«Nem Deus agradou a todos, daí vai o Abel Ferreira agradar? Impossível»

Palmeiras 28-03-2021 21:19
Por Bruno Andrade e Irene Palma

Em apenas quatro meses no futebol brasileiro, Abel Ferreira levou o Palmeiras ao título da Taça Libertadores e também da Taça do Brasil. Ainda assim, houve quem discutisse a qualidade do trabalho do treinador português.

«Em relação a isso [críticas], sou muito pragmático. Infelizmente, nem Deus agradou a todos, daí vai um individuo chamado Abel Ferreira agradar? Impossível. No Brasil, França, Inglaterra, Espanha, o que acontece é: se joga muito no tiki-taka, é porque joga no tiki-taka, não se faz um futebol mais direto. Se a equipa é muito intensa e competitiva, é porque é muito intensa e competitiva, então não joga nada. Se uma equipa só ganha, é porque só ganha. Se uma equipa só ganha nos últimos minutos, vão falar que é sorte, que não há trabalho», desabafou Abel, em entrevista exclusiva a A BOLA.

«Um treinador e uma equipa vivem de resultados, e temos que saber onde estamos, o tempo que temos para treinar e percebermos que durante quatro meses tivemos exibições fantásticas, contra o Athletico Paranaense (3-0, no Brasileirão), contra o Corinthians (4-0, no Brasileirão) e também contra o River Plate (3-0, na Libertadores) – que, em termos de jogo jogado, não foi espetacular, achei que foi um jogo tático, um jogo em que tínhamos de ser altamente inteligentes, visto que o nosso adversário era melhor, tinha melhores jogadores e melhor treinador. Dizer isso não é fraqueza, é uma virtude. Nós tínhamos a nossa possibilidade, por isso o futebol é mágico», completou.

Para defender a curta - e vitoriosa - campanha no Palmeiras, Abel recordou ainda que os dirigentes do clube, quando foram buscá-lo nos gregos do PAOK, não cobraram conquistas.

«Não prometi títulos, prometi trabalho e dedicação, e prometi valorizar os jogadores que tínhamos na formação. E mais: o Palmeiras também não me exigiu títulos. Exigiram que os adeptos se vissem na forma de jogar da equipa. Falo sempre que, no Brasil, não competimos sozinhos, os adversários ganham tanto ou mais do que nós, competem para os mesmos objetivos, com o mesmo material. O Brasil tem um campeonato extremamente competitivo, muitas equipas lutam pelo mesmo», explicou.

Por fim, o treinador alviverde, que está de férias em Portugal e regressa ao Brasil para a semana, fez questão de ressaltar três pontos fundamentais para ter atingido o sucesso do outro lado do Atlântico: unidade, espírito competitivo e união.

«Já ouvi dizer que o Palmeiras já teve melhores plantéis do que este. Posso dizer que com melhores plantéis ou com melhores jogadores do ponto de vista individual nem sempre se ganha títulos. Ganhamos como equipa. Podemos
eventualmente não ter o melhor plantel e também o melhor treinador, não ter as melhores individualidades, mas este grupo conseguiu formar a melhor equipa, e para se ganhar no futebol é preciso ganhar em equipa. Mostramos unidade,
espirito competitivo e uma grande união», finalizou.

Leia na edição impressa de segunda-feira A BOLA a entrevista na íntegra

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