Drew Brees anuncia retirada

Futebol Americano 15-03-2021 18:45
Por Rui Miguel Melo

Aos 42 anos, Drew Brees anunciou a retirada da NFL, e o quarterback dos New Orleans Saints deixa de jogar futebol americano. Uma decisão comunicada esta segunda-feira, que não deixou de causar alguma surpresa. A última imagem de Brees na NFL acaba por ser sintomática. No relvado do Superdome, depois da derrota com os Tampa Bay Buccaneers (30-20), jogo que provocou a eliminação dos Saints. Brady encontrou-se com Brees e a família e atirou uma bola para o filho de Drew. «Parabéns, meu amigo por uma carreira incrível. Obrigado pela inspiração dentro e fora do campo. Ansioso para ver o que vem por aí», escreveu o QB dos Buccaneers a Brees, no Twitter.

 

 

Foi o epílogo de uma carreira na NFL que durou 21 anos, 15 deles em Nova Orleães, com um atleta a ser muito para uma cidade e uma organização muito mais do que um simples jogador. A vitória no Super Bowl de 2009, o único no palmarés dos Saints, foi o ponto alto na carreira.

 

«Depois de vinte anos na NFL e de 15 como um Saint, é tempo de me retirar do futebol americano. Todos os dias pus o meu esforço, coração e alma em ser quarterback. Até ao fim dei tudo o que tinha à organização dos Saints, a minha equipa e à grande cidade de Nova Orleães. Partilhámos grandes momentos juntos, muitos deles guardados nos nossos corações, e serão sempre parte de nós. Vocês inspiraram-me e deram uma vida de memórias. Retiro-me do futebol americano, mas não me vou retirar de Nova Orleães», contou Drew Brees, esta segunda-feira, nas redes sociais.

 

Brees entrou na NFL em 2001, mas foi a apenas a 32.ª escolha do draft. Começou nos San Diego Chargers e ingressou nos Saints em 2006. Ao todo foram 305 jogos, vinte épocas e duas equipas. Brees retira-se como o jogador com mais jardas conquistadas em passes na Liga (80 358). Só Tom Brady provocou mais touchdowns do que ele.

 

Para a cidade, Drew Brees foi a solução que Nova Orleães precisava. O QB chegou ao estado do Louisiana depois do furacão Katrina. Morreram 1830 pessoas e Nova Orleães ficou destruída pelo furacão de grau 5, num dos maiores desastres naturais na história dos Estados Unidos. O desporto foi muito atingido. O pavilhão dos New Orleans Hornets ficou de tal forma arrasado que a equipa jogou as duas temporadas seguintes em Oklahoma. Mais tarde, Nova Orleães ganharia nova equipa, os Pelicans. Sobrava o futebol americano. A cidade abraçou os Saints, carregados por um jogador que os fazia sonhar, e o Superdome, o gigante estádio que recebera todos os desalojados do furacão, passou a ser um dos recintos com melhor média de espectadores, e uma das equipas com melhores audiências nacionais.

 

 

Brees quis devolver à cidade, e a Brees Dream Foundation, fundação criada pelo QB e pela mulher Brittany, passou a ajudar crianças com cancro e escolas na cidade. Segundo dados do site The Athletic, só em 2009, a fundação deu 1,8 milhões de dólares em donativos a 12 projetos da comunidade.

 

O peso de Drew Brees na equipa também provocou algumas polémicas. O movimento criado por Colin Kaepernick de se ajoelhar durante o hino americano em protesto contra a violência policial contra cidadãos negros ganhou ainda mais força na NFL. Brees foi contra. «Nunca vou concordar com alguém a desrespeitar a bandeira dos Estados Unidos», afirmou. Alguns colegas sentiram-se desiludidos e falaram de falta de apoio por parte do líder da equipa numa luta que era de todos. Brees esclareceu o que quis dizer num encontro virtual com todos os colegas.

 

Para a NFL é o fim de uma era. O presente (e futuro) é Patrick Mahomes, QB dos Chiefs. Resta Tom Brady, o GOAT, que já renovou pelos Buccaneers.

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