F1 2020 – só falta a Covid-19 nesta simulação

Jogos 24-07-2020 23:32
Por Nuno Perestrelo

Simular a época 2020 da Fórmula 1 pode muito bem ser o maior pesadelo para os programadores de videojogos. Não só porque não faria sentido impedir os jogadores de saltarem para a pista devido à pandemia de Covid-19, mas, sobretudo, por um problema impossível de resolver no imediato: entre Grandes Prémios cancelados e adiados, e os que como o GP Portugal foram esta sexta-feira adicionados ao calendário, não há equipa de trabalho que resista – claro que nos próximos tempos poderão ser trabalhados os novos circuitos e o calendário atualizado, mas tal não deverá acontecer de um dia para o outro…


Dito isto, com certa dose de ironia dificilmente terá havido ano melhor para um simulador de Fórmula 1 que 2020. Porquê? Porque o campeonato esteve parado bem mais tempo que o previsto e as saudades dos fãs são mais que muitas. E se até os pilotos profissionais ocuparam o tempo a fazer GP virtuais, é bom de ver que para o jogador comum F1 2020 ganhou interesse adicional. Na posse de uma cópia há cerca de duas semanas, A BOLA tem passado largos períodos ao volante (literalmente – já lá vamos) e podemos dizer que F1 2020 está aprovado com distinção.

 


Antes de mais, para quem não está familiarizado com o que de fantástico se vai fazendo no campo da programação, importa dizer que este título da Codemasters consegue transportar-nos para o coração das corridas. A jogar numa PlayStation 4, com um televisor de 43 polegadas e um volante Thrustmaster T300 RS GT Edition, a velocidade vertiginosa dos carros não perdoa a mínima distração e qualquer deslize resulta – tal como na condução de um verdadeiro F1 – em comprometedoras saídas de pista. 


Nunca tendo conduzido um Fórmula 1 real, sou convidado a aceitar que a performance dos carros em F1 2020 se aproxima bastante da experiência em pista. Isto porque se baseia na continuação de um trabalho com vários anos e sempre elogiado pelos maiores especialistas. E, mesmo que não o fosse, teria sempre uma nuance: será o mais próximo que o comum-utilizador-de-transportes-públicos-e-condutor-ocasional-de-carros-citadinos estará de conduzir a mais de 300 kms/hora.

 


As possibilidades de configuração dos bólides vão desde o simples ajustar de calibrações pré-definidas para aumentar a aderência ou a velocidade de ponta (cada qual com consequências no comportamento do carro), a um trabalho de pormenor no qual até a pressão dos pneus pode ser definida, um a um… Ou seja, se o F1 que nos vem para as mãos não se adapta a nós ou ao circuito, cabe-nos transformá-lo para conseguirmos o melhor desempenho.


Se a ideia parece assustadora, tal a complexidade que por vezes nem pilotos profissionais conseguem contornar de forma satisfatória, importa dizer que F1 2020 mantém a tradição de simplificar a vida aos principiantes. Para tal, como no passado, as famosas ajudas à condução podem ser personalizadas, começando no auxílio à travagem, passando pela trajetória ideal e, após vários outros itens fundamentais, acabar nas passagens automáticas de caixa de velocidades. Também o nível de inteligência artificial dos pilotos adversários pode ser ajustado de 1 a 100 por cento. Com tempo, quem joga F1 2020 consegue, mais cedo ou mais tarde, encontrar um grau de satisfação adequado à sua experiência, o que evita a frustração de ser impossível fazer bons Grandes Prémios ou ser ridiculamente fácil ganhá-los.

 


Também a personalização dos eventos oferece oportunidades para todos os tipos de jogadores. É possível saltar imediatamente para uma corrida com número reduzido de voltas, ou, pelo contrário, mergulhar na complexidade de um fim de semana com várias sessões de treino, de qualificação e uma corrida que pode, para os apaixonados, ter a duração do Grande Prémio verdadeiro.


Como noutras versões do jogo, podemos começar por treinar em qualquer dos 22 circuitos inicialmente previstos e apenas tendo o relógio como adversário, podemos saltar para corridas rápidas, para a realização de campeonatos, ou até para provas online.

Podemos utilizar qualquer dos carros que estão na grelha de partida desta época, alguns clássicos e, até, começar uma nova equipa, num modo fascinante no qual além de dono de uma escuderia somos, também, o piloto principal. Dito de outra forma, há modos de jogo para toda a gente. E quem opta pelo online, tem garantidas horas de diversão – tanto maior quanto mais conseguir jogar com pessoas que procuram o mesmo tipo de experiência, de modo a evitar que um apaixonado do realismo se apanhe em pista com um curioso mais empenhado em provocar acidentes.  E por falar em acidentes, também aqui é possível personalizar as consequências de um despiste, aumentando o grau de realismo do jogo, ou aproximando-o mais dos carrinhos de choque da feira.

 


Se a experiência de conduzir um F1 com um volante Thrustmaster T300 RS GT Edition (PVP €399,99 nas principais lojas) que nos foi emprestado pela Upload (distribuidor em Portugal) permite experimentar a sensação de perder o controlo do carro e senti-lo deslizar de lado após o toque de um rival desajeitado, a verdade é que nem todos estarão na disposição de investir na compra de um acessório que além do preço considerável ocupa bastante espaço – embora, admitamos, a experiência seja única e aconselhável a todos os que quiserem dedicar-se a sério a F1 2020 e aos que hão de seguir-se nos próximos anos.


Por isso, dedicámos também algum tempo de jogo – nos modos mais fáceis, ou, vá, adequados à nossa falta de experiência – a jogar com o Dual Shock 4, comando oficial da PlayStation 4. Naturalmente não se pode comparar a experiência, mas, comprovámos, é possível conduzir de forma satisfatória.

 


Uma palavra que importa deixar bem clara: F1 2020 não é o tipo de jogo para nos divertir durante 15 minutos antes de dormir. Antes de mais porque é difícil dormir depois de andar a fazer curvas a 300 km/hora, mas sobretudo porque jogá-lo implica concentração e um grande grau de compromisso. Implica fazer qualificações, afinações e, claro as corridas. E tudo isto, demora bem mais tempo. Tempo que não é desperdiçado, note-se. E, tal como o bólide de Lewis Hamilton, acaba por passar bem rápido.
 

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