Lenda de Calero chega a Portugal

Gil Vicente 02-09-2021 10:04
Por Pedro Cadima

Juan Calero, ponta de lança de 22 anos, emprestado pelos mexicanos do Mineros de Zacatecas, foi o último reforço do Gil Vicente sobre o fecho do mercado. Não foi o esperado reforço para a baliza, posto para o qual os galos ainda vão ter de deslindar no mercado um ativo livre, mas Calero é um avançado que arrasta consigo uma história fantástica e um inapagável peso no apelido. Vocação para a baliza também a teve até aos 10 anos, mas foi contratado para marcar graças a uma ficha de 15 golos em 49 jogos pelo conjunto da 2.ª Divisão do México.

O seu pai, falecido em 2012, com 41 anos, foi Miguel Calero, El Condor ou El Show, homem de invariáveis alcunhas pela sua espetacularidade e imponência e um dos mais icónicos guarda-redes da história do futebol colombiano - 50 internacionalizações num período em que a baliza era disputada entre ele Higuita, Córdoba e Mondrágon - lenda absoluta no Pachuca e por todo o futebol mexicano face às 12 épocas cumpridas no clube azteca.

Conhecido pelo seu boné de basebol e uma bandana, Calero desenhou a sua reputação de El Condor, gravando duas asas em redor do seu número 1. Apesar de ter nascido na Colômbia e ter passado por Deportivo Cali e Atlético Nacional, foi no México que ganhou um estatuto superior e uma aura gigantesca, respeitadíssimo. Um ganhador e um lindo sonhador, assim o definem… Se fosse vivo teria feito 50 anos no passado 14 de abril - dia do guarda-redes na Colômbia, em sua honra. Tinha 14 anos quando o pai morreu um ano depois de retirar-se, vítima de duas consecutivas tromboses. Um sentimento de perda terrível em todos os que privaram com ele. Foi uma das mortes mais choradas e o Pachuca organizou a volta olímpica do caixão no recinto, rodeado pelos troféus que conquistara.


Calero não será o substituto de Kritciuk, transferido para o Zenit, vem preencher uma lacuna que subsistia no ataque face à falta de dianteiros centro. «Quis ser guarda-redes por toda a admiração ao meu pai, mas foi ele, nos meus 10 anos, que me disse que devia ser avançado», chegou a explicar Juan José,  agora fã de Falcao - dizem que está dividido entre a Colômbia e o México, apesar de já ter jogado pelas seleções jovens cafeteras. Concretiza, agora, aquele que é partilhado como o grande sonho de Miguel, de ver o seu filho chegar e triunfar na Europa. Cada passo que Juan José consegue dar é feito com o pai na mente e essa força está presente nesta vinda para Portugal.


Miguel Calero, homem de muitos impossíveis, travou três penáltis no mesmo jogo de Palermo, tentará levar desde os céus a sua celestial inspiração aos galos. Quem o recorda sabe como ele era decisivo e esmagador na ocupação da baliza, capaz de subir à área contrária e marcar golos, ao melhor estilo sul-americano. Era considerado mestre em jogadas acrobáticas e elogiado como o melhor cabeceador das suas equipas. Juan Calero, estreado pelo Pachuca com 16 anos, três anos após a morte do pai, também terá estas virtudes genéticas, o galo suspira por elas.


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