Rússia bate Portugal (4-3) nos Europeus em maratona de cinco horas

Snooker 16-10-2021 18:32
Por António Barroso

Intenso jogo de snooker no capítulo técnico-tático, com Portugal, por Diogo Badalo e Henrique Correia a olhar nos olhos uma Rússia com o vice-campeão europeu, Ivan Kakovskii - e Andrei Karasov - e a liderar sempre o marcador (2-0, 3-2) - terminou com Henrique Correia, de 55 anos, lavado em lágrimas, ao ver fugir-lhe por entre os dedos a vitória pela qual tanto porfiaram nos ‘oitavos’ da prova de Equipas Seniores dos ESC Online Campeonatos Europeus de Snooker, mesmo na última bola sobre a mesa, a preta (3-4), este sábado.

 

 

O aplauso de pé de todos os (muitos) presentes na sala aos gladiadores do taco que, durante mais de 5 horas, dignificaram a Rússia e Portugal, ante a explosão de Henrique Correia, a tentar sem êxito segurar sentidas lágrimas, resume o sentimento: o esforço e o suor ficaram lá, a par do brio, de um e outro lado, com a pontinha da felicidade a beneficiar quem, no balanço geral menos fez por ela mas foi mais frio e teve todo o mérito na hora da decisão: os dois jovens russos (20 e 22 anos).

 

Foram cinco horas de titânica batalha mental, teórica e prática - quando se percebeu que Henrique Correia, de Viana do Castelo, com 55 anos, um campeão da Europa de pool que até no snooker dá cartas, não conseguiu contar a emoção e a frustração de ver o seu Portugal dar tudo e não ser recompensado.

 

O desporto é cruel e momentos dramáticos são recorrentes. Se Portugal venceu Israel num jogo que terminou às 2 da manhã (3-2) na fase de grupos, e também teve um desempate só com bola preta na mesa durante uma hora, na sexta-feira, em que acabou a Bélgica por ficar pelo caminho, agora teve consigo o infortúnio.

 

É muito duro perder assim, quando se tinha a chave dos ‘quartos’ na mão. Portugal, com Diogo Badalo a carburar com Henrique Correia. Até na ‘negra’ a vitória esteve matematicamente assegurada.

 

Kakovskii precisava de três faltas, além de limpar as três bolas na mesa (azul, rosa e preta). Depois de Correia ter tido duas chances em azuis para um dos buracos do meio e de uma caprichosa rosa que teimou em não ir dormir na rede da calha do buraco, acabou sempre com a branca (muitíssimo bem) escondida e a fazer as faltas que o russo precisava, para vencerem na preta (3-4).

 

Ficou a Equipa Portugal em nono lugar, mas com o que fez (e mereceu) que vibrassem a seu lado na sexta-feira e este sábado, Henrique Correia e Diogo Badalo, quais árvores, caíram de pé e podem, um dia, contar a netos que ficaram em 9.º lugar nuns Europeus de Snooker (prova de Equipas Seniores).

 

Foram muito além do imaginável, e a cara dos russos que assistiam ao duelo dizia tudo: ainda estão por saber como, estoicamente, acabaram por ganhar, pois estiveram sempre muito mais próximos do abismo do que quem lá acabou por cair sem glória: Portugal. Honra aos vencidos.

 

«Demos tudo por Portugal, lutámos numa madrugada para vencer Israel, depois drama no desempate só com bola preta e agora mais esta desilusão. A sorte nada quis connosco, mas o jogo é assim», disse a A BOLA Diogo Badalo,

 

Henrique Correia estava inconformado. «Boa sorte aos russos, a sorte acompanhou-os, não consegui fechar o jogo. Esta doeu, mas é mesmo assim. Merecíamos mais. Aquela bola rosa que não quis entrar no meio, caprichosa, percebi que não era para ser. Mas tentei. É preferível do que não o fazer e ficar a pensar como teria sido não arriscando», disse o português ontem mais abraçado nos Salgados. E que merece o reconhecimento do País inteiro.

 

André Santos arbitra final de Equipas Seniores

 

Com os quartos de final das provas de Equipas Masculinas, Femininas e Seniores (jogadores com mais de 40 anos) a concluírem-se este sábado nos Salgados, domingo jogam-se meias-finais dos três últimos eventos (10 horas) e as três últimas finais, às 14 horas.

 

Após os belgas Ben Mertens (sub-18) e Wendy Jans (Femininos), dos galeses Dylan Emery (sub-21) e Darren Morgan (Seniores), do estónio Andres Petrov (‘Seis Vermelhas) e do inglês Oliver Brown (Masculinos), após seis campeões europeus os ESC Online Campeonatos Europeus de Snooker vão consagrar domingo, último dos 17 dias da prova que começou no dia 2 no VidaMar Resort Hotel Algarve, os três últimos campeões da Europa, nas provas por Equipas – Seniores (mais de 40 anos), Masculinos e Femininos.

 

E se não haverá portugueses a competir, dois estarão à mesa: o lacobrigense André Santos, de 29 anos – árbitro de Classe 2, que dirigiu a final da prova principal no Euro-2020, também em Albufeira - vai dirigir a final de Equipas Seniores, assistido pela compatriota Filipa Lourenço, de 30 anos.

 

Uma honra para a arbitragem nacional, e cortesia da European Billiards and Snooker Association (EBSA) e da Federação Portuguesa de Bilhar, organizadoras da prova, com Portugal. Recorde-se que Miguel Santos também já dirigiu a final da prova de Singulares Femininos neste Euro-2021.

 

«É sempre uma responsabilidade e uma honra. Procurarei retribuir a confiança que em mim foi depositada e passar despercebido, que é sempre o objetivo principal de um árbitro», disse André Santos a A BOLA.

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