Terceiro positivo para Wilsa Gomes. «Parece que estamos abandonados»

Judo 08-07-2020 08:26
Por Miguel Candeias

A Seleção de judo iniciou ontem, em Coimbra, a terceira semana dos estágios de retoma após o regresso à atividade, depois de quase cinco meses de paragem nos treinos devido ao Covid-19. No entanto, dos 48 judocas na concentração, dez tiveram que permanecer desde a véspera isolados no quarto e faltaram ao arranque dos quatro dias.


Isto porque o laboratório da Faculdade de Medicina de Coimbra atrasou-se na entrega dos resultados dos testes - só chegaram cerca das 23 horas - efetuados na véspera. Assim, os sete que estão pela primeira vez ou aqueles que haviam deixado o estágio há 15 dias depois de se saber que o campeão mundial Jorge Fonseca (-100 kg) e Wilsa Gomes (-57 kg) haviam acusado positivo, ainda que assintomáticos, não puderam sair dos quartos desde o início da tarde de segunda-feira. Obrigação que a federação impôs para evitar contágios até serem divulgados os resultados.


Todos deram negativo menos a internacional Wilsa, que há duas semanas permanece restringida num quarto do hotel.


«Isto baralhou um bocado os  planos porque houve atletas que não puderam treinar hoje [ontem] e ficaram fechados nos quartos, à espera», afirmou o presidente da FPJ Jorge Fernandes. «Os restantes, como haviam sido testados na passada semana puderam treinar», acrescenta sobre o resto da seleção que está dividida em dois grupos e em ginásios de clubes diferentes.


«Mas isto complicou-nos também as contas pois estamos a ter uma despesa que era desnecessária. Os atletas acabam por ter de dormir duas noites em quartos individuais. Mas houve um problema qualquer no laboratório e não os conseguiram entregar de manhã como é habitual», referiu Fernandes.  


Nesta retoma, a federação de judo tem sido a praticamente única a obrigar os atletas a serem testados antes dos estágios e treinos da Seleção. Quisemos saber se têm recebido apoios tais despesas? «Não! Não temos tido qualquer apoio e até diria mais, parece que estamos aqui abandonados e só se lembram de nós quando surgem as medalhas», dispara. «Até agora não sentimos apoio de ninguém», reforça. «E digo-o com muito custo, mas é a verdade. Os atletas estão cá a trabalhar e bem. Vamos já na terceira semana, mas de apoios nada. Já houve tempo».


«Não sei se é por medo do vírus, por os estágios serem em Coimbra e não em Lisboa... Já agora aproveito para dizer: os judocas que acusaram positivo não são criminosos. Não fizeram mal a ninguém. Não há motivos para nos afastarmos uns dos outros. Lamentamos, mas parece que é isso que se passa», diz optando por não apontar nomes ou entidades.

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