Exclusivo Hendry e o regresso: «Perspetiva de defrontar Ronnie numa 1.ª ronda é... aterradora!»

Snooker 02-09-2020 20:01
Por Redação

O escocês Stephen Gordon Hendry, de 51 anos, único heptacampeão mundial da história na era moderna do snooker (1990, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 e 1999), vai voltar a competir no ‘main tour’ da World Snooker nas temporadas de 2020/2021 e 2021/2022, após a organização lhe ter outorgado um ‘wild card’ (convite) para deixar o circuito de veteranos e voltar à competição a sério, que o lendário vencedor de 36 provas de ‘ranking’ – ultrapassado por Ronnie O’Sullivan apenas em agosto do corrente ano, no mundial, 37.º título do ‘Rocket’ – mas vai com «expetativa baixa» e sem pensar em vitórias.

 

Num exclusivo nacional para A BOLA, o ‘Crucible King’ garante que apenas quer «jogar e divertir-se», sabe que será duríssimo ter de disputar qualificações e promete escolher criteriosamente os torneios a jogar, que serão «muito poucos e apenas aqueles onde qualificações e fase final se jogarem no mesmo sítio». Na longa conversa sobre o regresso mais apetecido do ícone escocês, após oito anos de ausência (retirara-se em 2012, aos 42 anos, ao perder nos quartos de final do Mundial desse ano), Hendry, que, como Steve Davis e tantas outras glórias desta variante do bilhar tem comentado para a BBC, admite ainda sentir falta «da adrenalina de estar à mesa» e de descer a escadaria do Crucible de taco na mão.

 

Na longa conversa, fica o aviso à navegação: Hendry reconhece que «Ronnie e Judd [Trump] elevaram o jogo» mas é direto, ao responder às questões que A BOLA e o EuroSport lhe colocaram: «Além deles, não vejo os demais a fazer muito mais do que fazia nos meus dias». A primeira prova em que poderá tomar parte é o European Masters, em Milton Keynes (Inglaterra), de 21 a 27 do corrente mês, mas Hendry aponta, desde já, baterias ao UK Championship (24 de novembro a 6 de dezembro do corrente ano, em York, Inglaterra).

 

Eis, na íntegra, a longa entrevista do regresso que porventura mais entusiasmará milhões de adeptos de snooker pelo mundo fora, anunciado pelo próprio e pela World Snooker na noite de terça-feira, dia 1 do corrente mês… e que já merece o respeito dos demais rivais.

 

- Porque decidiu regressar?

- Há meses que me tenho vindo a treinar com Stephen Feeney. Fiz aí oito a dez sessões com ele, antes do confinamento gerado pela pandemia, e as coisas iam muito bem. Apercebi-me que começava a acertar nas bolas como devia ser, Stephen sempre a dizer-me o que estava a fazer de errado ou que poderia melhorar. Veio o confinamento e não pude jogar durante quatro longos meses. Quando houve chance, fizemos uma sessão… e tive de ir comentar o Mundial durante 17 dias [BBC], por isso não houve ocasião para treinar muito. Mas sabia que o Mundial de Seniores vinha aí, pelo que realizámos mais uma ou duas sessões antes do seu início… e dei por mim a jogar melhor. Discutimos a possibilidade de competir nalguns torneios. Nunca estou satisfeito com a forma como jogo mas apercebi-me que comecei a acertar bem nas bolas. A possibilidade tornou-se real quando conversámos com Barry Hearn [‘chairman’ da World Snooker], com quem joguei… golfe. Mark Williams [galês tricampeão mundial, em 2000, 2003 e 2018] e eu fomos jogar uma partida ao ‘green’ com Barry e Steve [Davis] na última semana de agosto, e ia perguntar diretamente ao Barry quais as chances de poder jogar o ‘main tour’ na época 2020/2021, com um ‘wild card’ [convite]. Mas ele aproximou-se de mim e disse-me: ‘Vamos dar um ao Ken Doherty [vice-campeão mundial de seniores no no corrente ano], outro ao Jimmy White [renovou título mundial de seniores no corrente ano] e o outro… o que é que pensas? Sei que estás a jogar bem melhor». Respondi ao Barry assim: «Para ser honesto, tenho pensado nisso, mas talvez não no imediato». Mas Hearn foi direto: «Precisamos da tua resposta em dois dias, pois necessitamos de o anunciar já que a época está prestes a iniciar-se». Respondi-lhe «OK». Mas não estava preparado para o desafio naquela altura. Aconteceu tudo tão rápido, mas pensei… e porque não?

