9 dias a testar a PlayStation 5: saiba o que esperar

Jogos 19-11-2020 15:20
Por Nuno Perestrelo

Foram meses e mais meses a ler sobre a PlayStation 5. Primeiro eram rumores de que a Sony estaria a estudar o desenvolvimento de uma nova consola, depois começou a falar-se de datas de lançamento, de especificações técnicas, etc. A expectativa foi-se instalando, sobretudo pelas promessas de avanços que os jogadores sempre pediram, como a retrocompatibilidade. Até que o dia chegou…

 

Em Portugal, estão à venda desde hoje as consolas de nova geração da Sony – boa sorte a quem for lançar-se à aventura de conseguir já uma! - e aqui n’A BOLA podemos finalmente dar a conhecer o fruto de 9 dias de utilização da consola de nova geração da Sony.

 

Bem sei que o leitor quer saber o que esperar da PlayStation 5, mas, admito, este texto foge um pouco à tradição jornalística de colocar a notícia à frente de tudo. E por uma razão: porque um avanço tecnológico como o lançamento de uma consola de nova geração é muito mais do que simplesmente carregar num botão e começar a jogar. Há toda a antecipação que se faz, as expectativas, as dúvidas…

 

Quando no dia 10 a campainha de casa tocou e um jovem entregador me estendeu uma caixa com 48 centímetros de comprimento, 45 de altura e 19 de espessura, imagino que ele não fizesse ideia do que estava prestes a passar-me para as mãos. Mas eu sabia e naquele momento senti-me a roçar o futuro.

 

Desde a primeira PlayStation que apesar de lançada em 1994 só comprei em 1998, fui passando alguns dos melhores momentos de descontração a jogar em cada uma das consolas da Sony (e noutras, como antes jogara no PC, num Commodore Amiga e no velhinho ZX Spectrum). Por isso, depois de tudo o que sabia da PS5 ainda antes de a ter nas mãos, confesso que aquele momento teve algo de solene. Tão solene que, ao contrário de abrir a caixa e instalar tudo a correr, decidi primeiro almoçar e só depois, com calma, me lançar à missão que haveria de consumir-me o resto do dia – já o sabia. Não serei o único, mas há no adiar de um prazer algo que o torna mais especial…

 

 

Ao abrir a caixa de transporte, lá dentro estava outra de dimensões idênticas, branca – como a PlayStation – coberta com uma tira deslizante que só depois de removida revelava a verdadeira caixa. E aqui deu-se o primeiro momento mágico: com o movimento dos nossos olhos, ou a inclinação da caixa, uma poderosa mensagem revela-se por baixo do logo do triângulo, bola, X e quadrado: «Play has no limits», a lembrar-nos de que nos jogos nem a imaginação é limite, pois há sempre algo de novo a surgir.

 

Ao fazer o unboxing, uma simplicidade fascinante: uma primeira caixa com cabos, comando e base de apoio. Em baixo a PlayStation 5. Gigante, branquinha, a pedir para saltar diretamente para o móvel da TV. Fiz-lhe a vontade, claro.

 

BOM COMEÇO. MAS, FAZ BARULHO?

 

O processo de montagem da consola é bastante simples e rápido, sobretudo para quem já tem experiência com modelos anteriores. Optei por deixá-la deitada, por uma questão prática, e o guia da instalação rapidamente me esclareceu sobre onde colocar o suporte que permite manter a ‘nave espacial’ direita.

 

Chegou então o desejado momento de ligá-la. Tudo como dantes? Cabo USB (fornecido na caixa) ligado ao controlador DualSense, carrega-se no botão PS e ‘voilá’. Faz-se luz. Literalmente. No ecrã e na consola. Uma luz branca, a condizer com o ar futurista da mesma.

 

O processo de configuração da PlayStation 5 é simples e intuitivo. Basta ir seguindo as instruções no ecrã, inserir os dados que são pedidos. Uma boa surpresa foi a possibilidade de importar os dados da PlayStation 4 de forma automática, bastando para tal ligá-la e esperar pela transferência – é dada a opção de copiar apenas a conta, a conta e dados guardados ou, ainda, instalar também jogos que estejam guardados na PS4. Notável!

 

 

Entretanto, já se passaram alguns minutos e há algo que começa a saltar à vista. Ou melhor, aos ouvidos. O barulho que a nova PlayStation 5 faz. Ou melhor, o barulho que a nova PlayStation 5 não faz! É incrível como um monstro de processamento como este, cheio de ventilação, pode ser tão silencioso. E por silencioso quero mesmo dizer… silencioso. Ter a PlayStation 5 ligada produz tanto ruído de funcionamento como tê-la desligada.

