Futebol – renovação de competências (conclusão) – artigo de José Neto (111)

Espaço Universidade 12-10-2020 08:03
Por José Neto

Dizia nesta passagem crítica e reflexiva do tempo que depois das funções de Observador e Análise do Jogo e Metodólogo de Treino Desportivo num F.C. Porto renovadamente campeão com o Senhor Pedroto, Artur Jorge e T. Ivic, passando pelo S.C. Braga com Vítor Manuel, (um autêntico príncipe que continua de forma tão digna a enriquecer o seu património cultural, social e familiar), que iniciou no “Braguinha” as propostas de um vulcão pronto a explodir…e como têm crescido estes “guerreiros do Minho”…seguindo para no Vitória S. C. (o meu primeiro amor), com Bernardino Pedroto, outro fidalgo no trato, gente de bem como continua a permanecer no seu código de valores existenciais, e no clube onde sempre recordarei os laços de memória e de afeto, enveredando seguidamente num processo sabático ao encontro de outas fontes que me permitiram descodificar com mais profundeza o conhecimento prático adquirido, encarando de forma eficaz e duradoura as pontes para o sucesso com a exigência, rigor e honorabilidade partilhada.
 

No âmbito da Psicologia Desportiva, fiz parte do corpo discente do primeiro mestrado em Portugal entre 1994/97, na Universidade do Minho com a liderança pedagógica e científica do Professor Doutor José Cruz, descobrindo algumas respostas ao nível das Competências Psicológicas e Mentais associadas ao treino e à competição e que primeiramente se viram aplicadas na seleção nacional de Hóquei em Patins, liderada pelo Professor José Pedro Martins e em que nos consagramos campeões europeus/juniores (2000).
 

Ainda com base da necessidade de confirmar algumas dúvidas que certos comportamentos na competição geravam, associadas às questões que os diversos cursos de treinadores me formulavam e pelas quais tinha muita dificuldade de resposta, regressei ao estudo das componentes comportamentais pelo princípio da causalidade do atleta-homem-corpo-mente-desejo-natureza-sociedade e com a magistral orientação do socrático magistério meu adorável Professor Doutor Manuel Sérgio e com a distinta sapiência dos Professores Doutores Pedro Guedes de Carvalho e José Antunes de Sousa (a quem jamais deixarei de evocar uma estrénua e eterna gratidão), desenvolvi e prestei-me à defesa na Universidade da Beira Interior (2005/11), num dos dias mais felizes da minha vida, à defesa da tese do meu doutoramento em Ciências do Desporto, tendo por base o estudo do Futebol de Corpo Inteiro, visto à luz da ciência Motricidade Humana no reencontro com a vida, para jamais deixar de continuar a tentar rasgar horizontes para encontrar um foco catalisador capaz de fazer despertar as razões que possam ser determinantes para a obtenção do sucesso.
 

Entretanto pelas razões duma honesta e transparente partilha de sentimentos, advindos ou dos cursos de treinadores, ou da presença em colóquios, ou nas aulas da faculdade, surgem convites a darem-me a honra de partilha em algumas sessões no apoio participativo de forma mais ou menos periódica. O primeiro foi Toni Conceição (ex-Campeão na Roménia e hoje selecionador dos Camarões), tendo-se registado o facto do Trofense (2007/08), ter sido campeão e com acesso histórico à 1.ª Liga do Futebol. Ainda no apoio ao treinador referido, registou-se o caso do Moreirense ter sido na época 2013/14, campeão e também ter subido à 1.ª Liga. Recordo ainda o apoio ao treinador Henrique Calisto, na época 2011/12 no F. C. Paços de Ferreira, em que a 12 jornadas do final de época, apresentando uma classificação a 9 pontos do penúltimo da tabela classificativa e no final termos atingido o 10.º lugar. Ainda no meu Paços, com Paulo Fonseca, na época 2012/13, a fantástica classificação do 3.º lugar na tabela classificativa e o acesso à Liga dos Campeões. Na época 2014/15, o caso do C.D. Tondela com apoio a Quim Machado, assinalando o facto de ter sido campeão e com o acesso à 1.ª Liga (tendo tido na época 2010/11, com o mesmo treinador, uma idêntica fórmula conseguida no C.D. Feirense). Também devo registar ainda o caso especial do C.D. Tondela em 2017/18 e a manutenção na 1.ª Liga, conseguindo-se obter 16 pontos em 40 dias de apoio periódico. De registar a dedicação feita excelência do trabalho liderado por alguém que muito ainda irá dar testemunho da sua elevada competência – Pepa. Ainda na fase final da época 2018/19 no apoio periódico a um clube muito especial e com um treinador com um perfil de liderança notável, feito humildade, raça, ambição e paixão, Carlos Pinto, e o facto de ter-me dado a honra em partilhar algo capaz para cativar o estado de crença e permitir alcançar o estado de confiança no acesso à 1.ª Liga – C.D. Santa Clara dos Açores. Por fim a ligação profissional a José Peseiro (um colega de eleição e um dos meus melhores alunos da célebre turma onde perfilavam também José Couceiro, Pedro Martins, Carlos Brito, Semedo, Carlos Carvalhal, Zé Mourinho, etc.) nos últimos dois meses da época 2018/19, num tempo muito estreito e também muito limitado. Enorme era a décalage para a consecução dos objetivos de conquista no Vitória S.C. Apenas foi possível realizar uma avaliação personalizada de competências e construção de rankings de desempenho a uma parte dos jogadores, verificando-se contudo da parte dos próprios, um integral desempenho. Não obstante esse desiderato, a equipa no seu todo denotou uma melhoria substancial de rendimento, explicado pela média de 1.62 pontos por jogo, cotando-se como média superior aos demais candidatos às provas da U.E.F.A. Lamento o facto de não ser possível dar continuidade ao projeto, dada a inserção, como sabemos, do líder na estrutura do Sporting e hoje selecionador da Venezuela.
 