 

- Foi apanhado na curva, embora ponderasse regressar…

- Bem, não lhe chamaria um regresso total. Estou a tentar baixar as expetativas generalizadas.  Não irei disputar todos os torneios, como Jimmy [White] e Ken [Doherty] fazem. Vou analisar e escolher os em que entrarei consoante considere estar preparado. Não quero que pensem que me vou treinar seis a oito horas por dia e jogar todas as semanas em todos os torneios: desenganem-se, isso não irá suceder.

 

- Barry Hearn ‘encostou-o à parede’ com a resposta imediata, ‘sim ou sopas’. Foi uma decisão difícil?

- Pois, tipicamente puro e duro, à Barry Hearn. Ainda disse «preciso da resposta esta noite», depois de acabarmos a partida de golfe. Acabou por não ser uma decisão muito difícil de tomar, pois tinha consciência de que não poderia regressar a tempo inteiro a jogar em todos os torneios, ou qualificações todas as semanas. Seria sempre uma situação de escolher criteriosamente quais os torneios a jogar. Acho que ainda não me mentalizei em pleno das consequências. Vendo a imprensa inglesa esta quarta-feira, e a minha cara nas últimas páginas, recordo-me que a última vez que me deram tanto destaque foi quando venci o Mundial pela sétima vez, há 21 anos [1999]. Tornou-se uma coisa mental, toma-te conta da cabeça. Mas apenas quero tentar e baixar as expetativas, até para meu próprio bem acima de todos. Não quero aparecer num torneio, que todos digam «é o regresso de Stephen Hendry» ou « vai ganhar um oitavo Mundial». Tenho escutado isso de muitos lados, e pensar nisso é pura tolice. Pelo menos, por enquanto. Basicamente, quero e vou voltar e desejo divertir-me e desfrutar de jogar provas à mesa a sério, de novo.

 

«Tudo dependerá de como me sentir à mesa»

 

- Já não vai a tempo da Championship League, mas poderemos vê-lo no European Masters, de 21 a 27, em Milton Keynes, Inglaterra? Será essa a prova de regresso ao ‘main tour’?

- Pois… é uma possibilidade, mas ainda nada decidi. Possivelmente, vou apontar para o UK Championship [24 de novembro a 6 de dezembro do corrente ano, em York, Inglaterra] pois é uma prova em que todos jogam na mesma arena, o Barbican Centre, do início ao fim. Não me apetece muito ir jogar qualificações a outros lados que não nos palcos das fases finais dos torneios. Por isso, deverei disputar apenas os torneios em que as qualificações e fase final decorrerão no mesmo espaço e arena. Mas tudo dependerá de como me sentir à mesa.

 

- Se não pensa num oitavo título mundial, ou em mais uma prova de ‘ranking’ para igualar os 37 de Ronnie O’Sullivan, qual a meta?

- Não faz sentido regressar e arriscar-me a fazer uma figura embaraçosa a perder jogos. Pode vir um novo título Mundial, mas não é o objetivo. Nem volto apenas para lucrar com publicidade. Stephen Feeney questionou-me, na primeira vez que nos encontrámos «a que aspiras conseguir?». Respondi-lhe a verdade: basicamente, só quero é diverter-me a jogar snooker outra vez. Joguei alguns torneios do circuito de seniors e… por vezes foi uma tortura! A dificuldade que tive para ganhar a quem quer que fosse! Foi simplesmente… horrível. Não acertava nas bolas como e onde devia. Se sabia todas as jogadas perfeitas a cada contexto e momento do jogo na teoria, na prática já não as conseguia executar! Mesmo tacadas simples. Por isso lhe respondi: «Só quero jogar snooker. Snooker é tudo o que eu sei, é o que faço melhor e só quero voltar a sentir prazer a jogar, mesmo se for um simples treino ou uma mera exibição». Por isso, se for para a mesa só quero desfrutar e jogar com tacadas de que sei ser capaz.   

 

- Tem-se treinado com afinco? Com que regularidade?

- Estou preparado para forçar ainda mais o ritmo de treino, mas nunca seis a oito horas/dia. Simplesmente, não consigo. É diferente se estiver a jogar com alguém: nesse caso, um treino é mais longo. Mas quanto a treinar-me a ‘solo’, penso que duas horas por dia serão suficientes. Terei de as cumprir com regularidade, não poderei fazer como até aqui no circuito de seniors, em que só na semana antes de um evento é que ia para a mesa desenferrujar… e isso refletiu-se, não chegava para competir ao nível dos outros. Por isso, vou voltar aos treinos de imediato, e à mesa numa base regular em breve.

