«Jesus e Mourinho são muito parecidos»

Futebol 25-12-2020 21:36
Por Redação

Jorge Silas concedeu uma entrevista à ESPN Brasil em que fala sobre a influência de José Mourinho e Jorge Jesus no seu percurso enquanto jogador. E como a aprendizagem com ambos o encorajou a enveredar pela carreira de treinador depois de pendurar as chuteiras.

 

Na época 2001/2002, coincidiu o antigo médio com Mourinho no UD Leiria, dava então o jovem treinador os primeiros passos como técnico principal, depois da estreia ao serviço do Benfica.

 

«Já dava para ver que era diferente de tudo o que eu tinha visto. A relação humana com o jogador e a parte tática dele são muito fortes. Ele e o Jesus são muito parecidos. Nunca tinha jogado na primeira divisão de Portugal e o Mourinho conhecia-me de Espanha porque era adjunto no Barcelona», recordou Silas, em alusão às passagens por AD Ceuta e Elche.

 

Entre 2006 e 2008, Silas foi orientado por Jorge Jesus no Belenenses.

 

«Lembro-me que quando Jesus chegou, eu liguei para o Renato – um amigo meu que tinha sido treinado por ele – para pedir informações. Ele respondeu: ‘O nível tático é tão bom ou melhor que o Mourinho’. Eu disse: ‘Tu és maluco, não acredito’. A verdade é que na primeira semana lembrei-me do que ele me tinha dito. Realmente, o míster disse-me coisas que nunca tinha ouvido antes, nunca tinha visto um treinador que me corrigisse tanto. Quando trabalhei com ele percebi que gostaria de ser treinador quando parasse de jogar. Ele inspirou-me e a muitos outros, como o Abel Ferreira [agora no Palmeiras]. Eu era um jogador muito técnico, mas via o jogo de forma muito individual. Passei a desfrutar do futebol a nível coletivo também», explicou Silas à ESPN Brasil, apontando a relação frontal com os jogadores como uma das grandes mais-valias do atual treinador do Benfica.

 

«Com ele, os jogadores tinham de perceber que as broncas não eram contra a pessoa, mas para ajudar. Alguns jogadores achavam que era algo pessoal ou que ele estava a implicar, mas não. Alguns não conseguem suportar porque a pressão é grande e ele exige concentração máxima em todos os momentos do treino. É muito direto na forma como fala e os mais fortes a nível psicológico evoluem muito com ele», sublinhou.

 

«O que mais gosto dele - e que adotei também na minha carreira - é o facto de ser um dos treinadores com quem mais falei sobre futebol. Por vezes, ele dizia-me para fazer algo e eu dizia-lhe para fazer algo diferente. Se conseguisse provar que a minha ideia era melhor, ele acatava. Não era nenhum ditador. Muitas vezes ele chegava no dia seguinte e dizia que tinha pensado naquilo que eu tinha dito, e experimentava. E não era menos treinador por isso, pelo contrário», notou Silas.

Ler Mais
Comentários (24)

Últimas Notícias