«Dez anos de validade do BI deve ser o que ainda tenho para estar cá»

Futebol 14-10-2021 09:40
Por Irene Palma

Nasceu em Mogofores. Deu nas vistas no Anadia e foi até Coimbra no tempo em que o mundo era mostrado a preto e branco. Em Lisboa encontrou a Luz que o iluminou sempre. De jogador a treinador. 75 anos de vida e um amor incondicional ao futebol onde ganhou o respeito de todos. Fomos até ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, para de lá falarmos desta vida recheada de emoções. E valeu a pena...
 

Foi na capital de Portugal que se projetou para o mundo. O que é que ainda há daquele menino da Eira, em Mogofores?


- Nunca me esqueço das minhas origens e embora eu tenha quase 52 anos de vida em Lisboa, as origens nunca são esquecidas, pois é essa a terra dos meus avós, dos meus bisavós e dos meus pais. As minhas raízes estarão sempre ligadas a Mogofores. Lisboa foi um trajeto que aconteceu na minha vida como foi Coimbra, que antecedeu a minha vinda para cá. Todos estes anos na capital levam-me a gostar desta cidade bonita, que nos prende e nos agarra. Mogofores está sempre no meu coração. Isso nunca posso renegar.


- Que sonhos é que tinha o menino nascido em Mogofores que o levaram a sair e a conquistar o mundo?


- O sonho de tantos daquela geração, num Portugal obscuro da época. Um menino que numa aldeia do interior, a 30 quilómetros do litoral, tinha escola para rapazes e para raparigas. Nessa altura era extraordinário, num país que vivia num grande analfabetismo. Depois foi o jogar na rua. O acabar a escola e irmos jogar 5 contra 5, com as sacolas a servir de baliza. Esse foi o meu ritual durante anos, até que apareceu a parte mais séria do Anadia, da Académica e do Benfica.


- Quando é que o Toni se transforma no «Toni do Benfica»?


- Quando se chega a um clube com a dimensão do Benfica, que vai de Portugal ao Mundo. Quando se faz parte da história de um clube desta dimensão… Foram mais de 34 anos no Benfica, em diversas funções. Como jogador, treinador-adjunto, treinador principal e diretor desportivo. O Toni do Benfica não tem preço. Enche-me de orgulho. O meu nome é António José da Conceição Oliveira e ninguém associa esse nome a mim.  Ser o Toni do Benfica é algo que me deixa profundamente orgulhoso.  Não sou do Benfica desde pequenino. O meu clube de infância era o Belenenses. O meu pai era do Belenenses. O que acontece é que depois tu entregas-te à causa com rigor e profissionalismo. Penso que foi essa entrega que acabou por fazer com que eu ganhasse esse respeito e admiração, que se traduz no Toni do Benfica.


- Nesta fase das bodas de diamante, que balanço faz?


- Já não olho para o bilhete de identidade. Renovei-o e agora acho que tem a validade de dez anos. Devem ser os dez que ainda tenho para estar por cá. Felizmente ainda tenho saúde e sei os anos que faço, mas não fico atrapalhado. Não me assusta o fazer anos, desde que mantenha a qualidade de vida, no que diz respeito à saúde. Mesmo com uns dribles que tive de fazer [à minha saúde] não tenho medo.
 

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