 

- Retirou-se há oito anos, em 2012, após perder 2-13 nos quartos de final do Mundial para o compatriota escocês Stephen Maguire. Mas foi comentador da BBC. Sentiu falta da adrenalina da competição? O animal competitivo ainda mora em si?

- Ainda sinto a falta da excitação de estar na arena, sim. Então em dias de final do Mundial no Crucible, com a tensão e adrenalina ao máximo, sinto que preferia ter na mão o taco… e não o microfone. Foi uma das razões pelas quais aceitei o ‘wild card’. Nem que seja por uma única vez, quero voltar a vivenciar essa experiência de estar ali. Claro que os tempos agora são diferentes, não haverá adeptos para dois dedos de conversa, e o Crucible vazio… simplesmente não é o Crucible: é um imenso espaço vazio! Nem parecia que estava lá mesmo no Mundial, em julho e agosto. Estar na mesa e poder defrontar possivelmente um dos melhores jogadores com casa cheia é qualquer coisa. Ganhe ou perca, seja o que for, mas só quero ter essa sensação de novo: só por isso valeria a pena regressar ao ‘main tour’!

 

- Ao voltar, dá razão aos muitos que apontaram que se teria precipitado ao retirar-se cedo demais, tanto deu ao jogo…

- Se há oito anos o circuito fosse como agora, com muitos mais torneios e poder escolher aqueles onde vou, possivelmente não teria guardado o taco e teria, antes continuado a jogar sem interrupções. Naquela altura, tinhas de jogar tudo, ir a todas, não podias falhar um torneio, fosse dos mais importantes ou não. Agora, analisas e decides aqueles onde estarás. Claro que, se queres subir no ‘ranking’, terás de jogar em mais torneios, porque para o fazer tens de ganhar mais dinheiro. Mas o ‘ranking’ neste regresso conta muito pouco para mim. Só quero jogar alguns torneios, divertir-me… e ver o que acontece. Se hoje em dia não fosse assim, diferente de 2012, estaria na mesma situação de Ronnie [O’Sullivan]: jogaria quase todos os torneios.

 

- Detesta perder, nunca o escondeu, lidava mal com a frustração. Felizmente para si, perdia muito pouco. Como irá encarar o regresso se os resultados não forem a contento?

- Sendo sincero, e conhecendo-me como me conheço… é provável que me retire tão rapidamente quanto regressei! A questão mental será dura, pois não restam dúvidas e estou mentalizado de que perderei muitos mais jogos do que os que irei vencer, sei disso, em especial no início da temporada. Essa é a parte difícil para mim: mesmo no circuito de seniores foi difícil lidar com as derrotas, sim. Digamos que jogar nos seniors foi um balão de ensaio para me preparar para o que aí vem, sinto-me mais capaz de superar os desaires. Ainda assim, continuo a mentalizar-me para sequelas, para jogar horrivelmente e envergonhar-me ou sentir-me envergonhado à mesa pelas minhas prestações. Isso será terrível, para mim, de aceitar e ultrapassar.

 

«Sei o que posso fazer ainda hoje...»

 

- Como vê o nível do snooker hoje em dia? Bem mais duro? Que jogadores vê como os melhores e mais difíceis rivais?

- Sempre pensei que também não é estratosférico, como muitos dizem. Todos acham estar a fasquia elevadíssima. Mas se olharmos para o ‘ranking’, admito que o nível subiu, na generalidade. Na década de 90, no Mundial ainda tinha duas ou três rondas confortáveis antes de defrontar um rival que, na realidade, sabia capaz de me bater, como a qualquer outro que lhe surgisse pela frente. Agora, os 16avos de final do Mundial já são dificílimos. Por isso, o esforço em profundidade e em duração, para 17 dias, é muito maior para se ser campeão. Mas, em termos gerais, não vejo muitos dos jogadores de topo a fazer coisas que eu não fizesse quando estava no meu melhor. Acredito nisso, genuinamente. Penso que Ronnie [O’Sullivan, campeão mundial], nos seus dias, é um jogador… simplesmente incrível! Tal como Judd Trump [número um mundial]. Estes dois possivelmente elevaram o nível de jogo um pouco mais para cima. Quanto aos demais, não existe um único a fazer o que já fui capaz de fazer…

 

-  Crê poder chegar ao nível de Judd e de Ronnie nesta fase, ou não?