 

Durante o processo de configuração é ainda possível definir que aplicações queremos instalar (destaque para as principais de streaming, já incluindo o novo serviço Disney +) o que transforma a PlayStation 5 num ainda mais eficaz centro de entretenimento, mantendo a lógica já adotada na PS4.

 

Algo reforçado na versão que nos foi cedida para teste, pois inclui leitor de Blu-Ray, excelente para ver filmes em Blu-Ray e DVD, mas também para jogar a cópias físicas de jogos PS4 e PS5 – experimentei introduzir uma cópia de PS3 mas, como era já sabido, a retrocompatibilidade é apenas garantida para a geração anterior.

 

 

 

E ATÉ DÁ PARA JOGAR!

 

Vá, antes de chegar um exército de ofendidos a comentar que o ‘estagiário’ é burro e que é evidente que a PlayStation 5 foi feita precisamente para se jogar, vamos assumir que o subtítulo acima é uma piada e que tem por base precisamente todo o potencial de entretenimento da PlayStation 5. E jogar, meus amigos, é tudo o que vamos querer fazer a toda a hora com a nova PS5…

 

Com Astro’s Playroom pré-instalado, este será provavelmente o primeiro contacto da maioria dos jogadores com a PlayStation 5. Afinal, o jogo é uma espécie de cartão de visita e ao mesmo tempo uma demonstração das capacidades do novo DualSense, sobre o qual já escrevemos (Veja aqui).

 

Confortável ao toque, ergonómico, o novo controlador é uma evolução feliz dos Dual Shock. E algo que vai marcar o padrão daqui para a frente.

Quase sem nos apercebermos, tudo se torna fluido a jogar. Os tempos de carregamento que levavam ao desespero no passado, foram drasticamente reduzidos graças à introdução de um ultrarápido disco SSD. E aqui deparamo-nos então com mais uma promessa cumprida pela Sony.

 

 

Um a um, fui instalando títulos como Sack Boy: uma grande aventura, Miles Morales, Call Of Duty Black Ops Cold War, Demons Soul, Devil May Cry 5, Assassins Creed Valhalla. Pelo meio experimentei FIFA 21, PES 21 e outros da minha biblioteca anterior. E a cada experiência ia ficando mais fascinado.

Nunca senti grande necessidade de evolução gráfica relativamente aos jogos da PlayStation 4, confesso, mas sei que a PlayStation 5 permite ir além, quer em sombras, quer em iluminação e até em detalhes – sei também que por não ter uma TV 4K não consigo tirar partido completo das qualidades do ‘monstro’, mas, confesso, em Full HD já fico mais do que satisfeito com o que os meus olhos testemunham.

 

FESTIVAL DOS SENTIDOS

 

Pontos para mim, por ter evitado no subtítulo acima falar de um festival dos sentados, atendendo a que o risco de passarmos a maior parte do tempo livre em frente ao televisor a jogar PlayStation 5 é real. A verdade é que a nova consola da Sony é um verdadeiro festival dos sentidos.

Logo para começar, visual. Não só pelo seu design único – que ao príncipio se estranha, mas quando em casa fica mesmo bem no meu móvel branco da TV – mas também pela capacidade de processamento gráfico.

 

 

Também sonoro. Sim, porque os jogos vivem muito do som. E na PlayStation 5 este chega-nos com requintes, e também – como na 4 – com detalhes únicos que saem diretamente do controlo DualSense (é possível desativá-los). O comando tem ainda microfone incluído e saída jack para se ligar auscultadores com cabo. Precioso para quem não pode (ou não quer) comprar um dos auscultadores oficiais Bluetooth.

 

Táctil. A sensação de pegar no DualSense é natural, tudo ali encaixa na perfeição nas mãos (nas minhas, pelo menos), a é através destas que vamos ainda mais fundo nos jogos. Em Call of Duty Cold War, por exemplo, a vibração do DualSense corresponde à cadência de disparo das várias armas; em Assassin’s Creed Valhalla é possível sentir a tensão da corda a esticar antes de se lançar com o R2 uma seta.

 

 

VEREDICTO

 

Ao fim de 9 dias, há uma certeza que quero partilhar: a PlayStation 5 vale mesmo a pena porque representa uma evolução real no mundo dos jogos. Além de toda a qualidade que promete – e cumpre – junta-se a isto o facto de pela primeira vez uma nova consola da Sony não matar a anterior. A possibilidade de instalar os títulos da PS4 comprados anteriormente permite seguir o caminho do futuro sem deixar o passado arrumado numa gaveta.

 

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