guarda-redes do Palmeiras, e a minha ligação ao futebol e aos guarda-redes vem daí.

- A propósito, o Brasil está com uma boa escola. Alisson e Ederson estão entre os melhores...
- O Brasil sempre foi uma máquina de construir bons guarda-redes, mas reconheço que estamos agora numa fase muito boa.

- Aprecia as características de alguém em especial?
- Gosto muito do Ederson, especialmente por causa do jogo de pés.

- E antes dele? Taffarel, Dida...
- Tanto eles como o Marcos são mais antigos para mim. Olho mais para o Marcos por questões familiares, ele era um ídolo. Nunca tive contacto direto com ele, mas ainda consegui ver alguns jogos dele no Palmeiras.

- A propósito da admiração por Ederson. Treina muito com os pés?
- Treinamos bastante para tentar melhorar a cada dia que passa. Nunca senti grande dificuldade nesse aspeto, mas dia a dia vou melhorando. Não sinto que tenha as qualidades de um jogador de campo, mas tenho aperfeiçoado a minha técnica.

- O escrete é objetivo?
- Fui convocado uma vez para os treinos dos sub-20 mas não consegui ir. Mas continuo a pensar nisso e estar a jogar no Famalicão pode tornar as coisas mais fáceis. Continuo a trabalhar para isso. Quanto mais se trabalha mais longe se pode chegar e eu quero chegar ao topo, sou muito focado nisso.

- É guarda-redes que ambiciona marcar  ou foca-se no essencial?
- Sim, tenho esse desejo. Contra o Vizela e o Sporting já aconteceu ir à área. Se for para ajudar a equipa a gente tenta sempre fazer um pouco de tudo e se tiver que subir eu subo. No empate com o Vizela, ao minuto 90+8, eu estava na zona do golo mas que marcou foi o Batubinsika…

- Toma você a iniciativa de ir à área adversária ou recebe uma ordem do banco de suplentes?
- Depende do resultado… Normalmente falo com o mister, peço a autorização  e se e me mandar subir, vou. Se disser não, fico na baliza.

- A sua melhor defesa?
- No meu primeiro jogo na Liga contra o Sporting defendi um penálti [a remate de Nuno Santos]. Mas guardo também a defesa a um livre do Lincoln no jogo com o Santa Clara, pois ele é muito bom nos livres.  Há outras boas intervenções, mas pela carga que a defesa contra o Sporting teve, escolho essa.

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa ou na edição digital de A BOLA 
 

 

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