‘Rufia’ O’Sullivan hexacampeão mundial: 37.º título e o mais ganhador da História

Snooker 16-08-2020 19:47
Por Redação

O inglês Ronald Antonio (Ronnie) O’Sullivan, de 44 anos, número dois da hierarquia, sagrou-se este domingo campeão mundial pela sexta vez na sua carreira, ao vencer na final do Campeonato do Mundo, última prova da época 2019/2020 do World Snooker Tour, e que decorreu desde 31 de julho até este dia em Sheffield (Inglaterra) o compatriota Kyren Wilson, de 28 anos, quinto da hierarquia, por 18-8.

 

Na sua sétima final, após os títulos de 2001 (18-14 a John Higgins), 2004 (18-8 a Graeme Dott), 2008 (18-8 a Ali Carter), 2012 (18-11 ao mesmo Ali Carter) e 2013 (18-12 a Barry Hawkins) e do desaire em 2014 (14-18 ante Mark Selby), Ronald Antonio O’Sullivan venceu primeira prova de ‘ranking’ da época, igualou os seis títulos mundiais do compatriota Steve Davis e do galês Ray Reardon e tornou-se recordista absoluto como mais ganhador de sempre na era moderna do snooker (desde 1977) com 37 provas de ‘ranking’, agora mais uma do que as 36 de Stephen Hendry, único heptacampeão mundial no Crucible, onde Ronnie igualou nesta final o recorde deste último de 90 jogos na prova neste palco: o escocês retirou-se com 36 títulos no bornal e repartia o histórico recorde com o inglês… até este dia.

 

20.ª vitória do ‘Rocket’, talvez maior predestinado que o Mundo já teve com um taco nas mãos, em provas da Triple Crown, (6.ª no Mundial, outras 7 no Masters e outras tantas 7 no UK Championship) e inédita 6.º Tripla Coroa, novo recorde: tinha cinco… como Hendry. E chega à ‘meia dúzia’ 19 anos após o primeiro título mundial, em 2001, igualando recorde de Joe Davis quanto ao maior período entre a estreia a ganhar… e o último (1927-1946).

 

O ‘Rocket’ chegou à 3.ª sessão do duelo no Crucible - o alemão Marcel Eckardt é o árbitro mais jovem de sempre na final do Mundial, 30 anos - a liderar 10-7. Kyren entrou bem: vermelha longa somar ‘break’ de 73 pontos, e 8-10. Um ‘chouriço’ de Ronnie, entrada de 53 pontos e à terceira oportunidade – Wilson teve chance de resgatar o parcial ao falhar rosa no meio – a arrancar o 11-8. O’Sullivan voltou a não conseguir fechar o jogo numa só visita à mesa no 20.º ‘frame’, sequela da anterior: 48 pontos, Kyren a falhar nos 33… e o ‘Rocket a limpar, com ‘break’ de 61 pontos: 12-8.

 

Duas derrotas a ferir Wilson: teve o pássaro na mão, tensão a continuar na 21.ª partida, idêntica: Ronnie a embalar até 16 pontos, falhar encarnada para o meio… a arrancar nova vermelha longa e ‘break’ de 57 pontos: três – e de rajada - em quatro para ‘Rocket’ até ao intervalo… e o 13-8.

 

No reatamento, ‘frame’ onde a experiência de O’Sullivan falou mais alto para quarto parcial de rajada - pela segunda vez na final, após ter ido de 4-2 a 8-2 -, com ‘break’ de 60 pontos: 14-8. E a hecatombe para Wilson veio logo após, com quinto de rajada para um ‘Rocket’ que já tinha descolado para o ‘hexa’ com tremenda vermelha longa: ‘break’ de 71 pontos, o 15-8.

