Benfica e Jesus, amanhã é tempo de ‘sim ou sopas’ (artigo de José Manuel Delgado)

CRÓNICAS DE UM MUNDO NOVO 08-07-2020 15:16
Por José Manuel Delgado

Luís Filipe Vieira anunciou ontem, durante o Plenário dos Órgãos Sociais do Benfica, a decisão de recandidatar-se a novo mandato, ao mesmo tempo que recusou a possibilidade de antecipar as eleições que estão previstas para finais de outubro.

 

Quanto à recandidatura, apesar das dúvidas que Vieira deixou no ar após a derrota na Madeira, nenhuma surpresa. O presidente do Benfica identifica-se com o exercício da presidência, e porque nunca nada está feito para sempre, enquanto mantiver esse estado de espírito continuará a pugnar por sentar-se no cadeirão mais importante da Luz, argumentando com novos projetos, novas metas e novas ambições.

 

Mas estas eleições - em que a única boa notícia para Luís Filipe Vieira parece a ser a existência de duas candidaturas de oposição, protagonizadas por Rui Gomes da Silva e Bruno Carvalho, que vão dispersar votos – vão ser diferentes de todas as que o líder encarnado até agora disputou e encerram um nível de aleatoriedade assinalável, pelas razões a seguir expostas:

 

- O contexto desportivo não é, ao dia de hoje, o mais favorável, com um título que parecia ganho, perdido, depois de há um ano ter sido ganho um título que parecia perdido;

 

- O contexto financeiro, em plena crise pandémica e sem que ninguém saiba muito bem quando será retomada a normalidade que permita aos clubes a recuperação de receitas, torna o futuro incerto e sombrio; o empréstimo obrigacionista em curso funciona como um  poderoso ‘airbag’, mas as dúvidas são muito mais que as certezas;

 

- O facto do Benfica parecer destinado a disputar a terceira pré-eliminatória da Champions, com um adversário a sair de um sorteio puro e duro, sem cabeças de série, exige alguma ponderação, porque o que está em causa, nesse jogo e nas duas mãos do play-off, é um rendimento mínimo garantido de 40 milhões, o que, nos tempos que correm, é uma enormidade de dinheiro.

 

- Com estes jogos decisivos marcados para 15 de setembro (a terceira pré-eliminatória) e (22 e 30 de setembro, o play-off) as eleições de finais de outubro servirão para aferir da satisfação dos adeptos perante os resultados entretanto obtidos.

 

- Entre a espada e a parede, o que deve fazer Vieira? Investir forte para que os 40 milhões não fujam, ou apostar num plano B?

 

Da decisão de Luís Filipe Vieira de não antecipar eleições – o que, podendo transmitir um sinal de fragilidade, colocá-lo-ia a cobro de qualquer percalço europeu – resulta a conclusão de que o Benfica fará um investimento desportivo relevante, numa inversão de paradigma que torne a política desportiva mais efetiva e menos lírica. A aposta na formação é estrutural, e não deve haver nenhum tipo de desinvestimento. Mas, pensando na primeira equipa, esta só será competitiva se compatibilizar, na justa medida, elementos da formação, da prospeção, e de aquisições, sem balizas de limites etários, capazes de formar, em cada época, o onze mais capaz de lutar por todas as competições.

 

Neste ‘puzzle’, a peça do treinador deverá servir de ponto de partida para tudo o resto. Por isso, quanto mais depressa houver uma definição, melhor para o Benfica. O Flamengo joga nesta madrugada a final da Taça Rio, e por isso percebe-se o silêncio oficial em trono de Jesus. A partir de amanhã deixa de haver qualquer boa razão para que não haja uma decisão definitiva em relação ao treinador mais desejado por Luís Filipe Vieira.   

Ler Mais

A PAIXÃO CONTINUA EM CASA


O momento particular que vivemos determina a permanência das pessoas em casa além do fecho de todas as lojas comerciais alterando dramaticamente os hábitos das pessoas no que toca à leitura e ao acesso à informação.

Neste momento de grandes dificuldades para todos, estamos a trabalhar a 100% para continuar a fazer-lhe companhia todos os dias com o seu jornal A Bola , o site ABOLA.pt e no canal A Bola Tv.

Mas este trabalho só vale a pena se chegar aos seus clientes de sempre sem os quais não faz sentido nem é economicamente sustentável.

Para tanto precisamos que esteja connosco, que nos faça companhia, assinando a versão digital de A Bola e aproveitando a nossa campanha de assinaturas.

ASSINE JÁ

Comentários (10)

Últimas Notícias