Épica recuperação dá a Ronnie ‘meias’ de sonho do Mundial ante Selby

Snooker 11-08-2020 21:20
Por Redação

O inglês Ronnie O’Sullivan, de 44 anos, número cinco da hierarquia e pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013), apurou-se esta terça-feira para as meias-finais do Campeonato do Mundo de Snooker, que se iniciou a 31 de julho e decorre até domingo, dia 16 do corrente mês, em Sheffield (Inglaterra), ao vencer nos quartos de final o galês Mark Williams, de 45 anos, 10.º do ‘ranking’ e tricampeão mundial (2000, 2003 e 2018), numa espetacular reviravolta de um dos jogos mais aguardados dos quartos de final da prova, por 13-10, e marcar encontro com o compatriota Mark Selby em meias-finais de sonho.

 

O primeiro a carimbar o passaporte para as ‘meias’ neste dia decisivo dos ‘quartos’ foi Mark Selby, profissional que venceu metade (três de seis) das anteriores edições da prova (2014, 2016 e 2017). O inglês de 37 anos, número três da hierarquia e que aspira ao ‘tetra’ - e ao 18.º título em provas de ‘ranking’ - surgiu, por fim, ao nível do que se lhe conhece nas alturas cruciais: em grande estilo.

 

Com autoridade e personalidade galácticas, não deu mínima chance ao número dois mundial e campeão do Mundo em 2010, o australiano Neil Robertson, de 38 anos, cujos 18 títulos em provas de ‘ranking’ Selby poderá agora igualar se erguer a taça domingo, no Crucible: depois de um ‘frame’ de quase uma hora na primeira sessão, embalou até 5-0 decisivos, permitiu ao rival do hemisfério sul atenuar até mais compostos 3-5 no final da primeira das três sessões do duelo.

 

Um parcial de 6-2 na segunda sessão, e acumulado de 11-5 à partida para a decisão, deixava escassas chances ao rival, como se confirmou (13-7) logo pela manhã em Sheffield. 13-7 e Selby, para (não) variar, fortíssimo candidato à vitória num torneio à sua medida: prova de fôlego.

 

Nas meias-finais, pensava-se que o ‘tubarão’ (Mark ‘The Shark’ Selby) teria pela frente o homónimo galês Mark Williams, de 45 anos, 10.º da tabela mundial e já com 22 títulos em provas de ‘ranking’… e também a aspirar ao ‘tetra’ no Mundial, após triunfos em 2000, 2003 e 2018.

 

Um convicção que advinha da realidade de o galês, o ‘welsh potting machine’, ter chegado ao dia decisivo dos ‘quartos’ em franca vantagem sobre o mais ganhador no Crucible ainda em prova e eterno candidato à vitória, o ‘Rocket’ - que tenta, na presente edição do evento igualar os seis títulos mundiais do compatriota Steve Davis e do galês Ray Reardon, além do 37.º em provas de ‘ranking’, e assim desempatar com o (já retirado) escocês Stephen Hendry, pois ambos somam 36 -, ao chegar ao dia decisivo dos quartos 6-2 na frente.

 

O 6-2 e a exibição de Williams na sessão inaugural, jogada na segunda-feira, espantaram pelo mérito indiscutível do galês ao nível do exibido em 2018. Esperava-se a reação do ‘Rocket’ na segunda sessão, mais do que a confirmação de que Williams, profissional há 28 anos (desde 1992, como Ronnie) poderia não permitiu veleidades e a ansiada recuperação em que muitos milhões de fãs de O’Sullivan ainda acreditariam.

 

Mas, num jogo tenso, impróprio para cardíacos, após Ronnie deixar fugir de forma incrível o parcial inaugural da sessão da tarde - falhou a bola de jogo para o 3-6, e foi punido por Williams com o 7-2 - e na derradeira antes do intervalo da segunda das três sessões do duelo de titãs: perdeu por completo a paciência após fracassar a espalhar vermelhas com a branca a embolsar bola de cor e ver o rival pontuar com enorme ‘chouriço’ (bola vermelha ia ao lado, roçou noutra e caiu no buraco), e o ‘Rocket’, em snooker (branca escondida), deu violenta tacada a espalhar tudo e a permitir a Mark fazer, então, o 8-4 .

 

Só que o snooker tem muito de momento e de farejar sangue, e se não há bem que nunca acabe, também não há mal que sempre dure. E Williams teve falhanços clamorosos que Ronnie, após limpar a cabeça no intervalo dessa segunda sessão, surgiu transfigurado na segunda parte: ganhou os quatro ‘frames’ e igualou a 8-8 à partida para a decisão.

