«Sem a intervenção dos grandes, Liga e FPF o futebol morre»

Futebol 12-09-2020 21:58
Por Redação

Palavras fortes e corrosivas sobre o atual estado do futebol. Paulo Lopo, ex-presidente da SAD do Leixões e atual líder da Mesa da AG do clube de Matosinhos, utilizou as redes sociais para revelar um texto onde aponta de forma dura à «vergonha» da forma como o Feirense-Chaves foi tratado e o seu cancelamento. 

 

Publicação de Paulo Lopo na íntegra:

Covid-19: Sem a intervenção dos Grandes, da Liga e da Federação o futebol morre

Falo-vos, porque não posso continuar calado. Ou alguém defende o futebol, ou os clubes pequenos morrem todos nos próximos meses. E com eles, as competições, em Portugal

O que se passou ontem no jogo Feirense-Desportivo de Chaves foi uma vergonha, uma falta de respeito para com todos os profissionais do futebol e para com a nossa indústria.

A Liga chegou a acordo com DGS, que prevê a existência de casos destes. Existem diretrizes que têm de ser cumpridas. Afastando os jogadores infetados, os jogos têm de se realizar sempre, cumprindo o protocolado, porque estas adiamentos vão matar os campeonatos e os clubes em poucos meses. Resistirão os Grandes, que jogarão um campeonato a três, entre eles. Talvez possam fazer um campeonato a 30 voltas.

Hoje vivemos uma ditadura sanitária promovida por esta senhora que há poucos meses proferiu este brilhante discurso, com a anuência do governo mas também das instituições que gerem o futebol, que se demarcaram, de forma cobarde, da defesa da nossa indústria e que nada fazem para que o público volte aos estádios.

Lamentavelmente estão a destruir o futebol em Portugal, principalmente os pequenos clubes sem que ninguém (ou quase ninguém) exija que tenham um tratamento igual ao resto da economia.
 

Hoje é possível acordar, tomar o pequeno-almoço na pastelaria, ir de transportes públicos para o emprego, almoçar num restaurante cheio de gente, jantar ao final da tarde num shopping, visitar umas lojas e fazer compras no hipermercado, de seguida ver um cinema e se o sono não apertar ainda dar um passinho de dança no Elefante Branco. Tudo tranquilamente desde que não se vá ao futebol!

Chega desta inércia. O futebol é a única atividade que tem mais notoriedade do que a política, e consequentemente somos um alvo a abater! Os clubes ditos grandes têm de assumir a sua importância social, bem como a Federação Portuguesa de Futebol.

Exige-se respeito e que as entidades que regem o futebol, juntamente com os clubes grandes, saiam do sofá e venham defender o nosso negócio!

Estive durante anos à frente da SAD do Leixões e sei o difícil que é para os Clubes da Segunda Liga e, também, para a maioria dos Clubes da Primeira Liga, sobreviver nestas condições. O mínimo que há a fazer, é jogar. E com público nos estádios, como noutras atividades culturais. Onde anda o Presidente do Sporting Clube de Portugal? Onde anda o Presidente do Sport Lisboa e Benfica? Onde anda o Presidente da Federação?

Medidas que considero, e sei que a maioria dos clubes também considera, essenciais para salvar o futebol:

1. Respeitar o código de conduta assinado entre os vários agentes
2. Respeitar as regras assinadas com a DGS
3. Direções Regionais de Saúde não podem sobrepor-se à DGS, na medida que sofrem muitas pressões de clubes regionais, que as condicionam
4. Joga-se sempre, isolando-se os jogadores infetados, e cumprindo-se os protolocos de saúde
5. Se um clube foi negligente, tem de ser penalizado
6. Se o Clube não se apresentar, deve ser punido com falta de comparência e derrota
7. Ação conjunta de SCP, FCP, SLB, Federação e Liga a exigir público no Estádio
8. Novo protocolo entre Liga e DGS a definir regras para o público no Estádio

Não vou ficar parado, a olhar a indústria do futebol desmoronar-se.

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