- Não faço a mínima ideia! Mas quem me dera! Senti-me realmente confortável durante alguns ‘frames’ do circuito de seniors. Comecei a sentir-me envolvido com as bolas, novamente. Embolsar bolas e somar pontos, com ‘breaks’ [entradas, ou tacadas] longas sempre foi o meu jogo e imagem de marca. Se não sou capaz de somar, não vencerei quem quer que seja! Porventura relaxei nalguns parciais, mas senti-me na zona noutros. Possivelmente, a primeira circunstância foi o que me custou a derrota nas meias-finais do Mundial de Seniores para o Jimme [White, 2-4]. Perdi por, entre outras razões, ainda não estava totalmente focado, com a concentração devida, além do mérito dele.

 

- Ronnie O’Sullivan apossou-se de muitos dos seus recordes, que todos pensavam ninguém iria bater, ou pelo menos fazê-lo tão cedo. Mas ainda se mantém como único heptacampeão mundial no Crucible, enquanto o ‘Rocket’ só aos 44 anos chegou ao sexto. O feito de Ronnie espicaçou-o, também, para voltar, ou não?

- Rigorosamente nada! Uma coisa não está relacionada com a outra. Até porque não tenho ‘feeling’ algum de que com o meu regresso o vou impedir de continuar a conquistar títulos e provas! Essa circunstância em nada contribuiu para o meu regresso. A minha decisão é puramente devida a sentir falta da adrenalina da competição e de me divertir a jogar um dos grandes torneios com um grande jogador numa mesa! E depois de saber e aquilatar do que ainda sou capaz de fazer no snooker, se jogar perto do que sei e posso fazer… veremos. A razão não foi essa.

 

«Para fazer uma figura triste, não jogo»

 

- Muitos temem que não aprecie e que este regresso, aos 51 anos, e após oito anos retirado, possa beliscar até a sua imagem e o seu legado para com o jogo. Isso preocupa-o, ciente de que os regressos de ídolos no desporto nem sempre correm bem?

- É precisamente por essa razão que estou a tentar manter as expetativas baixas em vez de chegar aqui a disparar fogo de todas as armas ou dizer que venho para ganhar tudo!  Não tenho quaisquer expetativas em particular neste regresso: só quero ver o que vai acontecer. E quanto ao meu legado na história do jogo, penso que é imutável e irá permanecer imaculado. Haverá sempre gente que, se jogar mal, ficará desapontada e pense que não deveria ter voltado. Mas voltar é precisamente uma das coisas que sinto que devia fazer. Mas é como te digo: ainda nem sei que torneios vou jogar, depende de como me sentir na mesa de treinos, como estou forte ou não no momento. Barry [Hearn] avisou-me: «Se não jogares um único torneio em dois anos, não terás outra oportunidade». Por isso, vou ter mesmo de jogar. Mas se perceber que estou ou farei triste figura, não jogo.

 

- O seu regresso desperta uma onda de carinho e apoio dos fãs. O oposto de quando era quase vaiado ao bater Jimmy White nas finais do Mundial: era odiado quase tanto como admirado… por ganhar sempre. Imagino que agora lhe saiba pela vida ao ego, tanta gente a seu lado nesta sua volta ao ‘main tour’, ou não?

- É espantoso, realmente é. Calaram fundo e fiquei sensibilizado com algumas das mensagens que recebi via Twitter. O tom geral foi o de «Boa sorte, é brilhante e muito bem tê-lo de volta». Fiquei nas nuvens, confesso que não esperava tantas reações, e positivas, todas.

 

- No seu livro, 'Me and the Table' (Eu e a Mesa), escreveu que é à mesa que se sente mais confortável. Deve ter sido difícil reinventar-se como comentador ou simples fã oito anos, não?

- Exatamente isso. Via os melhores a ganharem títulos e prova e pensava «deveria ter sido eu». Ainda pensad que és um jogador de snooker e quase sentes ciúmes, ao género de «devia estar ali». Arranjei os comentários para me entreter, era uma forma de estar envolvido no desporto… mas não era a mesma coisa, jamais seria.

 

- Não foi um jogador qualquer: foi apenas o mais bem sucedido de sempre na era moderna… até Ronnie o suplantar em títulos em agosto, Mas mesmo assim é único com o recorde de sete títulos de campeão mundial. E voltar a ser cidadão anónimo na rua, para a vidinha ‘9 to 5’, deve custar… ou não foi o seu caso?

- Ser jogador foi a minha vida desde os 13 ou 14 anos. Um dia acordas e dás-te conta que… já não é a mesma coisa. De repente. Torna-se difícil encaixar e conseguir um equilíbrio mental. Bastante.

