Vitória sobre o Covid nas lágrimas de ouro de Patrícia Mamona

Atletismo 08-03-2021 08:36
Por António Simões

Há mês e meio, Patrícia Mamona penava com Covid: «Sim, estive alguns dias de cama, levantar-me para ir à casa de banho custava, era um suplício». Torun era a sua quinta vez em Europeus de Pista Coberta - e se da edição de 2017 trouxera medalha de prata, da edição de 2019 trouxera o desencanto do pódio perdido por unha negra.

 

Para Torun partiu, pois, de coração agitado por esse «mês muito atribulado» - por entre o vírus e a quarentena. E, por isso, o que fez ontem, na final do triplo salto, não foi histórico apenas, foi fabuloso - e, por ter passado o que passou, após a certeza da conquista do título (por um centímetro), viveu na pista (sem que a TV o mostrasse) emoção em rebuliço, de lágrimas à solta (e, depois, no pódio, também não foi capaz de travá-las).

 

«A medalha de ouro, o recorde a 14,53, depois de um mês tão agreste (ou pior...), o que é que mostra para além do mais? Mostra a minha cabeça no seu melhor, o efeito da minha fome de vencer. Fome de provar que podia o que talvez não pudesse. Fome de querer sempre mais, querer melhor. Tendo trabalhado imenso, tive alguns entraves. Cada entrave dava-me vontade e razão para voltar mais forte. Comecei a ganhar confiança, com a qualificação fiquei contente e mais solta, mas não vou mentir: para mim, cada salto era uma surpresa…»

 

Já garantida campeã da Europa, Patrícia Mamona correu a galope para torço da bancada e recebeu a Bandeira de Portugal das mãos de José Uva, o seu treinador: «Felizmente, esta competição sorriu para mim. Tenho de agradecer especialmente ao prof. Uva, porque ele esteve sempre lá, a fazer-me acreditar em mim, nas minhas capacidades, bem como a algumas pessoas que me conhecem bem e sabem da história toda, que me apoiam a 100 por cento.»

 

Isso foi o que ela afirmou depois de ter estado deitada na pista, em choro convulso, aconchegada à bandeira que lhe chegara às mãos. Antes de lhe colocarem a medalha ao peito e de ouvir o hino (outra vez de lágrimas a bailarem-lhe nos olhos…) Patrícia ainda o revelou: «Se me dissessem há um mês que eu conseguiria estar aqui e ser campeã da Europa, não iria acreditar. Cheguei a equacionar nem sequer fazer pista coberta, já só estava a pensar no ar livre. Mal recuperei, senti que tinha de provar alguma coisa e nunca mais me saiu da cabeça essa ideia de que tinha de provar a mim própria que era capaz de dar a volta a isto. Sabia que tinha esta forma dentro de mim, o bicho saiu...»

 

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