Ronnie lidera final do Mundial (10-7) e à beira de pulverizar mão cheia de recordes

Snooker 16-08-2020 08:59
Por Redação

O inglês Ronnie O’Sullivan, de 44 anos, número três da hierarquia e pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013) chegou a este domingo, primeiro de dois dias da final do Campeonato do Mundo de Snooker, duelo que neste dia encerra a época 2019/2020 do World Snooker Tour, prova a decorrer desde 31 de julho em Sheffield (Inglaterra), em vantagem por 10-7 sobre o compatriota Kyren Wilson, de 28 anos, sexto da hierarquia, disputadas no sábado as duas primeiras das quatro sessões do embate.

 

Ronnie, que em caso de vitória no duelo à melhor de 35 parciais (até um chegar a 18) subirá a número dois já na próxima atualização do ‘ranking’ (segunda-feira, dia 17 do corrente mês) virou na frente para segundo e decisivo dia da sua sétima final de um Mundial, 19 anos após o primeiro título, em 2001 - um novo recorde, a igualar os 19 anos entre o primeiro e último título do mítico Joe Davis (1927 e 1946) – almeja a vencer, por fim, uma prova de ‘ranking’ na época (só conquistara o Xangai Masters) e igualar os seis títulos mundiais do compatriota Steve Davis e do galês Ray Reardon. Poderá tornar-se, de resto, no segundo campeão do Mundo mais velho a consegui-lo no Crucible desde o galês Reardon, que o conseguiu com 45 anos e 203 dias em 1978 (seu único, de seis, conquistado já no recinto de Sheffield).

 

Muito mais relevante, Ronnie está a oito ‘frames’ a 37.º título em provas de ‘ranking’ e se tornar o mais ganhador absoluto na era moderna do snooker (desde o Mundial no Crucible, em 1977): soma 36, tantos quantos Stephen Hendry (já retirado), que consigo dividia esse recorde e o de mais jogos no teatro da cidade inglesa… e na prova: 90 jogos, número que O’Sullivan igualou nesta final em curso.

 

O mesmo Stephen Hendry único heptacampeão mundial no mítico palco, um dos poucos recordes, já se sabia, fora do alcance, para já, de Ronnie nesta edição da prova, em que almeja ainda a igualar outro registo inalcançável do escocês: as 16 centenárias num só Mundial, que Hendry alcançou em 2002. Ronnie vai em 12 a meio da final, com 17 ‘frames’ disputados mas mais 18 ainda possíveis…

 

Além disso, poderá ser o 20.º triunfo do ‘Rocket’ em provas da Triple Crown, capítulo em que já é recordista absoluto de triunfos, com 19 (Steve Davis somou 18). Após sete vitórias no Masters e outras sete no UK Championship, aspira ao sexto título em Campeonatos do Mundo e chegar a inédita e nunca alcançada sexta Tripla Coroa: tem cinco, tantas quantas… Stephen Hendry.

 

Na final, disputada já com público – o que não aconteceu desde o primeiro dia, 31 de julho, tendo o Governo inglês feito marcha-atrás e obrigado a que, face à pandemia do Covid-19, fosse jogado à porta fechada pelo menos 14 dias… até a decisão ser reavaliada, como foi, a contento dos adeptos estarem presentes, um terço da lotação (300 pessoas), com, distanciamento mas… sem máscaras -, Ronnie entrou melhor, ante um ‘warrior’ nervoso.

 

Kyren errou em demasia no jogo ofensivo longo na 1.ª sessão, que acabou com o ‘Rocket’, calmo e sem as ‘varadas’ do duelo com Mark Selby, em justa vantagem após dois momentos cruciais. No sétimo ‘frame’, com 2-4, Kyren ia em 17 pontos, o 3-4 pairava mas falhou rosa longa. Ronnie ampliou: 5-2, com a sua 12.ª centenária (106 pontos) no Mundial. Logo depois, num oitavo parcial que durou mais de meia hora, e após falhanços mútuos e dramática decisão nas bolas de cor, Wilson – que poderá subir a número três do ‘ranking’ caso vença O’Sullivan e ambiciona ser o 27.º nome a gravar na taça do campeão da prova, podendo tornar-se o campeão mais novo no Crucible desde o australiano Neil Robertson, em 2010, também com 28 anos  - desperdiçou rosa longa duas vezes para 3-5 e Ronnie fez mesmo 6-2.

 

Inverteram-se os papéis numa marcante segunda sessão, em que, com ambos visivelmente exauridos de meias-finais esgotantes da véspera, os erros continuaram mas o ‘Rocket’ chegou a 8-2. Quando se pedia, surgiu a reação de Kyren Wilson, a justificar a alcunha de guerreiro (‘warrior’), e que tenta o primeiro título da carrerira finalmente em solo britânico,  a ganhar quatro ‘frames’ de rajada, os dois últimos antes do intervalo – com O’Sullivan a surpreender ao querer conquistar o 12.º a precisar de cinco (!) faltas do rival -, embalado por bom ‘break’ na 11.ª partida, e os dois primeiros após o descanso.

 

De 2-8 para 6-8, emoção relançada por brioso Kyren. O’Sullivan a falhar no ataque e sinais de enfado no 15.º ‘frame’, com deuses a ajudá-lo: Wilson viu vermelha entrar num buraco ao embolsar azul e espalhar o molho das encarnadas com branca. Falta que o ‘Rocket’ aproveitou para chegar a 9-6. Wilson repôs distâncias (7-9) logo após com centenária (100 pontos) e quando o 8-9 parecia inevitável, falhou a última vermelha: 10-7 para um Ronnie que agradeceu inesperado brinde.

 

O Campeonato do Mundo é a última prova da época 2019/2020 do World Snooker Tour e pontua para o ‘ranking’. A prova, transmitida para Portugal (EuroSport) distribui £2.235 milhões (€2,469 milhões) em prémios, das quais £500 mil (€552.315) ao campeão, que sucederá a Judd Trump (18-9 a John Higgins na final de 2019) e £200 mil (€220.926) ao vice-campeão mundial.

 

Final do Mundial, este domingo (hora local, mesma hora em Portugal continental):

Kyren Wilson-Ronnie O’Sullivan, 7-10 (3.ª sessão 13.30 horas, conclusão 19.30 horas)

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