Outras propostas se abriram a nível nacional e internacional, incluindo seleções. Contudo sobraram razões de momentânea indisponibilidade e para as quais um dia valerá a pena serem esclarecidas. Talvez!…
 

É assim com base na elaboração, programação de renovação de competências, que poderemos associar um conjunto de atributos à dinâmica do treino para a obtenção de sucesso na competição. Alguns exemplos:
 

-Avaliação de competências (motivação, autoconfiança e rendimento, stress e ansiedade, formulação de objetivos, locus de controle, coesão e liderança, atenção e concentração, etc.…) e aplicação de estratégias para melhoria de rendimento.

-Avaliação e desenvolvimento de imagens de rendimento, construindo rankings de desempenho no sentido de verificar a progressão de competências.

-Análise de respostas colocadas pela competição, quer na prevenção de erros a evitar, em lidar com fatores adversos, na gestão de conflitos, lesões, crises de rendimento, etc., construindo guiões personalizados e a ser inseridos com rigor na equipa como um todo.

-Estudo das etapas fundamentais para a prevenção do sucesso, em especial na véspera e no dia do jogo, congruentes com o estado emocional, modelo de jogo, nível competitivo, objetivos de conquista, etc.…

- Apoio ao líder na observação, qualificação e promoção do seu desempenho…

Etc.…Etc.…
 

Como verificamos no âmbito dum estudo para a renovação de competências há sempre uma porta aberta para fazer do Futebol uma oportunidade de conquistar novas vertentes para a potenciação do jogador, pois como dizia Patmore: “Os seres humanos são maravilhosamente imprevisíveis. Quando colocados numa arena ou num estádio e as suas esperanças e medos são expostos perante milhares de espetadores, eles são capazes de fazer coisas extraordinárias”. Se forem felizes (digo eu), fazem coisas extraordinariamente mais bem feitas e por isso, ganham mais vezes. Ora aqui está mais uma área de investigação que pode ser interessante avaliar, isto é, a felicidade e bem-estar do jogador e a relação com o seu sucesso profissional. Estou em campo…um dia darei resultados!…
 

Uma nota final de gratidão aos treinadores líderes de todo o processo, que comigo converteram o desejo participativo, em que pelo dever duma leal e digna convergência de valores, se obtiveram níveis de elevados desempenhos.
 

É evidente que para a anuência dos seus efeitos, apenas se tornou possível com a magistratura de influência dos presidentes dos clubes, (que muitas vezes acompanhavam o processo de forma presente), e a envolvência simplesmente notável e encorajadora dos atletas participantes. O meu público e inesquecível reconhecimento.
 

Peço desculpa pela demasiada pessoalização das tarefas desenvolvidas. Apenas o fiz com o argumento de ratificar esta qualificação duma “nova visão do estrutural do treino” com a prática dos resultados conseguidos. Porque, e termino uma vez mais com a citação do nosso querido e distinto Professor Doutor Manuel Sérgio: “Quem só teoriza, não sabe e quem só pratica, repete, pois, a teoria sem prática é pura especulação e a prática sem teoria é mera repetição”.
 

Bem Hajam
 

José Neto: Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto; Formador de Treinadores F.P.F./U.E.F.A.; Docente Universitário/ ISMAI.

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