 

Kyren, que afastou o campeão de 2019, Judd Trump, nos quartos, e fez um mundial estupendo, tendo lutado até em especial na segunda sessão da final ante Ronnie, até à exaustão quase psicológica antes de erguer a 'bandeira  branca ' - caminhava na prancha, qual condenado: penoso vê-lo arrastar-se na mesa, a acumular erros com o cavar do fosso para o rival, imagem que ficou no 24.º ‘frame’, em que, com nova entrada de 72 pontos, Ronald Antonio cavalgou para o 16-8, com o 17-8 a vir logo após, a fechar a sessão – O’Sullivan venceu-a por 7-1, com sete parciais de rejada para si – e ficar a um escasso ‘frame’ dos 18 para a sessão noturna da final.Onde uma entrada de 96 pontos acabou, logo, com a história deste Mundial em dez minutos

 

Ronnie levou o cheque mais gordo e igualou e bateu recordes, mas nunca poderá passar uma borracha sobre recriminável comportamento, em especial na ‘meia’ ante Mark Selby: tacadas disparatadas e em força mais próprias de um rufia de bairro - o que se percebe quando bastará referir que chegou a ter os dois pais presos simultaneamente, o pai por homicídio e a mãe por fraude fiscal na cadeia de 'sex shops' que exploravam - do que de ícone global do desporto. O ex-profissional e agora comentador Neal Foulds não hesitou em classificar as jogadas do O'Sullivan como «ridículas», Mark Selby acusou o compatriota de «falta de respeito»... mas com uma ressalva: «Nos últimos três 'frames', esteve sublime, nada a dizer», enquanto o heptacampeão mundial escocês Stephen Hendry recusou qualquer violação das regras, ilícito ou passar dos limites daquele que é por todos reconhecido como o maior predestinado que o Mundo já viu de taco na mão: «Não, Ronnie não o desrespeitou, Selby devia ter-se concentrado no seu jogo». Ou seja, devia ter agarrado as suas oportunidades de ganhar o jogo... que teve, quando o 14-9 há espreitava, mas também quando igualmente liderava por 15-13... e 16-14, para perder 16-17.

 

As regras pedem que se jogue ‘properly’ (com decência)… mas sem haver limite de velocidade máximo na tacada. Só o bom senso, civismo e respeito. Por beliscar a sua imagem e ter desprestigiado (também) o snooker, não falta  quem já retire ponta de mérito e condene campeão que, para o ser, à mesa – onde foi de besta a… bestial – venceu apenas e só, recorde-se, Thepchaiya Un-Nooh (10-1), Ding Junhui (13-10), Mark Williams (13-10), Mark Selby (17-16) e, por último, Kyren Wilson (18-8). Na mesa foi mais forte, sem morder orelhas, gritar ou agredir adversários ou árbitros ou dar 'chega para lá' com os cotovelos, exemplos de comportamentos indecorosos que sobram na história do desporto. Com Selby a levar o jogo para o capítulo defensivo, Ronnie, cujo mérito à mesa ninguém pode ousar colocar em causa ou beliscar - mas a polémica dominou o Mundial - usou tacadas em força para voltar a abrir bolas e poder, numa aberta, selar a vitória em 'frames', como tanto gosta. Se no futebol nunguém retira mérito a um campeão que queima tempo ou defende de todas as maneiras e feitios mas dentro das regras, o não ter sido bonito, ou surpreendido todos a faceta revelada por Ronnie ante Selby, foi... eficaz. E legal.

 

O Campeonato do Mundo, no Crucible Theatre, em Sheffield, fechou a época 2019/2020 do World Snooker Tour e pontuou para o ‘ranking’. A prova, transmitida para Portugal (EuroSport) distribuiu £2.235 milhões (€2,469 milhões) em prémios, das quais £500 mil (€552.315) ao campeão, Ronnie O’Sullivan, que sucede a Judd Trump (18-9 a John Higgins na final de 2019) e £200 mil (€220.926) ao vice-campeão, Kyren Wilson.

 

A próxima prova e primeira da época 2020/2021 é a Championship League, de 13 a 20 de setembro do corrente ano, em Inglaterra, com local e mapa de prémios ainda a designar pela World Snooker.

 

Final do Campeonato do Mundo, este domingo (campeão a negro):

Kyren Wilson-Ronnie O’Sullivan, 8-18

Ler Mais
Comentários (19)

Últimas Notícias

Mundos