 

Uma decisão de um jogo em que esteve a perder por 2-7 e 4-8 e que teve mudança e estrelinha da sorte no 21.º parcial, quando O’Sullivan passou, por fim, para a frente no marcador, pela primeira vez desde o 2-1: Ronnie tentou vermelha longa para o buraco mais próximo da bola amarela, que ia passar longe do buraco mas ligeiro desvio numa outra encarnada deu-lhe a direção certa do buraco e o embalo decisivo para a liderança, a 11-10, e que não mais largou até final, para duríssima reviravolta, que chegou a parecer inverosímel, e vencer por espremidíssimos 13-10, num jogo em que a qualidade de Ronnie fica atestada nos 12 'breals' de 50 ou mais pontos (cinco deles centenárias, de  mais de 100 pontos) mas em que terminou com uma 'respotted black' para desempate pontual do 23.º 'frame' quando teve a decisão na mão bem antes. Mas a prestação soberna de Selby ante Robertson é o aviso: terá de subir o nível, em especial no capítulo defensivo, para vencer hercúleo opositor nas meias-finais e conseguir a desforra de 2014.

 

Meia-final de sonho no Mundial em perspetiva entre Selby e Ronnie, a repetir os protagonistas da final de 2014, a única das seis já disputadas perdida por O’Sullivan (14-18). Em 29 encontros até à data entre ambos, Ronnie venceu 18, Selby ganhou 10 e há 1 empate (na Premier League).

 

Com estrondo caiu também o campeão e número um mundial, o inglês Judd Trump, de 30 anos, detentor de 17 provas de ‘ranking’ (seis delas na presente temporada, um recorde). A ‘maldição do Crucible’ – campeão inédito na edição anterior nunca bisou de imediato na edição seguinte, é assim desde 1977 – foi materializada às mãos do compatriota Kyren Wilson, de 28 anos, nono da tabela e já detentor de três títulos em provas de ‘ranking’: depois de duplo 5-3 a Judd nas duas sessões da véspera, chegou à terceira e última parte do jogo com 10-6 e confirmou o seu favoritismo para repetir as meias-finais, como em 2018 (13-17 ante John Higgins): 13-9, está cumprida a tradição no templo maior do snooker.

 

No jogo menos mediático (envolveu dupla oriunda das qualificações, uma proeza) mas sem dúvida o mais surpreendente duelo dos oito melhores, o escocês Anthony McGill, de 29 anos, 30.º da hierarquia e já vencedor de duas provas de ‘ranking’, conseguiu as primeiras meias-finais da sua carreira no Mundial – depois dos ‘quartos’, também, em 2015, quando bateu Mark Selby (13-9) para materializar a ‘maldição do Crucible –, nas quais Kyren Wilson já espera rival proveniente deste encontro. A obstar aos intentos de McGill, o norueguês Kurt Maflin, de 37 anos, 26.º do ‘ranking’, que tentava chegar, pela quarta vez na carreira (e primeira num Mundial), a umas meias-finais de um torneio no circuito.

 

Após inapelável 7-1 para o escocês na primeira sessão, o ‘viking’ norueguês atenuou distâncias na segunda sessão para 6-10 mas Anthony acabou por vencer, folgado, por 13-10.. McGill vingou o compatriota John Higgins, que caiu no Mundial às mãos de Maflin e ganhou o estatuto de sensação e surpesa da prova: poucos ousariam prever que o ‘cenoura’ chegaria às ‘meias’… para já.

 

O Campeonato do Mundo, prova maior e final da época 2019/2020 do World Snooker Tour, pontua para o ‘ranking’ e decorre até domingo, dia 16 do corrente mês. no Crucible Theatre, em Sheffield (Inglaterra). Distribui £2.235 milhões (€2,482 milhões) em prémios, das quais £500 mil (€555.294) ao campeão.

 

As meias-finais da prova, transmitida para Portugal (EuroSport) já serão jogadas durante três dias, de quarta-feira a sexta-feira, dias 12 a 14 do corrente mês, e à melhor de 33 ‘frames’, em quatro sessões – oito ‘frames’ em cada uma das três primeiras e possíveis nove na derradeira -, até um vencer 17 (de 17-0 a possíveis 17-16).

 

A final será jogada também em quatro sessões no sábado e domingo, dias 15 e 16 do corrente mês, à melhor de 35 ‘frames’: é campeão do Mundo e sucede ao inglês Judd Trump (18-9 ao escocês John Higgins na final de 2019) quem ganhar primeiro 18 (de 18-0 a possíveis 18-17). Garantido, com Selby e Ronnie numa meia-final, é que pelo menos a Inglaterra terá um jogador na final… se não mesmo os dois, caso Kyren Wilson vença também o seu embate das meias-finais.

 

Quartos de final (apurados a negro):

Judd Trump-Kyren Wilson, 9-13

Kurt Maflin-Anthony McGill, 10-13

Mark Williams-Ronnie O’Sullivan, 10-13

Mark Selby-Neil Robertson, 13-7

 

Meias-finais, de 4.ª a 6.ª feira (hora local, a mesma em Portugal continental):

Kyren Wilson-Anthony McGill (4.ª feira 13 horas, 5.ª feira 10 horas e 19 horas e 6.ª feira 14.30 horas)

Ronnie O’Sullivan-Mark Selby (4.ª feira 19 horas, 5.ª feira 14.30 horas e 6.ª feira 10 e 19 horas)

 

Final do Mundial:

Kyren Wilson//Anthony McGill-Ronnie O’Sullivan/Mark Selby (sábado 13.30 e 19.30 horas, domingo 13.30 e 19.30 horas)

Ler Mais
Comentários (4)

Últimas Notícias

Mundos