 

A sensação única do Crucible, onde ganhou sete finais do Mundial

 

- Ainda é conhecido como ‘o Rei do Crucible’. Que representará para si jogar lá novamente, no palco onde brilhou como ninguém?

- Descer as escadas com o taco na mãe, e cheio de público, será uma sensação… inacreditável! Obviamente, é um desejo meu para o future e o Mundial será, definitivamente, uma das provas onde quero estar! Se conseguir ultrapassar as qualificações, será duríssimo. Mas só descer aquela escadaria e menear a cabeça para os dois lados do teatro será indescritível e valerá por tudo!

 

- Volta ao palco onde tudo começou, era ainda um adolescente…

- É como te digo: acho que ainda não me caiu a fiche e me apercebi de todas as consequências da minha decisão. E acho que não perceberei totalmente o alcance dela até voltar à mesa de treinos ou receber um email a perguntar-me se quero entrar num torneio ou não. Fazer a mala e andar na estrada ou nos ares, para mim é definitivamente voltar a casa. De momento, ainda se me afigura… surreal.

 

- Alguns jogadores ficaram por certo satisfeitos quando se retirou: ganhava quase sempre, retirava a piada, deixou mais espaço a outros. Como acha que encaram o seu regresso?

- Alguns comentaram as minhas exibições no circuito de seniores… e acho que ainda nada viram!

 

Meta é... fazer umas centenárias e jogar bem, para começar

 

- O que seria, para si, um regresso bem sucedido?

- Para começar, ganhar alguns encontros e jogar bem, competindo verdadeiramente em todos os jogos, com envolvência, a embolsar bolas e pontuar. Gostava de somar mais algumas centenárias [entradas, ou tacadas, de 100 ou mais pontos]. Se jogar um bom snooker, de alguma forma perto do que costumava jogar, chegarei à fase final dos grandes torneios, como o UK Championship, o Masters e o Mundial. Mas, repito, esse é um grande ‘se’…

 

- Como foi jogar no Crucible com Jimmy White no circuito de seniors? Depois das quatro finais de Mundial que lhe ganhou nos anos 90, três delas seguidas entre 1991 e 1994, que memórias lhe trouxe? Especiais, por certo?

- Já eram as meias-finais do Mundial de seniores, e já estava a jogar melhor e acertar melhor nas bolas, além de conseguir ‘breaks’ volumosos, alguns de 60, outros de 70 e até dois de 80 ou mais pontos. Por isso, soube muito bem. Não vou dizer que o circuito de seniores é o mesmo nível do ‘main tour’, onde tens dez chances de limpar a mesa em cada ‘frame’. Quando vais defrontar adversários do ‘main tour’, há muitos menos abertas e tens de estar fino e em forma. Por isso estava a acertar melhor nas bolas, mais focado, senti-o perfeitamente.

 

- Iremos vê-lo em jogadas defensivas, à procura de snookers ao rival, ou será o bom e velho Stephen Hendry de sempre, sempre em modo de ataque, a embolsar bolas?

- Engraçado. Na manhã desta quarta-feira, recebi uma mensagem de Dennis Taylor [norte-irlandês, campeão mundial em 1985 e seu companheiro de comentários na BBC] a felicitar-me pelo regresso. «Vais ter de jogar mais em modo defensivo: facilitaste a vida no jogo dos seniores com Jimmy White ao ir a tudo e tentar embolsar todas as bolas», disse-me. Tive uma boa troca defensiva no meu jogo com o Nigel Bond. Com Jimmy, por alguma razão pensei que seria melhor pressioná-lo, agressivo, com o ataque… mas não resultou. Todos os capítulos e domínios do meu jogo terão de estar afinados e a carburar para competir ao mais alto nível, mesmo logo nas rondas inaugurais dos grandes torneios. Quero apresentar-me no topo, posso apanhar os melhores logo de entrada, presume que me esperam sorteios duríssimos lodo de imediato, vindo das qualificações. Pensar que posso apanhar Ronnie [O’Sullivan] logo na primeira ronda de um torneio é, na realidade, uma perspetiva… aterradora, confesso.

 

- Mas é aí o seu lugar, por mérito próprio, onde ambiciona e merecerá, mais do que ninguém, estar: na mesa principal, frente a um dos melhores, testando os seus limites. Ou não?

- Claro! Se o sorteio ditar a mesa principal, lá estarei, feliz. Mas é impossível dizer-te como lidarei com a pressão até me ver ante ela!  

 

(pode ler outros detalhes da entrevista no link https://www.eurosport.co.uk/snooker/stephen-hendry-wants-to-temper-expectations-but-he-believes-he-can-compete_sto7864214/story.shtml  )

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