«Sinto-me traído!»

Ciclismo 03-12-2020 08:17
Por Fernando Emílio

O italiano Rinaldo Nocentini, 43 anos, retirado do ciclismo no final de 2019, após quatro épocas a representar o Sporting-Tavira, foi suspenso quatro anos por anomalias no passaporte biológico, pelo Tribunal Nacional Antidopagem Italiano (NADO). Além da suspensão, a vigorar de 30 de novembro de 2020 a 29 de novembro de 2024, serão anulados todos os resultados obtidos a partir de 1 de janeiro de 2018, data em que foi registada a primeira das três alterações, enquanto a ultima, ao que tudo indica, se deve ao não preenchimento do formulário do ADAMS (localização), que tem de ser efetuado ainda nos seis meses posteriores ao atleta terminar a atividade (foi certificada em dezembro) e que levou à aplicação da pena máxima.

 

As alegações apresentadas pelo corredor não foram consideradas válidas pelos peritos, sendo o processo enviado para o tribunal «por uso ou tentativa de uso de métodos proibidos».

 

«Estou a lutar com um fantasma, pois não há provas da minha má conduta», reagiu Nocentini ao castigo. «Estou desiludido. Não sei o que devo fazer para provar a minha honestidade. Pedi que todos os testes que fiz ao longo de 21 anos fossem verificados.  Para culpar uma pessoa são necessários factos concretos e não suspeitos. Aos 41 anos, porque recorreria a práticas proibidas? Elas não fazem parte do meu método de trabalho ou dos meus valores. Sinto-me traído por um desporto que tem sido a minha vida e que tenho enfrentado com seriedade, suportando muitos sacrifícios.»

 

Depois de afirmar que pretendia abandonar o ciclismo no final de 2018 e que só ficou mais um ano a pedido da equipa, ao que acedeu com a ambição de ajudar os jovens, o italiano dirigiu as críticas aos controlos antidopagem feitos no nosso País. «Vi todas as cores nos quatro anos que estive em Portugal. Em mais de uma ocasião, com os meus companheiros, estivemos para nos recusar a efetuar testes em situações pouco higiénicas ou decorosas, mas nunca passaram de algumas reclamações por medo que tudo corresse mal. Uma vez tiraram-me dois tubos de sangue e no final do teste entregaram-me um, dizendo que estava a mais e que podia ficar com ele de recordação. Outra vez tive de fazer o teste no esconso de um hotel, sob o argumento de não haver um quarto vago. Lembro-me que durante a Volta a Portugal fazia muito calor e sabíamos que os tubos não podiam ficar duas ou três horas ao ar, o tempo que demoravam a testar 4-5 equipas, a uma temperatura de quase 50 graus. Mas aconteceu. Já nos controlos a que fui submetido em casa, verificaram acertadamente a temperatura ambiente.»


Leia o artigo completo na edição impressa ou digital de A BOLA.

Ler Mais
Comentários (11)

Últimas Notícias