«Estando a cem por cento tinha lugar neste Benfica»

Benfica 07-07-2020 13:46
Por Rogério Azevedo

Jhonder Cádiz, atacante venezuelano, contratado pelo Benfica ao V. Setúbal no verão de 2019, está na expectativa para a temporada 2020/2021. A dias de completar 25 anos e terminado o empréstimo aos franceses do Dijon, admite, em entrevista que pode ler esta terça-feira em A BOLA, que o seu futuro imediato passa pelo Benfica ou por regresso ao estrangeiro. Mas, para já, aposta tudo no Benfica.


- Houve alguma polémica a envolver a sua transferência para o Benfica. Polémica que envolveu o nome de Paulo Gonçalves, antigo dirigente do Benfica. Soube de alguma coisa?

 

- Sim. Há cerca de uma semana um vídeo chegou até mim, através da minha irmã. Não sei de nada. O jogador, nestes casos, é sempre o último a saber. Passou-se um ano e eu de nada sabia. São coisas que estão fora do meu controlo. Preocupo-me apenas em jogar e com as coisas que se passam dentro do campo. Coisas menos boas que possam acontecer fora do futebol, se aconteceram, acontecem hoje e acontecerão sempre.

 

-Quando assinou pelo Benfica já sabia que, eventualmente, seria emprestado?

 

- Não. Assinei pelo Benfica com a esperança de ficar e de poder vestir aquela camisola. Não sei se eles, no início da pré-época, já sabiam que eu seria cedido. Se sabiam, não mo disseram. O jogador é, também aqui, o último a saber.

 

- Acreditava, pois, que podia ficar.

 

- Sim. Nas primeiras duas semanas sentia-me muito bem, estava a falar-se muito em mim e sentia que tinha condições para poder ficar. Chegámos a fazer um jogo em que as pessoas falavam muito de [Raul] De Tomas, mas depois, nos jornais, só se falava de mim. Estava com muita confiança, pois estava a dizer-se que o Cádiz tinha sido o melhor jogador dos treinos. Tive duas semanas iniciais muito boas, mas depois um grande azar…

 

- A lesão frente ao Anderlecht…

 

- Sim. A decisão de ser emprestado poderia estar tomada, não sei porque nunca mo comunicaram até aquela altura, mas a lesão com o Anderlecht veio dar mais força a essa possibilidade.

 

- Sem essa lesão, acredita que teria ficado no Benfica?

 

- Na minha cabeça, sim, pois estava com muita confiança. Mas não posso assegurar que, sem a lesão, teria ficado no plantel.

 

- Nem foi aos Estados Unidos.

 

- Não. A lesão foi dois ou três dias antes da partida. Lesionei-me no jogo da despedida de Jonas.

 

- Quando soube que não ficaria?

 

- Chegaram dos Estados Unidos e, talvez uma semana e meia depois, já com o Vinícius no plantel, o mister falou comigo e depois também o Tiago [Pinto]. E começámos a estudar as opções que estavam em cima da mesa.

 

- Chegou a falar-se no Belenenses e em clubes turcos. Qual a razão por ter optado pelos franceses do Dijon?

 

- Porque era o campeonato mais competitivo que tinha na altura. Ofereciam-me muito dinheiro na Turquia e no Belenenses ficava perto de casa e da família, mas optei por um desafio novo. A Liga francesa é muito competitiva e tem grandes jogadores.

 

- Com que impressão ficou de Bruno Lage nas conversas que mantiveram?

 

- Fiquei com boa ideia dele. O mister Bruno foi franco comigo, pois disse-me que não contava comigo e que o Benfica iria encontrar a melhor solução para o meu futuro. Quando é o treinador principal a dizer-te que não conta contigo e não o diretor-desportivo ou o treinador adjunto, mostra sempre que ele tem caráter. Por vezes, mandam outras pessoas dar as más notícias, porque não têm coragem de o dizer cara a cara. Gostei da forma frontal como ele falou comigo.

 

- O seu contrato com o Benfica termina em 2024. Que gostaria que acontecesse?

 

- O contrato com o Dijon terminou a 30 de junho. O único contacto recente que tive com o Benfica foi por causa do meu passaporte, que estava quase a caducar. Para já, não sei o que poderá acontecer. Se fico no plantel, se faço ou não a pré-época, se vou ser emprestado ou não.

 

- Olhando para este Benfica, tinha lugar no plantel?

 

- Pelo meu tipo de jogo e estando a cem por cento, acho que sim. Mas os avançados do Benfica, agora ainda com o Dyego, são muito bons. Acho que poderia ter ficado no lugar do Dyego, que o Benfica foi buscar por último.

 

- Admite novo empréstimo?

 

- Está tudo nas mãos do Benfica. A única certeza que tenho é que, se ficar, darei tudo pelo clube. Tal como, aliás, dei desde que assinei há um ano. Se não ficar, agradeço e farei a minha vida noutro lugar.

 

- Se não ficar no Benfica, gostava mais de regressar a Portugal ou de continuar no estrangeiro?

 

- Ficar em Portugal, agora, será muito difícil. Pode acontecer, mas, para já, não coloco essa possibilidade. É Benfica ou estrangeiro. Até porque o Benfica não me cederá a um rival direto.

 

- Mensagem para os adeptos do Benfica.

 

- Apoiem a equipa, mesmo que não sejam campeões nacionais. Se os adeptos se sentem mal com as derrotas, imaginem os jogadores. O Benfica está habituado a vencer e perder torna-se a pior coisa que pode acontecer. Ainda há jogos para ganhar.

 

- Quanto a si?

 

- Espero ficar no Benfica. É um sonho meu. Julgo que tenho qualidades para jogar no Benfica. Porém, se não ficar, quero ir para uma equipa em que possa jogar e marcar golos.


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