O sonho desfeito do Fafe mas outros de pé para Rúben Marques e James Arthur

Fafe 15-01-2021 17:15
Por Pedro Cadima

O Fafe esteve com um pé nos quartos de final da Taça de Portugal e ficou a segundos de ver esse passaporte assegurar deslocação à Luz para embate com o Benfica. Apesar de há muito afastado das lides profissionais, o clube minhoto honra-se de pergaminhos na Taça de Portugal, por duas meias-finais nos setentas, ao que ainda soma duas presenças nos quartos de final, última das quais em 1999/00. Diante do Belenenses o sonho esfumou-se dramaticamente a segundos do apito final de Iancu Vasilica, já que um segundo penálti para os azuis confirmou a ida para prolongamento, onde a equipa da Liga teve mais frescura e bagagem. Mesmo deixando fugir um momento dourado, o Fafe deu suprema imagem da sua qualidade, ficando entregue a olhos superiores um cartão de mérito para outras andanças. Vários jogadores dos minhotos aproveitam a oportunidade com Carlos Freitas (26) a comandar a defesa, e os médios Rúben Marques (26) e James Arthur (22) a definirem com mestria o jogo a meio-campo. Para o médio português, que começou miúdo no Belenenses e fez quase toda a formação no Sporting, assistiu-se um confronto profundamente inglório.

 

Miguel Cardoso é um exemplo

 

«Deu para marcar a nossa qualidade e do clube. O jogo foi encarado por todos como uma potencial montra, mesmo para a equipa técnica que tem um forte objetivo de subir. É sabido que os jogadores de equipas teoricamente mais fracas, de patamares inferiores, tentam sempre galvanizar-se e fazer por sobressair com a ilusão de arranjar melhor contrato. Foi esse o objetivo, aliado ao gosto de defendermos as nossas cores», revelou Rúben Marques, de 26 anos, a cumprir a segunda época em Fafe, depois de carreira quase toda cumprida em redor de Lisboa. O médio era o rosto do desconsolo no final do tempo regulamentar, depois de ter visto o amigo Miguel Cardoso restabelecer o empate aos 90+5, no derradeiro minuto de compensação.

 

«Foi um forte sabor a injustiça, olhando aos 90 minutos que fizemos. Não posso dizer que estávamos a controlar, até porque ficou visto que o jogo se descontrolou para o nosso lado. Mas estávamos realmente confiantes que íamos passar. O Belenenses aproveitou algum demérito nosso e tirou partido de dois erros individuais para empatar. O primeiro penálti foi claro mas o segundo não pareceu e no balneário ao vermos as imagens ficamos realmente mais frustrados», reporta Rúben Marques, ambicioso em provar valor noutras esferas.

 

«Eu trabalho para alcançar outros objetivos. Estabeleço novos todas as épocas, outros são repetidos. Também foi importante encontrar do outro lado do campo o Miguel Cardoso, fomos companheiros no Real Massamá, na distrital. Ele é um exemplo pelo que trabalhou e pela sua qualidade. Acredito que também consigo lá chegar», frisa o médio, negando qualquer impulso para desconcentrar o atacante contrário.

 

«Não sou de perturbar ninguém, já conheço o Miguel de quando nos enfrentávamos em jogos entre Benfica e Sporting. Adversários mas amigos, é fácil separar as coisas. Falamos quando o jogo parava e claro que deu para trocar a camisola no túnel. Deu-me os parabéns pelo jogo e disse que a minha oportunidade ia chegar», realça Rúben Marques, que conviveu com Eric Dier, Carlos Mané, Bruma ou Iuri Medeiros na formação do Sporting.

 

«Tínhamos um pé no principal objetivo, mesmo depois de uma semana complicada com casos Covid. A vantagem ao intervalo, a forma como decorria a segunda parte ia dando confiança mas depois chega aquela altura que a última meia hora se parece que transforma em três horas. O tempo não passava e depois aquele penálti aos 87 muda tudo», desabafa o médio.

 

Lágrimas de James Arthur

 

James Arthur, de 22 anos, é um talento com nome expressivo, tão próximo da realeza britânica, mas é também um jovem com aspirações, na busca de um pedaço de glória, procurando largar os atalhos e reencontrar a estrada principal que o trouxe a Portugal para jogar nos sub-19 do FC Porto. Para o médio ganês, de inesgotável rotação diante do B. SAD, o jogo virou um tremendo pesadelo.

 

«Chorei muito no final. Foi difícil digerir tudo. A minha mãe viu um vídeo no whatsapp e ligou-me a saber o que tinha acontecido. Sabemos que são coisas do futebol. Tínhamos noção das dificuldades de enfrentar um adversário do primeiro escalão mas o Fafe fez um grande jogo e estava a fazer um grande resultado ao intervalo. A parte final do jogo foi dolorosa, estávamos cansados e o árbitro não fez o seu melhor», lamenta o médio ganês, ainda vencido pela incredulidade.

 

«Era um grande resultado para nós, estávamos a viver um grande momento e já contávamos defrontar o Benfica na Luz. Foi muito triste perder isso. A frustração tomou conta de todos porque o último penálti foi o que foi. Ninguém compreendeu aquela decisão. O árbitro puniu-nos muito», explica James Arthur, consciente das fatalidades adjacentes ao futebol.

 

«Quando se jogam estes jogos contra estas equipas, sabemos que temos de mostrar progressos. Em todos os jogos é preciso melhorar porque nunca sabemos quando estamos a ser observados e podemos ganhar um contrato. Todos estiveram muito bem no Fafe mas o futebol é assim, por vezes, muito injusto. Chorei muito», reiterou o ganês de 22 anos, que chegou a Portugal para defender o FC Porto nos sub-19.

 

«Nunca é fácil para um jovem africano vir para a Europa. Não sabia nada do país e muito menos da língua. Não entendia a maioria parte das coisas, hoje, sim, já entendo melhor o que os treinadores pretendem. Passei pelo Gil Vicente também. Isso torna o trabalho mais fácil. Era tudo diferente do Gana, desde o estilo de jogo aos campos. Não sabia o que era um relvado», reconhece James, que encheu o campo diante do B. SAD em recuperações  e transições, procurando alimentar-se de tudo o que significam para si Busquets e Arturo Vidal. Do FC  Porto ainda guarda referências. «Joguei com o Dalot, Moreto e Diego Leite, jogadores de altíssimo nível. O meu sonho é chegar noutros patamares e conhecer outros lugares», remata.

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