Jackson conta momentos duros devido ao tornozelo: «Depois dos jogos eram dores impressionantes»

Futebol 24-02-2021 10:40
Por Pedro Cadima

Jackson Martínez deixou de jogar após anos de inenarráveis sacrifícios. As expressões de agonia durante e depois dos jogos e as noites mal dormidas, perseguido pelas dores insuportáveis num tornozelo. Ídolo do FC Porto, falhou em Madrid e viveu o horror na China. Não desistiu! Via Portimão. A luta por uma realização feita com incrível estofo de superação contada em entrevista a A BOLA.

 

- Estas últimas épocas em Portugal, de muitos sacrifícios, sabemos que jogava com dores mas nunca se deu por vencido. Não é habitual ver um jogador tão exposto à dor.  Foi uma aposta que deu frutos e o fez sentir feliz?
- O sacrifício deu frutos no sentido que me esforcei para dar o melhor de mim. Tinha estado dois anos sem jogar mas nunca deixei de tentar recuperar para voltar aos relvados. Foi algo realmente desgastante, um processo difícil, mas fez-me ver que podes dar sempre mais, mais do que realmente crês que podes conseguir dar. Essa foi a alegria, ter podido continuar a jogar. Foi isso que se sobrepôs às dificuldades que sentia e todos sabiam. Foi uma luta com os seus sacrifícios e não posso negar que teve os seus custos.


- Olhando para trás, quais foram os maiores tormentos e angústias que o assaltaram?
- As angústias foram variadas. Começava nas vezes que tinha de abandonar os treinos, porque tinha chegado ao meu limite e já não suportava mais a dor. Depois dos jogos eram dores impressionantes que me impediam de descansar bem. Sofria com muitas coisas que para o adepto podem ser invisíveis. Mas quem vive as coisas sabe o difícil que é. O que mais me abatia era perceber o esforço que eu punha na minha recuperação e ver que não melhorava substancialmente. Sei que fiz tudo o que estava nas minhas mãos. Podem imaginar como era duro um atleta de alta competição acordar com tantas dores durante a noite, ter que se levantar para minimizar algo e passado poucas horas sair de casa para outro dia de treino. Repetidas vezes. Depois de jogar um jogo, tinha de ficar dois ou três dias sem treinar ou uma semana completa.

- À parte do prestígio da passagem pelo FC Porto, do que fez na seleção da Colômbia, da aposta feita pelo Atlético de Madrid, Jackson foi, sobretudo, um jogador respeitado pelos adversários pelo jogo limpo e por toda a luta. Isso realiza-o?
- Depois de passar pela Colômbia, México e Portugal, onde tive os melhores momentos ao serviço do FC Porto, de estar num Mundial e marcar dois golos, de ir para o Atlético de Madrid, onde as coisas não me saíram tão bem... Não posso ter algo a apontar. Mesmo nos momentos mais infelizes, fui apoiado de forma notável. A qualidade de um jogador não se define por estar bem num clube e mal noutro. Define-se pelo que ele representa. Senti-me bem e respeitado. No futebol sempre vais encontrar adversários mal intencionados, isso faz parte, porque há várias classes de jogadores. Realizado claro que estou porque foram 15 anos. Para uns pode ser pouco, para outros muito. O importante é desfrutares de teres logrado as metas e sonhos que tinhas para cumprir. Esse é o meu caso, histórias menos boas para contar todos temos. Felizmente, tenho mais coisas agradáveis para contar.
 

Leia mais da entrevista a Jackson Martínez na edição impressa ou digital de A BOLA

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